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O NATAL MINHOTO – UM CONTO DE RAMALHO ORTIGÃO

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É dia de Natal. A cidade amanheceu alegre no céu fresco e azul. Os carrilhões das igrejas repicam festivamente. As salsicharias, os restaurantes, as pastelarias, ostentam em exposição os seus produtos mais apetitosos: os grandes porcos, de couro nitidamente barbeado, suspensos do teto com a cabeça para baixo; as salsichas e os chouriços de sangue pendentes em bambolim; as cabeças de vitela, de uma palidez linfática, rodeadas de agriões; os perus gordos como ventres de cónegos, com o papo recheado pela respetiva cabidela; as galantines marmoreadas; as louras perdizes postas em pirâmide; as costeletas; as geleias de reflexos cor de topázio; as verduras de salsa picada; os grossos molhos opulentos dos espargos; os bolos do Natal: os fartes, os sonhos, os morgados, as filhós, as queijadas, os christmas-kacks, os puddings, os bombons glacés. E a profusão destas exposições dá às ruas o aspeto culinário da abundância, da plenitude. Os ramalhetes de violetas, com o seu colarinho feito de duas ...

PONTE DE LIMA E PÓVOA DE VARZIM COMEMORAM 181 ANOS DE EÇA DE QUEIRÓS - CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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A Eça Culture House e a Associação Nós da Dança, com sede no local de nascimento do escritor, diplomata e gastrónomo Eça de Queirós a 25 de Novembro de 1845, então residência do parente Francisco Augusto Soromenho, de Ponte de Lima, dirigida por Odete Rios, em colaboração com o município da Póvoa de Varzim e o nosso Clube de Gastronomia de Ponte de Lima e a Confraria Queirosiana com sede em Vila Nova de Gaia, ultimam o programa comemorativo dos 181 anos do autor de "Os Maias". Tudo resultou dum primeiro encontro proporcionado pela Presidente da Câmara, Andrea Alves, na inauguração do Wine Arena 2026, com participação do escritor e comandante local da PSP Ezequiel Rodrigues, o nosso colega do Clube de Gastronomia de Ponte de Lima, António Sousa e o Presidente da Confraria dos Sabores Poveiros, Rodrigo Moça e a directora do Arquivo Municipal de Ponte de Lima, Cristiana Freitas. (foto de capa) A primeira reunião realizou-se a 26 de Setembro, na qual participaram a vereadora da c...

PRÉMIO LITERÁRIO DE DRAMATURGIA ANTÓNIO PEDRO DESAFIA JOVENS AUTORES DE CAMINHA A LEVAR A SUA ESCRITA AO PALCO

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Estão abertas, até 30 de dezembro de 2026, as candidaturas à primeira edição do Prémio Literário de Dramaturgia António Pedro, uma iniciativa do Município de Caminha que pretende incentivar a criação teatral entre os jovens do concelho, apoiar novos talentos da escrita dramática e homenagear uma das figuras mais marcantes da cultura portuguesa. Destinado a autores, individualmente ou em coletivo, com idades entre os 18 e os 36 anos e residentes no concelho de Caminha, o prémio distinguirá um texto dramático original e inédito. Para além do reconhecimento, o vencedor terá a oportunidade única de ver a sua obra ganhar vida em palco, através da produção cénica do texto, sem qualquer encargo. A apresentação pública da obra poderá assumir a forma de espetáculo completo ou de leitura encenada, decorrendo num equipamento cultural do concelho. Com esta iniciativa, o Município de Caminha pretende estimular a criação dramatúrgica, apoiar novos criadores e proporcionar condições concretas pa...

LENDAS GANHAM VIDA EM FAFE

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E 𝐦 𝐅𝐚𝐟𝐞, 𝐚𝐬 𝐥𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐠𝐚𝐧𝐡𝐚𝐦 𝐯𝐢𝐝𝐚! | 𝐅𝐚𝐜̧𝐚 𝐋𝐮𝐚 𝐨𝐮 𝐟𝐚𝐜̧𝐚 𝐂𝐡𝐮𝐯𝐚, 𝐯𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐞𝐧𝐟𝐫𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫 𝐚 𝐁𝐢𝐜𝐡𝐚 𝐝𝐚𝐬𝐒𝐞𝐭𝐞 𝐂𝐚𝐛𝐞𝐜̧𝐚𝐬 Há histórias que atravessam gerações. Lendas que fazem parte da memória coletiva, que despertam a imaginação e que mantêm viva a identidade de um território. Em Fafe, a noite de 31 de outubro tem uma história muito nossa para contar: a lenda da Bicha das 7 Cabeças! Na sua 4.ª edição, esta iniciativa regressa para celebrar a tradição, a história e o imaginário popular, com uma grande novidade: a caminhada noturna "Faça Lua ou faça Chuva, vamos enfrentar a Bicha das Sete Cabeças", um convite para descobrir e viver a nossa lenda de uma forma diferente, com oferta de sopa, broa e queimada para todos os participantes. Informamos ainda que oferecemos lanternas de cabeça aos primeiros 300 inscritos, nesta noite para caminhar, partilhar, descobrir e deixar que a tradição continue a passar de geração em geração...

ESCRITOR RAMALHO ORTIÃO NASCEU HÁ 190 ANOS

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Passam hoje precisamente 190 anos sobre a data de nascimento de Ramalho Ortigão. O escritor foi um dos colaboradores que ajudou a dar vida ao histórico jornal vianense A Aurora do Lima,  fundado em 1855, sendo  o segundo jornal mais antigo de Portugal e o mais antigo em circulação contínua em Portugal Continental.  A Ramalho Ortigão se devem muitas das crónicas que retratam a sociedade e os costumes da região do Minho, preciosas descrições etnográficas sobre as feiras, mercados e trajes tradicionais das mulheres de Viana do Castelo por volta de 1885, algumas delas publicadas n' As Farpas, como a que seguidamente se transcreve. A aldeã do distrito de Viana é, por via de regra, tecedeira. É preciso não se confundir o que no Minho se chama tecedeira com o que geralmente se entende por teceloa . A tecedeira de Viana não se emprega numa fábrica nem tem propriamente uma oficina. Sabe simplesmente tecer como a menina de Lisboa sabe fazer crochet ; e junto da janela engrinaldada...

PORQUE O ESCRITOR MIGUEL TORGA NÃO GOSTAVA DO MINHO?

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Dizia o insigne escritor Miguel Torga que “… no Minho tudo é verde, o caldo é verde, o vinho é verde… ” – como transmontano que era, dos pés à cabeça, desconhecia o escritor que o Minho também possuía outras cores como o branco da neve que a tempos cobre as serranias de Castro Laboreiro! "Desanimado, meti para Castro Laboreiro à procura dum Minho com menos milho, menos couves, menos erva, menos videiras de enforcado e mais meu. Um Minho que o não fosse, afinal. Encontrei-o logo dois passos adiante, severo, de curcelo e carapuça. A relva dera finalmente lugar à terra nua que, parda como o burel, tinha ossos e chagas. O colmo de centeio, curtido pelos nevões, perdera o riso alvar das malhadas. Identificara-se com o panorama humano, e cobria pudicamente a dor do frio e da fome. Um rebanho de ovelhas silenciosas retouçava as pedras da fortaleza desmantelada. E uma velha muito velha, desmemoriada como uma coruja das catacumbas, vigiava a porta do baluarte, a fiar o tempo. Era a pré-his...

VILA VERDE: "AQUI HÁ CULTURA!" - PERCURSOS DA LITERATURA COM RUI COUCEIRO

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  Rui Couceiro visitou Vila Verde como convidado de mais uma iniciativa do Projeto “AQUI HÁ CULTURA!” , dinamizado pela Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV) e Câmara Municipal de Vila Verde. O encontro aconteceu na Biblioteca Professor Machado Vilela, na sexta-feira, 9 de outubro , com o propósito de apresentar as obras do escritor. Manuela Barreto Nunes deu início à sessão, que foi conduzida, em jeito de conversa, por Arnaldo Varela de Sousa. Quem procurou boas histórias numa sexta feira à noite, encontrou-as na última sessão do “AQUI HÁ CULTURA!”. Cerca de quatro dezenas de leitores (ou tribo) presentes na sala, tomaram conhecimento dos “15 minutos académicos”. História para contar assim que houver oportunidade. Receber Rui Couceiro e ouvir por palavras suas o que o faz escrever foi, na opinião geral, uma lufada de ar fresco. Cativante, o autor nascido no Porto, apresentou-se como amante de montanhas e rios, contou que sonhou ser alpinista, jornalista e editor. Entre as...

CLUBE DE GASTRONOMIA DE PONTE DE LIMA RECORDA EÇA DE QUEIRÓS - CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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Chef Thomas Egger, Áustria e Tabuaço Mais um evento do nosso Clube de Gastronomia de Ponte de Lima será realidade em breve! Desta vez, a actividade será em parceria com a casa onde nasceu Eça de Queirós na Póvoa de Varzim, a cujo espaço museológico nos associamos há cerca de um ano, a convite da sua proprietária e directora, Odete Rios. O programa está a ser ultimado, e entre o alinhamento de acções, há a destacar a apresentação de cartas da filha do autor de “Os Maias” a um consagrado escritor Limiano na década de quarenta do século passado, e uma merenda à Eça de Queirós, onde sabores da Europa e da Ásia estarão em prova. A nossa equipa de cozinha (foto de capa), com João Leonardo Matos, Paulo Santos, Domingos Gomes e Thomas Egger, estão a elaborar a Carta gastronómica para o encontro cultural Limiano. Entretanto, um outro projecto de dimensão internacional, será discutido na tarde de amanhã Sábado 19 de Setembro, na Póvoa de Varzim, com amigos e admiradores do escritor, diplomata e ...

RUI COELHO VENCE O PRÉMIO LITERÁRIO NORTEAR 2026 PARA JOVENS ESCRITORES DA EURORREGIÃO GALÍCIA - NORTE DE PORTUGAL

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Rui Coelho vence o Prémio Literário NORTEAR 2026 para Jovens Escritores da Eurorregião Galicia – Norte de Portugal  “A mulher dos olhos fecundos.” é o conto vencedor desta edição.  O vencedor recebe uma dotação de 3.000 euros e a publicação da obra em português e galego. Rui Coelho, natural de Viana do Castelo e com 34 anos, é o vencedor da edição de 2026 do Prémio Literário NORTEAR para Jovens Escritores da Eurorregião Galicia – Norte de Portugal. O autor foi distinguido pelo júri pela obra “A mulher dos olhos fecundos”, selecionada entre as 63 candidaturas apresentadas nesta edição. “Saber que me foi atribuído o prémio encheu-me de orgulho”, afirmou Rui Coelho, após tomar conhecimento da decisão do júri. A obra vencedora apresenta uma proposta narrativa que, segundo o júri, se destacou pela qualidade literária, consistência e originalidade, evidenciando uma abordagem própria e uma construção narrativa particularmente sólida. O júri da edição de 2026 foi presidido por João Bezerra d...

BIBLIOTECA MUNICIPAL DE VALENÇA PROMOVE NOVA SESSÃO DAS "SEXTAS LITERÁRIAS" COM PADRE RICARDO ESTEVES

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A Biblioteca Municipal de Valença recebe, no próximo dia 25 de setembro, às 21h00, mais uma sessão das “Sextas Literárias”, desta vez com a presença do Padre Ricardo Esteves, que apresentará o seu livro “Deixa Deus Entrar – Como a Fé Pode Transformar a Nossa Vida”. Reconhecido pela sua proximidade e pela forma acessível como aborda a fé e a espiritualidade, o Padre Ricardo Esteves tem vindo a afirmar-se como uma voz de referência junto das novas gerações. A sessão constitui uma oportunidade para descobrir as motivações que estiveram na origem de “Deixa Deus Entrar” e participar numa conversa sobre fé, perdão, amor, família, sofrimento e esperança. Mais do que a apresentação formal de um livro, será um momento de proximidade entre o autor e a comunidade, no qual as palavras, as experiências pessoais e as questões do público possam contribuir para uma reflexão partilhada. O encontro terá lugar no Auditório da Biblioteca Municipal de Valença, constituindo mais uma iniciativa do Município ...

FAFE PROMOVE PRÉMIO LITERÁRIO A. LOPES OLIVEIRA

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Estão a decorrer as candidaturas para o Prémio Literário A. Lopes de Oliveira / Câmara Municipal de Fafe, destinado a distinguir estudos histórico-sociais de âmbito local ou regional. Estrutura do prémio O valor total do prémio é de 2.000 euros, dividido em duas categorias: • Estudos dedicados a Fafe; • Estudos dedicados a outras localidades ou regiões do país. Podem concorrer autores portugueses ou estrangeiros, com obras publicadas durante 2025 e 2026 em livro e enquadradas no género definido pelo regulamento. Cada concorrente deve enviar quatro exemplares da obra, dirigidos à vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Fafe. O prazo de receção das candidaturas termina em 31 de dezembro de 2026. O prémio tem como objetivo incentivar a publicação de obras que aprofundem o conhecimento das realidades de localidades e regiões portuguesas, reforçando a valorização da identidade regional e local.

CAMINHA: ESTÃO ABERTAS AS CANDIDATURAS AO PRÉMIO LITERÁRIO DE DRAMATURGIA ANTÓNIO PEDRO

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Já estão abertas as candidaturas à primeira edição do Prémio Literário de Dramaturgia António Pedro, uma iniciativa do Município de Caminha que pretende incentivar a escrita para teatro, apoiar novos autores e homenagear o legado de uma das figuras maiores da dramaturgia portuguesa. Dirigido a autores, singulares ou coletivos, entre os 18 e os 36 anos, residentes no concelho de Caminha, o prémio distingue um texto dramático original e inédito e oferece ao vencedor uma oportunidade singular: ver a sua obra ganhar vida em palco, através da produção cénica da obra, sem qualquer encargo para o autor. A apresentação da obra vencedora poderá assumir a forma de espetáculo completo ou de leitura encenada, em equipamento cultural do concelho de Caminha. Com esta iniciativa, o Município de Caminha pretende criar uma oportunidade concreta para que jovens criadores possam desenvolver e apresentar o seu trabalho, aproximando a escrita da criação e fruição artística. O prémio presta homenagem a Antó...

ESCRITORA ARCUENSE LANÇA "A MULHER QUE EU ME TORNEI"

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Livro relata jornada real de superação e recomeço de Helena Pereira O Centro Interpretativo do Barroco encheu-se de público para o lançamento do livro “A Mulher Que Eu Me Tornei”, de Helena Pereira, num ambiente de crença no futuro e muitos elogios à história de vida da autora. Natural de Arcos de Valdevez, Helena Pereira transformou os percalços dolorosos da vida em superação e força, com passos firmes na descoberta do eu interior e na segurança para o futuro. O Presidente da Câmara Municipal, Olegário Gonçalves, enalteceu a coragem da autora na procura da felicidade depois de uma jornada emocionalmente exigente. O autarca reforçou, também, a disponibilidade do município em apoiar a arte, garantindo que Arcos de Valdevez é um território onde a cultura tem uma importância maior. A apresentação contou com a presença de Ana Rodrigues, produtora, familiares, amigos e muitas pessoas cujos caminhos se cruzaram na vida de Helena Pereira.

O QUE DISSE O ESCRITOR RAUL BRANDÃO ACERCA DE VILA PRAIA DE ÂNCORA?

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  À direita, encostado ao forte de Lippe, que forma o outro lado da bacia, com o portinho e o varadouro, ficam as casas dos pescadores. (…) A parte dos pescadores no areal difere completamente nos tipos, nos costumes e nas casas, naturalmente noutros tempos barracas de madeira construídas sobre estacas. Há quatrocentos pescadores pouco mais ou menos, e cento e trinta e dois barcos varados na praia, todos pintados de vermelho. São maceiras, de fundo chato, tripuladas por dois homens, volanteiras ou lanchas de pescada por doze homens, e barcos de sardinha, que levam cinco ou seis peças de sessenta braças cada uma, e quatro homens. As redes têm nomes: peças as da sardinha, volantes as da pescada. Chama-se galricho a uma espécie de massa com que se apanha a faneca; rastão ao camaroeiro; patelo à rede que colhe o caranguejo ou mexoalho; e rasco à da lagosta. As redes da sardinha são do mestre, e as da pescada dos pescadores. Os quinhões dividem-se conforme o peixe. Raul Brandão, de Cami...

EM COURA MANDAM AS COURENSES - O QUE DISSE RAMALHO ORTIGÃO ACERCA DA ALDEÃ DO DISTRITO DE VIANA?

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A aldeã do distrito de Viana é, por via de regra, tecedeira. É preciso não se confundir o que no Minho se chama tecedeira com o que geralmente se entende por teceloa . A tecedeira de Viana não se emprega numa fábrica nem tem propriamente uma oficina. Sabe simplesmente tecer como a menina de Lisboa sabe fazer crochet ; e junto da janela engrinaldada por um pé de videira o seu pequenino tear caseiro, como o da casta Penépole, tem o aspecto decorativo de um puro atributo familiar, como um cavalete de pintura ou um órgão de pedais no recanto de um salão. A tecedeira trabalha mais para si do que para os outros nesse velho tear herdado e transmitido de geração em geração, e não tece servilmente e automaticamente, como nas fábricas, sobre um padrão imposto pelo mestre da oficina, mas livremente, como artista, ao solto capricho da sua fantasia e do seu gosto, combinando as cores segundo os retalhos da lã de que dispõe, contrastando os tons e variando os desenhos ao seu arbítrio. Tecer em tais...

PAREDES DE COURA NA PERSPETIVA DE AQUILINO RIBEIRO

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Aquilino Ribeiro era beirão de nascimento mas ficou ligado ao concelho de Paredes de Coura. Casou com uma filha do Dr. Bernardino Machado e, entre os seus escritos, legou-nos o seu romance “A Casa Grande de Romarigães”. “Paredes de Coura: São 7,45 e uma leve bruma leitosa, quase velo de lã muito carmeada, flutua sobre o cume dos montes. Mas essa gaze vadia, a esfiapar-se pouco a pouco, deixa a descoberto toda a modelação dos vales, e os rossios a florir, banhados pelo sol, faíscam e toucam-se, segundo o reflexo das folhas luzidias, dos mais variados cambiantes. Este Alto Minho tem a frescura das pradarias dentre Ave e Cávado, e a majestade da Beira. A serra de Arga parece postada lá adiante a barrar-nos o caminho com as suas escarpas de bronze. Em chapadas e valeiros procede-se às vessadas da Primavera. Decerto que é este um dos trabalhos mais pitorescos da vida agrícola regional, pela sua envergadura e movimento. Um Sorolha ficaria de boca aberta, deliciado a ver como se desdobra seme...

MUNICÍPIO DE CAMINHA CRIA PRÉMIO LITERÁRIO DE DRAMATURGIA ANTÓNIO PEDRO PARA PROMOVER NOVOS AUTORES E VALORIZAR LEGADO CULTURAL

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O Município de Caminha vai lançar o Prémio Literário de Dramaturgia António Pedro – Edição 2026, uma iniciativa destinada a incentivar a criação dramatúrgica contemporânea, promover novos talentos do concelho e homenagear uma das figuras mais marcantes da cultura portuguesa do século XX. As candidaturas abrirão brevemente. Para assinalar o lançamento desta nova distinção cultural, foi também criada uma logomarca exclusiva para o prémio, concebida para refletir a ligação entre a herança artística de António Pedro, a dramaturgia contemporânea e a identidade cultural de Caminha. A nova imagem gráfica pretende afirmar o prémio como uma marca cultural de referência, reforçando a sua notoriedade e reconhecimento junto da comunidade artística e do público. Dirigido a autores individuais ou coletivos, com idades compreendidas entre os 18 e os 36 anos e residentes no concelho de Caminha, o prémio distinguirá o texto dramático mais original e inédito. O vencedor terá como principal recompensa a ...