O QUE FOI A BRIGADA DO MINHO NA FLANDRES DURANTE A PRIMEIRA GRANDE GUERRA?
A Brigada do Minho – denominação pela qual ficou
conhecida e célebre a 4ª Brigada de Infantaria – integrou a 2ª Divisão do Corpo
Expedicionário Português, teve como missão, desde 7 de fevereiro de 1918,
guarnecer o sector de Fauquissart, na região de Pas-de-Calais, no norte de
França.
As suas forças cooperavam taticamente com o 6º Grupo de Baterias
de Artilharia, o 4º Grupo de Metralhadoras Pesadas e as 4ªs baterias de
morteiros médios e morteiros pesados.
A bandeira da Brigada do Minho foi executada e
oferecida pelas famílias dos oficiais da Brigada.
Como refere em carta reproduzida neste relatório o
Tenente-Coronel João Diogo Guerreiro Telo, “Unificou o seu Quartel General,
identificou-o de tal forma com o seu modo de ser, que êle constituiu até ao 9
de Abril um comando verdadeiramente modelar; conseguiu reunir na sua Brigada, e
sabe Deus à custa de quantos esforços e de quanta perseverança, os quatro
batalhões oriundos do Minho indo assim buscar ao espírito regionalista o
primeiro élo da cadeia que tão fortemente os havia de futuro ligar, fazendo dêles
um blóco homogénio onde se fundiam todos os esforços qualquer que fôsse a sua
região d’origem.
Dados êstes primeiros passos, a fria e inexpressiva
designação de 4ª B.I. dava lugar à de “Brigada do Minho” – E este já tinha
história, já tinha tradições; tinha a história e as tradições heroicas da sua
tão querida província natal, eram os descendentes dos Minhotos de Caminha e da
linha do Ave, eram os mantenedores dos loiros dos minhotos de matacães da Guerra Peninsular – e êsses Minhotos
quiseram e fôram dignos das suas tradições, bateram-se com denodo pela Bandeira
que o seu Minho, num gesto galante, lhes enviava para os nortear no campo de
batalha.”
Quis a História que a capitulação da Rússia ocorrida
na sequência da revolução ocorrida no final de 1917 levasse ao fim da frente
oriental, o que possibilitou à deslocação massiva para a frente ocidental de
todas as forças e meios limitares que ali tinham concentradas. E, como
resultado, a tragédia da Batalha de La Lys, porventura a maior derrota militar
portuguesa desde a Batalha de Alcácer-Quibir.
Carlos Gomes / Fotos: livro propriedade do autor


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