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MINHO: O CULTO DOS MORTOS E A ACÇÃO CRIADORA DOS DEUSES

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O rito é, por assim dizer a celebração do mito da criação, assumindo sempre a sacralidade imanente ao acto da criação divina. Desde sempre o Homem acreditou na possibilidade dos mortos intercederem na ação criadora dos deuses e no próprio ciclo da natureza, contribuindo inclusivamente para o renascimento dos vegetais e das culturas que os demónios e maus espíritos do inverno fizeram desaparecer. Esta crença está na origem de uma infinidade de práticas relacionadas com o culto dos mortos que regra geral se iniciam em Novembro e prolongam-se até à Serração-da-Velha, atravessando as cerimónias solsticiais ou "saturnais" e os festejos carnavalescos. Naturalmente, os ritos variam consoante as celebrações em causa mas conservam entre si uma finalidade comum que é o de assegurar que o ciclo da vida e da morte não se interrompa, possibilitando, por conseguinte, que ao inverno suceda impreterivelmente a primavera. De acordo com as investigações feitas no domínio da arqueologia e da an...

O QUE É A PROCISSÃO DAS ALMAS?

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Existe no Minho e na Galiza uma antiga crença de origens medievais enraízada no folclore segundo a qual, por volta da meia-noite, os caminhos da aldeia eram percorridas por um cortejo noturno de almas do purgatório ou mortos, espectros aterradores do além, caminando em silêncio ou proferindo lamúrias, levando consigo velas ou círios. Trata-se da Procissão das Almas, também conhecida pela designação de Procissão dos Defuntos e de Santa Companha. A procissão é habitualmente encabeçada por uma pessoa viva que carrega uma cruz e um caldeiro com água benta. Diz a crendice que o líder vivo precisa de passar esse "fardo" a outro para não definhar e morrer, ou então desenhar um círculo no chão para se proteger enquanto a horda passa. Para os vivos, ver ou cruzar-se com esta procissão invisível (sentida apenas através de rajadas de frio, cheiro a cera ou som de passos) era tradicionalmente interpretado como um aviso de morte próxima. Foto e fonte: Wikipedia

O QUE É A CEIA DAS ALMAS?

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  A Ceia das Almas constitui uma prática com raízes ancestrais associada ao culto dos mortos integrada nos rituais do Dia de Todos os Santos, baseando-se na crença de que, nesta noite, as almas dos antepassados visitam as suas antigas casas e famílias. O ritual consiste na obrigação da família, após o jantar, deixar a mesa da sala posta durante toda a noite, com porções de alimentos como pão, castanhas e vinho, aguardando que as almas do Purgatório os venham comer.  A casa é deixada em absoluto silêncio em sinal de respeito, recolhem-se a famílias cedo para não perturbar a passagem e a refeição espiritual dos seus entes queridos. Também a lareira mantém-se acesa ou com brasas a fim de que possam sentir o conforto do seu antigo lar. Por fim, ninguém tocará nos alimentoss porque ficam "babados dos defuntos", da mesma forma que o azeite das candeias que ali alumiam os defuntos jamais alumiará os vivos. Esta tradição funde raízes na mitologia celta  associada ao Samhain , o a...

COURENSES VENERAVAM O DEUS PAGÃO MACARIUS ANTES DE SE CONVERTEREM AO CRISTIANISMO

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Imagem de São Macário Vários foram os historiadores e antropólogos, incluindo estudos baseados nos trabalhos de Leite de Vasconcelos, apontam que Macário  ou Macarius  terá sido originalmente um deus lusitano ou divindade naturalística e protetora, Nos estudos de etnografia e arqueologia pré-romana/lusitana (referidos por historiadores como Leite de Vasconcelos), admite-se que a região da serra pudesse ter albergado cultos antigos dedicados a uma divindade naturalística ou local associada à natureza e à terra, por vezes referida como Macärius. Como era comum no sincretismo religioso da Península Ibérica, a Igreja Católica "cristianizou" antigos montes ou locais de culto pagão/natural atribuindo-lhes um santo com um nome foneticamente semelhante ( Macário ), substituindo o culto antigo pela devoção ao eremita cristão. Com o processo de cristianização do território português, os antigos cultos pagãos pré-romanos e celtas foram absorvidos e adaptados pelo Cristianismo, neste cas...

O MINHO E A “TERRA DAS SERPENTES”?

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Representação medieval de um dragão na   História de São Jorge e o dragão , de Paolo Uccello. Atualmente esta figura é geralmente chamada "Serpe" Conta uma velha lenda que o território que corresponde ao Minho e Galiza foi pelos gregos denominado por Ofiúsa ou Ophiussa e os seus habitantes por Ofis, o que ajuda a explicar o topónimo Ofir, em Esposende, pese embora as suas referrências no Antigo Testamento. O termo Ofiúsa deriva do grego e significa “Terra das Serpentes”, a que não é alheia a lenda da fundação da mítica Ulisseia, fundada por Ulisses, antes da chegada dos lusitanos e dos Sefes. A cidade de Lisboa também designada por Olisipo. Apesar de se tratar de uma lenda, o topónimo foi utilizado pelos antigos geógrafos e historiadores gregos para se referir à costa portuguesa em geral e à região do Minho e Galiza em particular. Acredita-se que este povo adorava serpentes, nome que deriva de Serpes e cuja tradição chega até aos nossos dias através do combate entre São Jorge...

CERVEIRA RECEBE AS VALQUÍRIAS

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BRACARENSES CELEBAM O SOLSTÍCIO DE VERÃO - SÃO JOÃO É DE BRAGA - SÃO JOÃO É DO MINHO - FOTO DE ABEL CUNHA

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Da mesma maneira que todo o muçulmano tem por obrigação peregrinar a Meca ao menos uma vez na vida, também não há minhoto que prescinda de ir divertir-se ao São João de Braga, na certeza porém, de que lá regressará nos anos seguintes. Com efeito, o São João de Braga é uma das maiores festas do Minho. As suas origens perdem-se nos tempos, constituindo um forma cristianizada de ancestrais rituais pagãos praticados por ocasião do solstício de verão que agora ocorre. Desde sempre, o Homem procurou celebrar através do rito a ação criadora dos deuses, constituindo um ritual mágico destinado a perpetuar o gesto primordial da sua criação. Desse modo, ao celebrar a chegada do Verão por altura do solstício, o Homem assegurava que o ciclo da Natureza jamais seria interrompido, dando continuidade à vida num perpétuo ciclo de constante renascimento. E, à semelhança do que sucedia com a generalidade das celebrações pagãs, esta constitui a essência das festividades solsticiais que entretanto foram cr...

SEGUNDO O ESCRITOR ROMANO CÍCERO, CONTA UMA LENDA SEGUNDO A QUAL, QUANDO PITÁGORAS REVELOU O TEOREMA QUE TOMOU O SEU NOME, MANDOU SACRIFICAR CENTENAS DE BOIS - DESDE ENTÃO, SEMPRE QUE UMA NOVA VERDADE ESTÁ PARA NASCER, OS BOIS DA TERRA TREMEM DE MEDO! - VAMOS TODOS A PONTE DE LIMA À CORRIDA DA VACA DAS CORDAS!

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PONTE DE LIMA CORRE VACA DAS CORDAS NO PRÓXIMO DIA 3 DE JUNHO

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  Existe desde tempos remotos na vila de Ponte de Lima o singular costume de, anualmente na véspera do dia de Corpo de Deus, correr uma vaca preta presa e conduzida pelos ministros da função que assim procedem com o auxílio de três longas cordas. Esse divertimento cuja verdadeira origem se desconhece, mas que ainda se mantém e parece ganhar ainda mais popularidade, atraindo à terra numerosos forasteiros, era outrora executada por dois moleiros que a isso eram obrigados sob pena de prisão, conforme determinavam as posturas municipais. Muitos desses moleiros eram oriundos da Freguesia de Rebordões-Santa Maria, localidade que possuía numerosos moinhos e que, com a sua decadência, os moleiros da terra emigraram para o Brasil, fixando-se muitos em Goiás. Ao começo da tarde, uma vaca preta é presa ao gradeamento da igreja Matriz, aí permanecendo exposta à mercê do povo que outrora, num hábito que com o decorrer do tempo se foi perdendo, por entre aguilhoadas e gritaria procurava embrav...

CHEGOU A PRIMAVERA!

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  A Primavera, de Botticelli O Equinócio da Primavera ocorre hoje, dia 20 de março. Este instante marca o início da Primavera no Hemisfério Norte. A partir daqui até ao início do outono, o comprimento do dia passa a ser maior do que a duração da noite, devido ao Sol percorrer um arco mais longo e mais alto no céu todos os dias, atingindo uma altura máxima no início do Solstício de Verão. É exatamente o oposto no Hemisfério Sul, onde o dia 20 de março marca o início do Equinócio de Outono. O Equinócio da Primavera encontra-se intimamente associado a tradições dos povos como a celebração da Páscoa, a Serração da Velha, o Ramadão, a Queima do Judas e muitas outras com origem nas mais diversas culturas, quase sempre originárias de ancestrais rituais pagãos. Na Páscoa, o Cristianismo celebra a morte e ressurreição de Jesus Cristo, o que faz desta festividade porventura a mais importante e de maior significado para os cristãos. Com efeito, é a crença na ressurreição de Jesus Cris...

CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES DO INVERNO

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  Desde sempre o Homem acreditou na possibilidade dos mortos intercederem na ação criadora dos deuses e no próprio ciclo da natureza, contribuindo inclusivamente para o renascimento dos vegetais e das culturas que os demónios e maus espíritos do inverno fizeram desaparecer. Esta crença está na origem de uma infinidade de práticas relacionadas com o culto dos mortos que regra geral se iniciam em Novembro e prolongam-se até à Serração-da-Velha, atravessando as cerimónias solsticiais ou “saturnais” e os festejos carnavalescos. Naturalmente, os ritos variam consoante as celebrações em causa mas conservam entre si uma finalidade comum que é o de assegurar que o ciclo da vida e da morte não se interrompa, possibilitando, por conseguinte, que ao inverno suceda impreterivelmente a primavera. De acordo com as investigações feitas no domínio da arqueologia e da antropologia, acredita-se que as práticas do culto dos mortos tiveram o seu começo na fase de transição da pedra lascada para a pe...

RITOS DO ENTRUDO EXORCIZAM DEMÓNIOS DO INVERNO – CARNAVAL JÁ VEM A CAMINHO!

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  Entrudo e carnaval – dos ancestrais ritos pagãos à observação do período quaresmal O termo Carnaval provém do latim " carpem levare " que significa " adeus carne " ou " retirar a carne " ou ainda estar associado a   curru navalis   que consistia num carro de rodas marítimo que saía para o mar e significava o retorno à pesca com a chegada da Primavera. Trata-se com efeito de um período de licenciosidade em que, por oposição à Quaresma se come carne, constituindo por assim dizer uma época festiva que se destina simultaneamente a ritualizar a despedida do ano velho e, por conseguinte, o   entrudus   ou entrada da Primavera e no período quaresmal que a antecede. Com a chegada do Inverno e a consequente morte dos vegetais e da própria natureza, o homem recorre preferencialmente ao consumo da carne como forma de assegurar meios de sobrevivência. Desde sempre, o porco representou um elemento essencial na economia familiar nos meios rurais uma vez que a sua ...

A FONTE DO ÍDOLO EM BRAGA E O CULTO À DEUSA NÁBIA, A DIVINDADE PAGÃ DO RIO NEIVA

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  Durante o período que antecedeu à ocupação romana, a deusa Nábia era venerada pelos povos autóctones da Hispânia, designação dada pelos romanos à província que atualmente corresponde nomeadamente a Portugal e Espanha. Entre os vestígios desse culto salienta-se a Fonte do Ídolo, em Braga, com as suas inscrições epigráficas, além do nome atribuído a diversos rios como o Navia, na Galiza e o Neiva e o Nabão em Portugal . Com a cristianização, o culto pagão a Nábia veio a ser substituído pela devoção a Santa Iria ou Santa Irene. Conta a lenda que Iria – ou Irene – nascera em   Nabância , uma   villae   romana próxima de   Sellium , a atual cidade de Tomar. Oriunda de uma família abastada, Iria veio a receber educação esmerada num mosteiro de monjas beneditinas, o qual era governado pelo seu tio, o Abade Sélio. Dotada de beleza e inteligência, a jovem Iria atraía as atenções sobretudo dos fidalgos que disputavam entre si as suas atenções. Contava-se entre eles ...