QUEM É A VIANENSE TERESA SILVA – A ILUSTRADORA QUE SE INSPIRA NOS TRAJES TRADICIONAIS DO ALTO MINHO?
Foto: João NES STUDIO (designer gráfico)
Teresa Silva é natural de Viana do Castelo. Nasceu em 1979 e
desde os primeiros anos de infância demonstrou sempre muita sensibilidade
artística, sobretudo para as artes visuais com recurso a lápis ou tintas e
trabalhos manuais.
É licenciada em Professores do 1º e 2º Ciclo do Ensino Básico,
variante Educação Visual e Tecnológica na Escola Superior de Educação de Viana
do Castelo e lecionou durante 7 anos na Região Autónoma dos Açores. Regressou
ao continente e permaneceu 6 anos em Aveiro onde se dedicou ao Bordado de Viana
tendo Carta de Artesã.
Em 2018 regressou a Viana do Castelo e passou a dedicar-se por
completo às artes plásticas.
Em 2023 criou um atelier de ilustração, tendo sempre por base de
inspiração os Trajes do Alto Minho, sobretudo o Traje à Vianesa.
Possui particular gosto por ilustrar registos fotográficos
antigos, sobretudo do início do século XX.
Os principais materiais que utiliza são os lápis de carvão,
lápis de aguarela secos, marcadores, marcadores de aguarela e papel rugoso de
aguarelas. Esta Inspiração vem do profundo amor pelo Traje, sendo que a
primeira vez que envergou um em cortejos da Romaria de Nossa Senhora d’Agonia
tinha apenas 6 anos de idade, tendo aprendido a trajar com o saudoso sr Amadeu
Costa e a D. Maria Emília de Sena Vasconcelos, amigos próximos do seu pai. São
já 36 anos a trajar Viana.
O seu maior desejo é poder expor o meu trabalho na terra que a
viu nascer e perpetuar no tempo, através da técnica manual da ilustração, o
valor incalculável que tem a memória do Traje à Vianesa.
São suas as palavras que seguidamente transcrevemos e que
mostram a sua verdadeira inspiração em ilustrar Viana:
"Sinto que o brio no trajar vem de um sentimento profundo
de pertença.
É visível quando algumas pessoas usam o traje.
E este brio não é mensurável, tanto o tem a pessoa mais efusiva
como a mais tímida.
Cumprem os preceitos de trajar bem porque sentem a
responsabilidade de representar a freguesia onde nasceram ou a família nasceu,
ou só mesmo a memória dos familiares.
É isto a tal "chieira", melhor dizendo, brio.
Quando se tem esse sentimento quer-se (até à perfeição) que,
cada cordão de avental ou colete seja, bem apertado, que a camisa esteja
impecavelmente passada a ferro e branquinha corada ao sol, que as chinelas
estejam bem limpas e as meias irrepreensíveis. Que as franjas do lenço esvoacem
pelo rosto e os brincos do tamanho perfeito. Os trajes negros de cerimónia,
monumentais, e o cabelo impecavelmente preso com seus ganchos de osso e trança
recolhida em rede. O ouro na quantidade certa, sem cobrir a riqueza do traje, e
onde cada cordão é colocado ao pescoço e as peças e medalhas neles enfiadas e
pendentes de forma harmoniosa.
A saia rodada por saiotes rendados e branquinhos, colocados
meticulosamente por comprimento.
Processo que se repete como um cerimonial cada vez mais perfeito
a cada ocasião de envergar o traje.
Há sempre algo a aprender, a melhorar.
Tudo bem ajustado ao corpo, que se quer direito, mas não
empertigado. Digno.
Não são peças de roupa, é História.
Desde que faço ilustração tenho o privilégio de conhecer
histórias de pessoas que vestiram um único traje concreto, fazendo assim a
história desse traje.
O traje torna-se algo com vida, tempo, lugar, família; numa
palavra, pertença.
Dei por mim a desenhar o mesmo traje, mas envergado por várias
pessoas da mesma família.
Envergado porque "vestir" é um verbo onde não cabe o
acto nobre de usar um traje.
E olhando para o traje, na pessoa que não desenho o rosto, penso
que reconheceria todas as pessoas que o usaram, porque já as identifico com o
seu lugar de pertença; Afife, Carreço, Meadela, Areosa, Geraz, Serra D'Arga,
Santa Marta, Viana...
O que tenho constatado com muita alegria é que já não é só o
traje que identifica a pertença a estes lugares, mas sim também os rostos,
aqueles rostos, de quem os enverga com tanto brio.
É este sentimento de pertença que noto em algumas mulheres que,
na verdadeira essência da palavra, trajam Viana.
E se para tudo ficar impecável se traja aquele traje apenas uma
vez por ano, então é uma espera maravilhosa para se poder voltar a sentir, na
realidade, o que é a inexplicável "chieira".





















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