CABEÇUDOS E GIGANTONES VÃO A BRAGA ÀS FESTAS DE SÃO JOÃO - 19 E 20 DE JUNHO

Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama – Génesis, capítulo 6
Datam de 1265, os registos mais antigos até ao momento encontrados que nos dão conta da existência entre nós de tal tradição, neste caso referente à sua participação nas festividades do Corpo de Deus ocorridas na cidade de Évora.
Era usual no Minho, os gigantones serem também conhecidos por Amazonas, tratando-se de uma tradição bem portuguesa com forte implantação na nossa região.
“O registo, em território nacional, mais antigo onde é referido um gigante processional tem a haver com a procissão do Corpo de Deus de Évora de 1265, simbolizando, juntamente com a serpente, o demónio e o dragão, os vícios que Cristo Sacramentado tinha vencido. De resto são abundantes as referências, ao longo dos séculos, que registam a sua grande popularidade no nosso país. De notar que, erroneamente no Norte do país, se tem associado a introdução do gigantone em Portugal vindo da Galiza nos fins do séc. XIX, princípios do séc. XX.” “Este costume também era conhecido por Almazonas. As Almajonas (armajonas ou almazonas) são mulheres muito altas das lendas portuguesas. A crença popular é que são almas penadas. As almajonas carregam os filhos às costas.”  – in Wikipédia
Existe na cultura de todos os povos, na sua literatura e no folclore, alusões à existência de gigantes, geralmente personagens de grande estatura, nem sempre encarnando o mal mas a grandeza de forças que não dominamos como a da Natureza.
Temos entre nós a figura do Adamastor referida por Luís de Camões em “Os Lusíadas” e o Mostrengo apresentado por Fernando Pessoa. Quem nunca se maravilhou com o conto João e o Pé de Feijão na literatura inglesa ou O Alfaiate Valente recolhido pelos irmãos Grimm na literatura alemã? A própria Bíblia faz por diversas vezes menção à existência de gigantes, desde logo no livro Génesis que narra a criação do mundo na perspectiva hebraica.
Mas, terão os gigantes alguma vez existido na história da humanidade ou não terão passado de figuras lendárias surgidas na imaginação dos povos e transmitidas através do seu folclore?
Entre nós – particularmente no folclore do Minho – temos nos divertidos Gigantones que animam as nossas romarias o melhor exemplo dos gigantes que povoam o imaginário dos povos.

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