O ZOROASTRISMO E A SUA INFLUÊNCIA NO JUDAÍSMO E NO CRISTIANISMO - CRÓNICA DE NUNO MIRANDA
O zoroastrismo
é a religião monoteísta viva mais antiga (apareceu entre 1550 AEC e 1200 AEC,
numa altura em que o judaísmo tinha um caráter muito politeísta) e influenciou
muito o islamismo (em especial o xiita), o judaísmo e o cristianismo.
Dele provém por exemplo o conceito de paraíso (pairidaeza) e
influenciou muito a religião judaica, durante o exílio na Mesopotâmia como por
exemplo a proibição da adoração de imagens sagradas (todo o texto de Isaías na
Bíblia é de raiz zoroastriana),o monoteísmo rigoroso (até então o judaísmo era
confusamente politeísta) e o puritanismo austero (a purificação dos judeus
apregoada por Esdras ter-se-á dado a partir da Pérsia) uma vez que o
zoroastrismo era a religião oficial do império persa, sendo o imperador persa
Ciro II visto como o “Messias de Jeová” ou o “ungido de Jeová”. O paradoxo é
que o título é concedido a um soberano estrangeiro, que não conhece Jeová
(“Embora não me conheças, eu te cinjo”, no Deuteronómio de Isaías).
Adotaram então a crença zoaroastrista da vida após a morte, os
conceitos de céu e inferno e do julgamento final e do apocalipse muito
diferentes do judaísmo de antes da invasão persa. O princípio dualista do
zoroastrismo manifesta-se na doutrina das duas eras, uma era presente (de
impiedade) que se opõe a uma era futura (de justiça). Com a invasão alexandrina
e o helenismo, o judaísmo absorve novos conceitos: o conceito grego da
imortalidade da alma e a ideia da ressurreição corporal do zoroastrismo.
Hoje em dia há duas seitas, geograficamente delimitadas (sem
contar com os zoroastristas na diáspora, que devem ser tantos como o total dos
que existem no Irão e na Índia, um dos quais era o vocalista dos Queen, Freddie
Mercury, um zoroastrista parsi, cujo nome verdadeiro era Farrokh Bulsara. No
Irão há 35.000 zoroastristas – segundo o governo iraniano – ou 60.000 segundo
as autoridades religiosas zoroástricas.
Os zoroastristas iranianos, (cuja cidade sagrada é Yazd, se bem
que haja muitos também em Teerão e Kerman) são mais abertos, aceitam casamentos
com não-zoroastristas e tentam ativamente converter outras pessoas. Os
zoroastristas indianos, concentrados no no Estado do Gujarate, chamados Parsis
(de Persa), são mais fechados, só aceitam casamentos endógenos, porque se
consideram uma raça “pura” e desencorajam o proselitismo e a conversão de
estranhos. Isto é curioso: o ramo que procura conversões está num país onde 99%
da população é muçulmana, na maioria xiitas duodecimanos, religião que não
permite a saída para outra religião; o ramo parsi, que não admite a conversão
de outros, está na Índia, país onde a conversão para outras religiões é livre,
exceto para os muçulmanos. Dá Ahura Mazda nozes a quem não tem dentes…
No Irão, além dos muçulmanos de várias confissões (incluindo os
bahá’is, ramo divergente do xiismo, considerado herético e proibido mas que
mesmo assim tem cerca de 350.000 fiéis), são reconhecidas pelo Estado e
protegidas (com direito a um assento no parlamento cada uma, as religiões
judaica (com 25.000 praticantes, a maior comunidade judaica num país
muçulmanos), cristã (300.000, sendo 200.000 da igreja apostólica arménia, sendo
os restantes protestantes e da igreja assíria; também são considerados cristãos,
e como tal protegidos pela lei, os gnósticos mandeístas que porém não se
reconhecem a si próprios como cristãos e por isso se consideram discriminados
pelo governo – que não liga nenhuma às suas queixas e continua a classifica-los
como cristãos; note-se uma coisa interessante: considera-se que o conceito de
diabo nas igrejas cristãs provém do islamismo iraniano e não do judaísmo) e os
zoroastristas.

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