O QUE REPRESENTA A FAMOSA GÁRGULA DA IGREJA MATRIZ DE CAMINHA?
Situada defronte do
município galego da A Guarda, da província de Pontevedra, Caminha detém junto à
foz dos rios Minho e Coura onde, de uma área amuralhada, ergue-se a Igreja
Matriz cuja construção foi iniciada em 1488, ainda ao tempo de D. João II,
tendo as obras sido realizadas por Pêro Galego e João Tolosa, mestre pedreiros
provenientes da Galiza e da Biscaia. Apesar disso, nela também participaram
artistas portugueses que terão sido os autores de uma curiosa gárgula
antropomórfica que, na fachada do lado nascente da Igreja, exibe as nádegas
voltadas para norte ou seja, para as bandas da Galiza.
Muito usuais na arquitetura gótica, as gárgulas servem para
escoar a água dos telhados, funcionando como uma espécie de gargalo, daí
derivando o seu nome. Adquirindo uma função ornamental e também protetora na
medida em que as representações de monstros e outras figuras assombrosas
serviam como guardiães das catedrais e dos templos religiosos, existem gárgulas
que representam as imagens mais variadas, desde animais e monges até figuras
cómicas.
No que respeita à famosa gárgula da Igreja Matriz de Caminha, à
semelhança aliás de outras existentes noutras localidades fronteiriças,
insere-se muito provavelmente no contexto da guerra da Restauração e
representa, de forma vernácula, a recusa portuguesa da dominação filipina.


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