PORQUE EXIBE A MULHER MINHOTA O OURO DE FORMA TÃO EXUBERANTE? – FOTO DE SÉRGIO MOREIRA & SÍLVIA MOREIRA
É frequente algumas pessoas de diferentes regiões do país, ligadas ao meio
folclórico, questionarem-se acerca da exuberante exibição do ouro em terras
minhotas, lembrando as dificuldades com que o povo outrora vivia.
A atracção das nossas gentes por esse metal tão bonito quanto precioso
remete-se aos confins da nossa História, ao tempo em que as nossas mulheres se
adornavam com torques e braceletes que inspiram a moderna ourivesaria minhota.
Os próprios romanos chegaram a explorar as abundantes jazidas existentes na
nossa região. Contudo, a importância do ouro na tradição minhota possui uma
exlicação bem mais recente!
No meio rural, aliás à semelhança do meio urbano, existiam várias classes
sociais de camponeses (na cidade, de burgueses!) ou seja, havia desde os mais
abastados até àqueles quem praticamente nem propriedade para cultivar possuíam,
sendo por isso forçados a trabalhar ao jornal por conta de outrem.
Na região de Entre-o-Douro e Minho, muitos camponeses foram obrigados a
emigrar para o Brasil para escapar à miséria que então assolava os campos. Não
raras as vezes escapavam clandestinamente escondidos nos porões dos navios que
partiam de Viana do Castelo ou outros portos.
Porém, muitos deles regressaram ricos, construíram os seus solares e casas
apalaçadas, as chamadas as casas dos brasileiros, sobretudo ao longo do litoral
minhoto. Eram os “brasileiros de torna-viagem”.
Do seu bolso ajudaram a construir escolas, beneficiaram igrejas e de um
modo geral contribuíram para o progresso das suas terras de origem. Mas também
não esqueceram as suas afilhadas, oferecendo-lhes geralmente um rico dote em
oiro para que também elas viessem a conseguir um bom casamento... é isso que em
grande medida explica uma exibição mais exuberante do ouro nesta região em
contraste com outras regiões do país!
Em relação à exuberância, tal constitui um traço do carácter minhoto que
define bem a sua personalidade. Longe da monotonia de outras terras, o minhoto
vive desde que nasceu rodeado de uma paisagem alegre e deslumbrante onde a
grandeza das montanhas contrasta com a doçura verdejante das suas veigas. Por
isso, ele é jovial e alegre. E, todos os momentos da vida, incluindo os mais
difíceis, enfrenta-os com um sorriso nos lábios. O trabalho, a religião e a
própria gastronomia são vividos em festa! A sua enorme paixão pelo
fogo-de-artifício e a forma como decora os arcos de romaria são disso um
exemplo… como poderia ser de outro modo o seu gosto pela ourivesaria?

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