PAREDES DE COURA E A “CASA GRANDE DE ROMARIGÃES” ATRAVÉS DA PENA DE AQUILINO RIBEIRO

 


Aquilino Ribeiro era beirão de nascimento, mas ficou ligado ao concelho de Paredes de Coura. Casou com uma filha do Dr. Bernardino Machado e, entre os seus escritos, legou-nos o seu romance “A Casa Grande de Romarigães”.

“Paredes de Coura: São 7,45 e uma leve bruma leitosa, quase velo de lã muito carmeada, flutua sobre o cume dos montes. Mas essa gaze vadia, a esfiapar-se pouco a pouco, deixa a descoberto toda a modelação dos vales, e os rossios a florir, banhados pelo sol, faíscam e toucam-se, segundo o reflexo das folhas luzidias, dos mais variados cambiantes. Este Alto Minho tem a frescura das pradarias dentre Ave e Cávado, e a majestade da Beira. A serra de Arga parece postada lá adiante a barrar-nos o caminho com as suas escarpas de bronze.

Em chapadas e valeiros procede-se às vessadas da Primavera. Decerto que é este um dos trabalhos mais pitorescos da vida agrícola regional, pela sua envergadura e movimento. Um Sorolha ficaria de boca aberta, deliciado a ver como se desdobra semelhante faina. Ao contrário das Beiras, onde cada lavrador se encontra sozinho no amanho do chã, o minhoto concerta-se com parentes e próximos. Por vezes são cinco, seis juntas a lavrar o mesmo campo. E para gleba além dos dois carros de alqueires, tal concurso não é de mais. Imagine-se o complexo que há na operação de virar a leiva, desterroar, limpar da grama, espalhar os estrumes, dirigir o gado, semear, cobrir!

A mulher, que é no Minho a grande obreira, também aqui tem um lugar de relevo. É ela quem mais se vê. Os espanejamentos claros das suas vestes alegram a arada. O seu lenço vermelho ou versicolor acena de longe e decerto quer dizer: não me acham graça? Que melhor desmentido ao anexim: O arado barbudo e o lavrador barbado?!”

Aquilino Ribeiro, Arcas Encoiradas

 


‘Aquilino, a casa e o sopro de deus’

Também à tarde, mas este sábado, pelas 15h00, as Conversas da Casa Grande apresentam a pré-estreia do documentário ‘Aquilino, a casa e o sopro de deus’, dirigido por João Pedro Marnoto e ilustrado musicalmente pelos Space Ensemble, com voz de Marlene Castro.

A Casa Grande de Romarigães, emblemático espaço senhorial que deu origem à obra com o mesmo nome do escritor Aquilino Ribeiro, e considerada uma das maiores obras da literatura portuguesa, após sofrer obras de restauro e recuperação foi inaugurada formalmente dando espaço a uma casa-museu. A convite do Município de Paredes de Coura, a MediaUtopia foi convidada a produzir um documentário que abordasse o processo, como a obra em si, o autor e o território.

 

Bernardino Machado e Aquilino Ribeiro, duas personalidades que ficaram ligadas a Paredes de Coura





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