FERNANDO PIRES DE LIMA FOI UM DOS ORGANIZADORES DO I CONGRESSO DE ETNOGRAFIA E FOLCLORE REALIZADO EM 1956 NA CIDADE DE BRAGA
Fernando de Castro Pires de Lima nasceu a 10 de Junho de 1908,
no Porto, e morreu a 3 de Janeiro de 1973.
Formou-se em Medicina pela Universidade do Porto, assumindo anos
mais tarde a Direcção da Enfermaria do Hospital Geral de Santo António, e as
funções de Médico-Escolar e Professor de Higiene no Conservatório de Música do
Porto. Foi também Presidente da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras
do Porto e da Academia de Ciências da mesma cidade.
Para além da sua actividade clínica e de ensino, destacou-se no
domínio da Etnografia Portuguesa do século XX, pela importância que atribuiu
aos estudos relativos à cultura popular e tradicional no Norte de Portugal,
nomeadamente do Minho e do Douro Litoral.
No âmbito da sua actividade etnográfica foi Presidente do
Instituto de Etnografia e Director do Museu de Etnografia e História do Douro
Litoral (1960). Destacou-se pela edição da Revista
de Etnografia da Junta Distrital do Porto, editada de 1963 a 1972,
uma das mais prestigiosas publicações científicas de Etnografia à época em
Portugal, que contou com contributos de consagrados especialistas nacionais e
internacionais. Foi responsável pela organização de Congressos de Etnografia,
entre os quais se destacam, o I Congresso Nacional de Etnografia e Folclore
(1956, Braga), Colóquio Internacional de Estudos Etnográficos Dr. José Leite de
Vasconcelos (1858, Porto), Colóquio Internacional de Etnografia (1963, Santo
Tirso) e o Colóquio Internacional de Estudos Etnográficos Rocha Peixoto (1966,
Póvoa do Varzim).
Tendo efectuado um trabalho de pesquisa e estudo bastante
extenso e variado, conciliou as suas áreas de conhecimento, privilegiando o
estudo da medicina popular. Neste campo de investigação foi autor das obras Medicina Popular Minhota (em
colaboração com Alexandre Lima Carneiro) e A
Medicina Popular em S. Simão de Novais, em 1931. Desenvolveu
funções como director das publicações Biblioteca
Popular, A Virgem
em Portugal e do Arquivo
de Medicina Popular (edição do Jornal
Médico, no Porto, compilado em dois volumes orientados por Pires de
Lima e Mendes Correia, em 1944 e 45).
A produção etnográfica de F. C. Pires de Lima considerou
igualmente outros domínios de investigação como a hagiografia popular, as
tradições e expressões orais, reproduzindo nas suas obras o registo das formas
de narrativa popular que recolheu, tais como, o romanceiro, cancioneiro, contos
e lendas. Foi autor de Tradições
populares de Entre-Douro-e-Minho (1938), em colaboração com
Joaquim Pires de Lima; O Vinho
Verde nas cantigas populares (1939), com colaboração de D.
Maria Clementina Pires de Lima; S. João
na alma do povo (1944). Publicou o Cancioneiro
de São Novais, na revista Guimarães (1922
a 1929), compilando cerca de mil quadras populares que foram posteriormente
publicadas, em 1942, na sua obra Cantares
do Minho (2 vols.), incluindo também o Cancioneiro de Celorico de Basto (anteriormente
publicado em 1935, na revista Trabalhos
de Antropologia e Etnologia) e o Adagiário
Português (1963).
Os seus interesses no âmbito da Etnografia alargaram-se a outros
territórios de investigação, designadamente às ex-colónias portuguesas,
consagrando a estes territórios diversos artigos no Boletim
Geral das Colónias. Das suas obras mais representativas, destaca-se
o estudo sobre A Arte Popular em Portugal: ilhas adjacentes e
ultramar, publicado em 3 volumes, de 1968 a 1975, publicada com o
Alto Patrocínio da Junta de Investigação do Ultramar e da Agência Geral do
Ultramar.
Fonte: DGPC

Comentários
Enviar um comentário