O MINHO NOS EX-LÍBRIS
Ex-líbris em zincogravura, desenhado por Manuel Couto Viana, em 1955, com a legenda: “Nasci à beira do rio Lima, rio saudoso todo cristal”
Os ex-líbris constituem marcas de posse que os bibliófilos utilizam para assinalar os seus livros, geralmente formados por pequenas vinhetas coladas no verso da capa ou nas folhas de guarda. Trata-se de uma expressão de origem latina que designa a divisa ou o sinal que utilizam. No dizer do publicista Fausto Moreira Rato, trata-se do “símbolo pessoal, estampado ou impresso, geralmente em papel – de desenho heráldico, alegórico, simbólico, ornamental ou falante, onde figura também o nome e, facultativamente, a divisa do bibliófilo – que se cola no verso da capa de cada livro possuído para garantir a pertença da obra e favorecê-la com este derradeiro requinte de arte”.
Entre nós, o uso dos ex-líbris remonta
ao século XVI, pertencendo a Wolfgang Holzschuher, alemão que viveu em Portugal
e foi nobilitado por D. Manuel I, o mais antigo ex-líbris até ao momento
conhecido em Portugal.
Os ex-líbris podem
ser produzidos através das mais variadas técnicas, desde a xilogravura e a
zincogravura à serigrafia e à moderna fotocópia, sendo alguns exemplares
considerados são verdadeiras obras de arte às quais, não raras as vezes, estão
associados consagrados artistas.
Para além do interesse que os mesmos suscitam entre os
coleccionadores, os ex-líbris constituem
um importante documento de carácter iconográfico que contribui nomeadamente
para identificar a origem da propriedade dos livros, a natureza das bibliotecas
e a sua associação com a vida e os valores que os norteiam ou ao meio a que se
encontram ligados.
Inúmeros são os ex-líbris de
bibliófilos minhotos, muitos deles consagrados escritores, os quais são
bastante procurados por todos quantos se interessam pela bibliografia minhota.
Manuel
dos Passos Couto Viana era pai do conceituado poeta e escritor vianense António
Manuel Couto Viana. Nasceu em Viana do Castelo, a 13 de Março de 1892. Artista
identificado com o modernismo, Diogo de Macedo, na revista “Aventura”, nomeia-o
entre os primeiros modernistas referindo que “iam espalhando pelo país além o
gosto novo, por vezes nefelibata, em páginas de revistas, em capas de livros,
em cartazes, em cenários de teatro, em inovações de indústrias nacionais, em
exposições, etc., educando o povo das cidades e agradando ao das aldeias, ao
ponto de não ser considerado como obra civilizada qualquer realização de arte
onde alguns desses nomes não colaborassem”.
Manuel Couto Viana foi editor e redactor principal do jornal
“Notícias de Viana” e do “Arquivo de Viana do Castelo”, tendo sido um dos
primeiros escritores a publicar no “Anuário do Distrito de Viana do Castelo”.
Foi um notável ilustrador, tendo publicado inúmeros dos seus desenhos nomeadamente no “Mensário das Casas do Povo” e na “Alma Nova”.

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