HAVERÁ NO MUNDO MULHER MAIS BELA DO QUE A MINHOTA? - FOTO DE CARLOS VIEIRA
Tal como disse o escritor vianense Cláudio Basto que, “Á luz da
sciência não há, pois, um tipo de mulher minhota, – e não o há cromaticamente,
como o não há nas maneiras, na cultura, nem sequer no vestuário…
Desde a castreja rude, com a sua escura saia de fuloado, o seu
singuidalho, a sua capela na cabeça e as suas chancas de pau atadas aos pés por
correias, até à afifana, branca e bonita, esbelta e flexuosa, perfeitamente
senhoril no seu vistoso traje aldeão e na sua breve chinelinha, há um
sem-número de tipos femininos.
Mas se, em tais condições, não podemos conseguir um tipo,
podemos criá-lo psicologicamente, à custa do interior, do íntimo das mulheres
minhotas: pela sua actividade intensa e tenaz, pela sua resistência a fadigas
sem conto, pela sua alegria tantas vezes ruidosa, – pelo seu trabalho contente,
enfim.
Se o verde é a cor característica da terra minhota, o trabalho –
o trabalho contente – é a qualidade característica da mulher do Minho.
(Vamos supondo que realmente existe um Minho…)
No perfil da minhota, ainda podereis achar típico o seu amor ao
“ouro” – com que se enfeita exuberantemente e onde entesoura os seus capitais,
o seu dote de noiva, as suas economias de esposa e mãe – o seu apego aos
arraiais, onde namora, canta e baila por tempo esquecido; a sua predilecção por
cores vivas, “berrantes”, com que, sobretudo no concelho de Viana, garridamente
se veste – mas o que na Mulher minhota achareis acima de tudo, como
verdadeiramente típico, é o seu amor ao trabalho, que executa satisfeita,
alegre.”

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