PORQUE PASSARAM A SER DESIGNADOS EM INGLÊS OS EVENTOS QUE ACONTECEM NO MINHO?
A língua oficial é o Português - Artigo 11.º, alínea 3 da
Constituição da República Portuguesa
Quase não
existe atualmente no Minho evento que não surja identificado em língua inglesa.
É reparar nos cartazes que os promovem e fica-nos a impressão de que os mesmos
são dirigidos aos turistas que nos visitam. Ou, em alternativa, as nossas
gentes não entendem a sua própria língua materna, aquela que faz aquilo que
somos desde os tempos fundacionais do cancioneiro galaico-minhoto. Deriva que é
sustentada pelas próprias autarquias que as promovem ou patrocinam… autêntica
parolice! Vai sendo tempo de acabar com esta coisa tão ridícula e defender a
nossa cultura.
“Doce e
agradável” foi como Miguel de Cervantes, um dos nomes maiores da literatura
espanhola, expressou admiração pela língua portuguesa. O escritor que nutria
admiração por Luís de Camões, considerava o português como “uma das línguas
mais sonoras”.
No mesmo
sentido, também Lope de Vega referia-se ao nosso idioma como “doce língua
portuguesa”, incorporava elementos do português, inspirou-se em obras
portuguesas como as de Jorge Ferreira de Vasconcelos e reconhecia os escritores
portugueses ao nível de grandes nomes castelhanos, como Cervantes.
Derivada
do latim falado pelos soldados romanos e evoluída para o galego-português,
consolidada com a fundação de Portugal e disseminada pelos Descobrimentos, a
língua portuguesa é utilizada em todo o mundo por mais de 230 milhões de
falantes e reconhecida pela UNESCO como língua importante para a comunicação
internacional.
Os
Lusíadas de Luís de Camões estudam-se em universidades de quase todo o mundo.
Entre elas encontram-se Pisa, Génova e Milão na Itália. Liverpool e Edimburgo
no Reino Unido. Göttingen na Alemanha. Berkeley (Universidade da Califórnia)
nos Estados Unidos da América. Macau na República Popular da China. Belgrado
(Sérvia), Budapeste (Hungria), Praga (República Checa) Sófia (Bulgária),
Varsóvia (Polónia) e Zagreb (Croácia).
E, em
Portugal, como é tratada essa “doce e agradável” língua portuguesa como a
classificou Cervantes?
Por cá
reina a parolice que parece envergonhar-se de um dos maiores tesouros da nossa
cultura. Desde a comunicação social às instituições de ensino, dos comentadores
televisivos à publicidade, dos nomes de programas aos debates no parlamento, os
estrangeirismos – não raras as vezes sem sentido – tomaram conta da comunicação
remetendo a língua portuguesa para o vão de escada da cultura. É o ruído a
abafar essa língua “doce e agradável”, o regresso à barbárie cultural. E, a
degradação vai a tal ponto que, muito recentemente, a Universidade Nova de
Lisboa sentiu-se na obrigação de impor o uso obrigatório do nome em português
nas suas faculdades e unidades orgânicas.
Juram os
políticos a pés juntos cumprir a Constituição, mas desconhecem-se políticas que
promovam a língua portuguesa que nela está consagrada como língua oficial. É
mais do que tempo de rejeitarmos aquilo que nos querem impingir e
orgulharmo-nos daquilo que é nosso, dessa “doce e agradável” língua portuguesa.

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