PAREDES DE COURA: CELEIRO DO MINHO – POR FRANCISCO SAMPAIO

 


Justamente considerado “o celeiro do Minho”, Paredes de Coura volta-se agora, também, para o Turismo. Rodeada de pequenos santuários, igrejas familiares entre os socalcos de courelas e casas rústicas, farta de água e milheirais, rica de tradições, folclore, artesanato, usos e costumes ancestrais, a Terra de Coura é, igualmente, farta na “arte” de bem comer. É o cabrito assado dos montes de Padornelo; as trutas das Penices, o bacalhau à Miquelina, a perdiz e o coelho bravo dos montados do Corno de Bico; são as papas gordas, feitas de farinha milha que se cozinhavam com o bacalhau, sangue ou miúdos de porco – as célebres papas de sarrabulho. As papas doces, feitas, também, de farinha fina ou de milhos, com leite e açúcar e lançadas depois em açafates forrados por alvos guardanapos. O bolo de cinza envolvido em folhas, geralmente, de couve galega era cozido sobre a cinza quente do borralho! O bolo do lar que era cozido sobre uma pedra lisa existente à frente da casa aquecida previamente com o fogo da lareira e, sobre o qual, depois de varrida se colocava o bolo de massa, espalmado, rodeando-o em seguida do brasido, as filhoses, os formigos, as famosas “padecas” de cor morena; as águas de Grichões leves e puríssimas, e aquele vinho branco bem apaladado da “Marnota”.

Fonte: Francisco Sampaio in “Alto Minho – Região de Turismo”. Casa do Concelho de Ponte de Lima, Lisboa, 1997.

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