HOJE É DIA DE SANTO AMARO – O PADROEIRO DOS GALEGOS EM PORTUGAL!
É bastante antiga a devoção dos galegos radicados em Portugal a Santo Amaro. Reza a história que, em 1549, numa colina outrora sobranceira ao rio Tejo, ergueram os galegos uma pequena ermida em cumprimento de uma promessa feita por frades da Ordem de Cristo que, numa viagem de regresso de Roma, a nau em que vinham foi acometida de temporal no mar e, perante o receio de naufrágio à entrada da barra, prometeram construir uma capela no local onde aportassem sãos e salvos.
A esta invocação certamente não foi alheio o sucesso do frade
beneditino, nascido em Roma no século VI, segundo o qual certa vez, obedecendo
às ordens de São Bento que teve a visão de que São Plácido corria o risco de
afogamento no açude de Subiaco, conseguiu salvar o irmão religioso caminhando
sobre as águas sem se afogar, agarrando-o pelos cabelos e puxando-o para a
margem.
A devoção dos galegos a Santo Amaro, cuja festa litúrgica se
celebra a 15 de janeiro, deu origem à Capela de Santo Amaro, situada no cimo de
uma colina no sítio de Alcântara, tornando-se local de festas e romaria, onde
se cantava e dançava a noite inteira xotas e muiñeiras, ao som de
gaita-de-foles, castanholas e pandeiretas, à boa maneira das festas
tradicionais da Galiza.
Conta-nos o historiador olisiponense Augusto Vieira da Silva que
“Nela se faziam antigamente grandes festas ao
seu patrono, que começavam em 15 de Janeiro e se prolongavam ordinariamente até
2 de Fevereiro. No seu adro organizavam os galegos das companhias de aguadeiros
de Lisboa, um arraial e danças ao som de gaitas de foles, e nele apareciam,
além dos vendedores dos artigos que era uso negociarem-se em todas as festanças
populares portuguesas, mulheres vendendo rosários de pinhões de Leiria”.
Na sequência do ambiente religioso que se seguiu à implantação
do regime republicano em Portugal deixou esta feira de se realizar em 1911.
Seguiu-se um longo período de abandono no qual a capela chegou a ser saqueada e
a ser utilizada como carvoaria. Em 1927, foi entregue à Irmandade do Santíssimo
Sacramento, e no ano seguinte o espaço foi reabilitado para o culto.
A Capela de Santo Amaro encontra-se atualmente aberta ao culto
no primeiro domingo de cada mês, às 10 horas, para a celebração da Eucaristia
dominical.
Situada ao cimo da calçada de Santo Amaro, trata-se de um templo
de estilo Renascentista, de planta centralizada em redor de um átrio
semicircular, construído segundo o projeto de Diogo de Torralva, considerado um
dos melhores arquitetos do século XVI. O edifício encontra-se desde 16 de julho
de 1910 classificado como Monumento Nacional.
São notáveis os painéis de azulejos
polícromos tardo-maneiristas alusivos a Santo Amaro que revestem as paredes do
átrio, as pinturas a óleo que revestem o teto da sacristia, os três magníficos
portões de ferro forjado do século XVII e o conjunto formado pelo adro e o
escadório que, na parte superior, sugere a proa de um barco virado ao Tejo.
Em meados do século passado, os galegos passaram a realizar
conjuntamente com os minhotos uma pequena festa em honra de São Tiago, em torno
de uma pequena capelinha situada no Alto da Boa Viagem, junto ao farol do
Esteiro, na localidade de Caxias. Mas, lamentavelmente, essa fraternidade foi
sol de pouca dura. E também Santo Amaro deixou de reunir junto á sua ermida os
seus devotos galegos!











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