MADEIRENSES SÃO ORIGINÁRIOS DO MINHO
O povoamento
do arquipélago da Madeira a partir da sua descoberta em 1419 foi realizada
sobretudo por gente oriunda do Minho. E, entre os seus traços característicos,
ainda podemos anotar tradições como a carne de vinha-d'alhos que constitui um
dos expoentes da sua gastronomia que está sempre presente na época natalícia.
E, quem sabe, a coreografia do tradicional bailinho filiar-se em danças tradicionais da
região de Guimarães…
“É «comum atribuir-se a proveniência algarvia aos primeiros e
principais povoadores que desencadearam a ocupação da ilha», segundo, Luís de
Albuquerque e Alberto Vieira, na sua obra, “O
Arquipélago da Madeira no Século XV”. Segundo estes, «essa ideia
filia-se na tradição, que corre no Algarve, da participação das suas gentes na
gesta expansionista, e na expressão de Jerónimo Dias Leite, ‘muitos do
Algarve’». Ainda mais referem que, lhes parece apressada esta concepção, «uma
vez que faltam provas que a corroborem», e que numa «listagem dos primeiros
povoadores referidos nos documentos e crónicas a presença nortenha é muito
superior à algarvia (64% para 25%); por outro lado os registos paroquiais da
freguesia da Sé, no período de 1539 a 1600, corroboram esta conclusão, uma vez
que os nubentes oriundos de Braga, Viana e Porto representam metade do total;
enquanto os provenientes de Faro não ultrapassam os 3%». Partindo da análise
destes dados retirados destes mesmos registos (1539 e 1600), «chega-se à
conclusão que metade da população não nascida na Madeira era originária do
Norte do País», e que a «situação do século anterior» (século XIV) «não deve
ter sido por certo diferente».
Assim, Luis de Sousa Melo, antigo Director do Arquivo Regional
da Madeira, igualmente é da mesma opinião. Numa «tentativa de aproximação com
base nos registos de casamento da paróquia da Sé», nas mesmas datas (1539 a
1600), foi-lhe «possível averiguar» que, para este período, «foi da província
do Minho, com os distritos de Braga e Viana do Castelo, que a maioria dos
recém-chegados era natural: 54,4% - muito longe dos 13,2% dos do Douro Litoral,
mais ainda dos 8,3% da Estremadura, a que se seguiram os naturais das Beiras
com 5%, os de Trás-os-Montes e Alto-Douro com 4,5%, depois os do Algarve com
3,7%, os do Alentejo com 2,5%, e por fim os do Ribatejo com 1,2%. (Fonte, “Presença Açoriana nos Registos Paroquiais do
Funchal 1761 - 1860”).
Na realidade, o Norte de Portugal, nos séculos XIV e XV era a
região do país com maior densidade populacional por um lado e por outro, esta
região sempre teve uma «permanente vinculação à economia madeirense». No
«reinado de D. João II» (1481 a 1495), escreve Eduardo C. N. Pereira nas Ilhas de Zargo, «os mercadores de
Guimarães navegavam entre os arquipélagos dos Açores, Madeira, Continente e
Flandres com naus do Porto, Vila do Conde, Viana, Azurara e Aveiro, negociando
açúcares, pimenta... panos de baetilha, chapéus, linhos, etc. Guimarães era sede
de um vasto termo e extensíssima comarca de 30 concelhos e chave do comércio
com os concelhos interiores de Entre-o-Douro e Minho e Trás-os-Montes».”
Texto e foto: http://madeira-gentes-lugares.blogspot.com/
Carne de Vinha-d'Alhos à moda da Madeira. (Foto: https://www.receitasemenus.net/)
O vindalho é confeccionado com carne de porco cortada aos cubos
e temperada com sal e vinagre. Depois de frito, é feiro um refogado de cebola
com malagueta moída, alhos, coentros, cominhos, açafrão-da-terra, tamarindo e
vinagre. Depois de bem misturados estes ingredientes e bem fritos, adicionam
açúcar, a carne, a marinada e água de tamarindo. É apurado num tacho fechado a
fim de que o molho fique suficientemente expesso. É geralmente servido com
arroz.
Esta especialidade espalhou-se para outras regiões da Índia e
Paquistão onde é denominado por vindaloo.
Porém, em virtude da proibição religiosa do consumo de carne de porco, esta foi
substituída por carne de frango, borrego e até peixe. Em virtude da emigração
indiana para o Reino Unido, também aqui o vindalho adquiriu bastante
popularidade e tornou-se muito apreciado.
Também na Madeira, em virtude do povoamento do território pelos
minhotos, a carne de vinha-d’alhos tornou-se um prato típico da quadra
natalícia, o qual está naturalmente relacionado com a matança do porco. Aqui é
feita com carne de porco que, após ser temperada com vinagre, vinho branco,
alho, louro, segurelha, sal e pimenta, é deixada a marinar pelo menos durante
dois dias. Depois é cozida na própria marinada e guardada. Na altura de comer,
é frita com banha de porco e servida com pão frito na mesma gordura da
cozedura.
A culinária minhota é apreciada nos mais diversos recantos do
mundo e adaptada ao gosto dos diferentes povos.



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