QUEM É O PROF. DOUTOR DANIEL CAFÉ, PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DO FOLCLORE PORTUGUÊS?

 


Daniel Calado Café de seu nome completo, nasceu no lugar de Gouxaria, freguesia de Alcanena, em 1966. Possui como habilitações académicas o Curso de Música do Pietro Diero Music Conservatory (Canadá); a Licenciatura em línguas e literaturas modernas (Universidade de Lisboa); a Pós-graduação em ciências da educação (Universidade Aberta); o Mestrado em Museologia (Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – ULHT) e o Doutoramento em museologia social (ULHT).

É Director Fundador de algumas associações culturais tanto ao nível local, regional como nacional dos quais se destacam o Grupo Etnográfico de Gouxaria; Elos Clube de Alcanena; Homo Taganus – Associação de Estudo e Defesa da Etnografia e do Folclore do Ribatejo (possuindo também o cargo de Conselheiro Técnico da Região do Ribatejo) e a Academia de Letras e Artes da Lusofonia. Foi membro do Conselho Consultivo para a Cultura e Desporto do Município de Alcanena, tendo assumido a sua coordenação desde 2002.

Com poucos meses de idade emigrou com sua família para Winnipeg, Manitoba (Canadá) onde, aos 12 anos, teve o primeiro contacto com o folclore português integrando o Portuguese Folk Dancers da Associação Portuguesa de Manitoba.Em 1982, assumiu a responsabilidade de ensaiador do grupo infantil daquela instituição.

Ao regressar a Portugal em 1984, trazendo experiência e participação no campo do folclore português, fundou o Rancho Folclórico de Gouxaria com outros membros da comunidade sendo o sócio número um daquela instituição. Em 1986, fruto a um profundo trabalho de pesquisa e recriação histórica e cultural, o Ranho Folclórico de Gouxaria tornou-se sócio efetivo da Federação do Folclore Português apenas um ano e meio após a sua fundação.

Em 2009, assumiu funções de conselheiro técnico da região do Ribatejo da Federação do Folclore Português.

Em 2012, integrou a direção da FFP tornando-se membro do Conselho Técnico Nacional e Diretor da Zona Centro.

Em 2017 assumiu as funções de Presidente da Direção da Federação do Folclore Português. Enquanto diretor desta instituição, coordenou e foi responsável pela candidatura da FFP para a instauração do Dia Nacional do Folclore Português (comemorado no último domingo de cada mês de maio). Tem vindo a estabelecer diversos contactos e protocolos com outras instituições nacionais (académicas, empresariais, associativas), procurando aumentar a visibilidade institucional da FFP e simultaneamente criar melhores condições para os grupos de folclore desenvolverem a sua atividade cultural.

Foi, ainda, responsável pela organização de diversos congressos, colóquios, debates, mesas redondas e formações de âmbito local, regional e nacional tendo, ainda, participado enquanto orador em diversos projetos de formação.

Em 2015, foi corresponsável pelo lançamento da primeira e única Pós-graduação em Património Cultural Tradicional e Popular Português em Portugal, na qual a Federação do Folclore Português e o Instituto Piaget são parceiros.

Entre outros cargos que exerceu, foi Vereador em regime de permanência da câmara municipal de Alcanena com os pelouros da educação, cultura, património, comunicação, juventude, turismo e informação; Vice-presidente do conselho executivo da Escola Dr. Anastácio Gonçalves; Vice-presidente e membro fundador da Academia de Letras e Artes Lusófonas (ACLAL); Vice-presidente Continental para a Europa do Elos Clube Internacional; Coordenador do Conselho Consultivo para a Cultura a e Desporto do Concelho de Alcanena; Presidente do Elos Clube de Alcanena; Coordenador regional do Médio Tejo dos Centros de Qualificação e Educação Profissional (CQEP).

Atualmente, para além da docência, desempenha as funções de Presidente da Federação do Folclore Português; Membro do Conselho Nacional do Associativismo Popular (sendo membro fundador); Presidente do Conselho Técnico Nacional da Federação do Folclore Português; Docente convidado/colaborador da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT) no âmbito dos cursos de mestrado e doutoramento da Faculdade de Ciências Sociais, Educação e Administração; Docente adjunto convidado do Departamento de Ciências da Educação e Património do Instituo Piaget e cocoordenador do curso de Pós-graduação em Património Cultural Tradicional e Popular Português; Presidente da direção e membro fundador do Rancho Folclórico de Gouxaria (Alcanena); Vice-presidente da direção e membro fundador da Homo Taganus – Associação de Estudo e Defesa da Etnografia e Folclore do Ribatejo; Vice-presidente do conselho de administração e membro fundador da Fundação Joaquim Silva Fernandes e Presidente do Grupo Coral de Gouxaria (Alcanena).

Publicou, entre outros, “A Igreja de Gouxaria e a Religiosidade Popular Local” (1986); “Magia e Superstições Populares de Alcanena” (1987); “Gouxaria: danças, cantigas e o povo” (1988); “O Romanceiro Alcanenense” (1994). Foi ainda autor da simbologia heráldica das freguesias de Alcanena, Moitas Venda, Malhou, Espinheiro, Minde, Vila Moreira e Monsanto (do Concelho de Alcanena – 2004). Publicou “Contributos para o Estudo do Traje Tradicional e Popular do Concelho de Alcanena” (2005); “Alcanena: um território de transição (re)criador de identidades” (2007); “A Canção da Minha Vila” (livro de literatura infantil sobre património cultural do concelho de Alcanena – 2008); “Afonso e os Mistérios da Serra” (livro de literatura infantil sobre património cultural do concelho de Alcanena – 2009). Recentemente, na sequência da conferência que realizou em Loures a convite do Grupo Folclórico Verde Minho subordinado ao tema “Quarenta anos de FFP: O passado, o presente e o futuro do movimento folclórico nacional”, foi esta palestra editada em livro pelo referido grupo folclórico.

O Prof. Doutor Daniel Café foi ainda autor e responsável por inúmeras exposições das quais enumeramos as seguintes:

- “Trajes tradicionais da Gouxaria” (Gouxaria – 1987);

- “O Curtume e as gentes de Gouxaria” (Gouxaria – 1991);

- “Património cultural gouxariense” (Porto de Mós – 1994);

- “Cem lenços com cem anos no centenário do concelho” (Alcanena – 2015);

- “Xailes, capas e outros agasalhos alcanenenses” (Alcanena – 2016);

- “Jeitos e preceitos do trajar alcanenense” (Alcanena – 2017).

Sem pretender desconsiderar outras personalidades, quem com tão invejável currículo e formação poderia ser mais indicado para exercer as funções de Presidente da Direcção do Folclore Português?

 


CONGRESSO NACIONAL DE FOLCLORE 2026 – CRÓNICA DO DR. DANIEL CAFÉ – PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DO FOLCLORE PORTUGUÊS

Ser folclorista é assumir um compromisso profundo com a memória coletiva. É reconhecer que cada canto, cada dança, cada traje e cada gesto transportam séculos de vivências, saberes e identidades. É compreender que o folclore não é apenas um conjunto de tradições preservadas no tempo, mas uma expressão viva, dinâmica e em constante diálogo com o presente. É por isso que, em janeiro de 2026, Gondomar se transforma no grande palco nacional de encontro, reflexão e celebração de todos aqueles que dedicam a sua vida — ou parte dela — à cultura popular portuguesa.

Federação do Folclore Português (FFP), entidade que há décadas se afirma como referência na preservação, estudo e valorização do património imaterial, organiza mais uma edição do Congresso Nacional de Folclore, um espaço que vai muito além da partilha de experiências. Estes congressos têm sido, ao longo dos anos, momentos fundamentais para o avanço da conceptualização teórica do folclore, promovendo debates que ajudam a clarificar conceitos, a atualizar metodologias e a reforçar a legitimidade científica do trabalho folclorista. A FFP tem desempenhado um papel determinante na construção de um pensamento crítico e informado sobre o folclore, incentivando a investigação, a formação e a reflexão contínua sobre o que significa, hoje, ser guardião da cultura popular.

O tema desta edição — “Por que sou folclorista?” — convida cada participante a olhar para dentro, a revisitar motivações, a reconhecer desafios e a projetar o futuro. Ser folclorista é ser investigador, intérprete, transmissor e defensor de um legado que pertence a todos. É sentir orgulho na diversidade cultural do país e trabalhar para que essa riqueza continue a ser compreendida, valorizada e vivida pelas gerações futuras. Este congresso pretende abrir espaço para que cada voz encontre lugar, para que cada percurso inspire outros, e para que a comunidade folclorista se fortaleça através do diálogo e da partilha.

Durante dois dias, Gondomar acolherá palestrantes, testemunhos, apresentações e momentos de convívio que reforçam a identidade comum de quem vive o folclore com paixão. Será também uma oportunidade para aprofundar o papel da FFP enquanto entidade orientadora, promotora de rigor e impulsionadora de novas abordagens teóricas. A Federação tem sido essencial na construção de uma visão contemporânea do folclore, combatendo estereótipos, promovendo a autenticidade e incentivando a compreensão do folclore como fenómeno cultural complexo, que exige estudo, sensibilidade e responsabilidade.

Participar no Congresso Nacional de Folclore é afirmar que o folclore continua vivo, relevante e necessário. É reconhecer que o trabalho dos folcloristas não se limita ao palco: estende-se à investigação, à educação, à preservação e à construção de pontes entre passado e futuro. É, acima de tudo, celebrar uma comunidade que se dedica a manter acesa a chama da identidade portuguesa.

Gondomar espera por ti. O folclore também.

Daniel Café

Presidente da Federação do Folclore Português

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