O QUE TÊM EM COMUM VIANA DO CASTELO E VIANA DO ALENTEJO?
A semelhança das designações toponímicas de Viana do Castelo e Viana do Alentejo sugere que existirá algo de comum entre estas duas localidades portuguesas, quanto mais não seja a razão de ser da sua própria denominação. O mesmo se deve verificar em relação a Viana da Grade, S. Pedro de Viana, Santa Cruz de Viana e Viana do Bolo, na Galiza.
O brasão de Viana do Alentejo exibe elementos heráldicos que fazem
parte das armas dos Marqueses de Viana
Existe uma certa controvérsia relativamente à origem etimológica
do topónimo Viana, havendo quem assegure a sua origem do antigo idioma ibérico
com o significado de “monte”
ou quem avente outras hipóteses, cada qual a menos credível, desde a alusão à
próximidade de vias romanas à sua relação com a provável existência de villae romanas. Em todos os
casos conhecidos, a palavra integra topónimos compostos como sucede com Viana
do Castelo, outrora designada por Viana da
Foz do Lima, e Viana do Alentejo, antes Viana a
par de Alvito.
Armas dos Condes de Viana do Alentejo e dos Condes de Viana da Foz
do Lima
Para além da afinidade toponímica, a Viana do Castelo e Viana do
Alentejo une-as uma família nobre que atravessa quase toda a nossa existência
histórica desde os começos da nacionalidade – a dos condes e marqueses de
Viana!
Quanto aos Condes de Viana, trata-se, na realidade, de dois
títulos nobiliárquicos diferentes. Em 1 de junho de 1371, o rei D. Fernando
atribui a D. Álvaro Pires de Casto o título de Conde de Viana da Foz do Lima.
Era irmão de Inês de Castro e foi ainda Conde de Arraiolos e Condestável de
Portugal. Tendo por morte de D. Álvaro vagado o condado e este regressado à
Coroa, o rei D. Duarte outorgou-o em 6 de julho de 1446 a D. Duarte de Meneses
que também foi 3º Conde de Viana do Alentejo, tendo-lhe sucedido o filho, D.
Henrique de Meneses que foi 4º Conde de Viana do Alentejo.
Armas dos Marqueses de Viana
Por seu turno, o título de Conde de Viana do Alentejo foi, pelo
mesmo rei, em 19 de março de 1373, atribuído a D. João Afonso Telo de Meneses,
primo da rainha D. Leonor Teles de Meneses, tendo-lhe sucedido sucessivamente
D. Pedro de Meneses e D. Duarte de Meneses e D. Henrique de Meneses a quem já
antes nos referimos.
Nos século XVII e XIX vieram a ser criados dois títulos
nobiliárquicos novos, o de Conde de Viana e o de Marquês de Viana, sem alusão a
qualquer localidade em concreto.
D. João Manoel de Menezes, 1º marquês de Viana
O título de Conde de Viana foi criado por D. Pedro II em 8 de
fevereiro de 1692, tendo sido atribuído a D. José de Menezes, neto do 2º Conde
de Cantanhede, o qual faleceu sem deixar geração. Sucedeu-lhe no título D. João
Manuel de Menezes, o qual também veio a receber o título de Marquês de Viana,
criado em 3 de julho de 1821 por D. João VI. A partir de então, ambos os
títulos permaneceram sempre na mesma família.
Pertenceu aos marqueses de Viana o magnífico edifício situado no
Largo do Rato, em Lisboa, onde atualmente se encontra instalada a Sede Nacional
do Partido Socialista. Trata-se do Palácio do Marquês da Praia, construído onde
outrora existiu a famosa Fábrica de Loiça do Rato e assim designado por ter
pertencido a esta família até à década de setenta do século passado.
No Museu de S. João de Alporão, em Santarém, guardam-se as
relíquias de D. Duarte de Meneses, Conde de Viana.
Nos finais do século XIX, estava então em moda a realização de
festas nos salões aristocráticos. No seu palácio, organizaram os marqueses de
Viana grandiosas festas por onde desfilava a nata da nossa aristocracia,
deslumbrando a sociedade da época, tendo em 1855 realizado um baile de máscaras
que contou com a presença dos príncipes D. Pedro e D. Luís que, anos mais
tarde, viriam a ser reis de Portugal.
A imagem mostra o palácio que foi dos Marqueses de Viana, no Largo
do Rato, em Lisboa, em meados do século passado.
A propósito do fausto que então rodeou os marqueses de Ponte de
Lima, conta-se o seguinte: “Por
alturas de 1840, os saraus dos Marqueses de Viana prendiam as atenções de
Lisboa inteira. Esbanjava-se dinheiro a rodos. Os salões estavam forrados com
seda natural, amarela, os móveis, com incrustações de tartaruga, suportavam os
mais preciosos objectos, de entre os quais se destacavam trinta jóias em ouro
lavrado que tinham pertencido a D. Mariana de Áustria.
O lustre tinha 140 velas.
A sala de jantar, dividida por
colunas, era forrada a mármore. A baixela da casa fora oferecida pela
imperatriz Catarina da Rússia.
Meia dúzia de anos decorreram,
entre festas, concertos e saraus. Dizia-se que a despensa do palácio nunca se
esgotava.
Certo dia, um grupo de fidalgotes
decidiu ver se o que se dizia era verdade.
Começaram a fazer exigências
sucessivas. Quando a comida chegava, lançavam-na pelas janelas. Cá fora, no
largo, criadas, plebe e boleeiros lançavam-se sobre as iguarias. Ali estavam os
cocheiros que faziam história em Lisboa – o “Timpanas”, o “Mulato”, o
“Caldeirão”, o “Preto”, o “Malaquias”.
A despensa jamais se esgotou.
Esgotou-se, isso sim, a fortuna
dos Vianas. Ela, acabou os seus dias como vendedora ambulante, no Mercado de
Pedrouços.
É a vida.” *
* “Santa Isabel. Ao correr da pena…”. Lisboa. Outubro de 1985.







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