TODA A VIOLÊNCIA É CONDENÁVEL, MAS ALGUMA VIOLÊNCIA PARECE MAIS CONDENÁVEL DE QUE OUTRA – CRÓNICA DE MÓNICA JERÓNIMO LOPES
“Toda a violência é condenável” é uma frase que parece ter‑se tornado vazia de dignidade e cheia de ideologia. Na prática, quando a comunicação social informou ontem da tentativa de queimar manifestantes em Lisboa, a violência deixou de ser um ato condenável em si e sem nuances e passou a ser um conceito elástico, onde o jornalista e o editor definem a gravidade do crime com base em quem agride e quem é agredido. Não é informação, é formação ideológica. Ontem, famílias, mães, pais e crianças foram alvo de um ato deliberado, com um engenho incendiário lançado para o meio de uma multidão pacífica. Foi uma tentativa de homicídio, um ato terrorista contra pessoas concretas por causa das suas convicções. E, no entanto, o jornalismo anestesiou a informação, falou de “incidente”, sublinhou “sem feridos” e encaminhou o assunto para o pouco relevante através de engenharia linguística que atenua a perceção da gravidade de um ato que poderia ter terminado em corpos carbonizados. Basta i...