QUEM FOI O ESCRITOR E POETA DELFIM GUIMARÃES A QUEM PONTE DE LIMA DEVE MUITOS DOS SEUS VERSOS?
“Delfim
Guimarães. O Poeta da Amadora” é o título da melhor biografia até ao momento
produzida acerca da vida e obra do poeta e escritor Delfim Guimarães. Da
autoria de Lopes Vieira, o livro é uma edição da Câmara Municipal da Amadora,
publicado em 1989 e encontra-se actualmente esgotado. A passagem dos 150 anos
sobre a data do seu nascimento justificaria seguramente uma segunda edição
desta obra.
Neste livro, o autor traça de uma forma admirável o perfil do
escritor Delfim Guimarães, acrescentando à sua biografia a sua obra literária e
a sua intervenção cívica, não apenas no domínio profissional como ainda como
cidadão interventivo na sua época que deixou uma obra cujos frutos continuam a
ser colhidos pelas actuais gerações. Referimo-nos principalmente à sua acção
política e cívica naquela localidade que viria a ser o actual Concelho da
Amadora, nomeadamente através da criação da Liga de Melhoramentos que, entre
outras iniciativas, foi responsável pela fundação das Escolas Alexandre
Herculano.
Lopes Vieira convida-nos a uma digressão através da obra
literária do escritor Delfim Guimarães, apresentando-nos muitos dos seus
poemas, grande parte dos quais dedicados ao Ponte de Lima, facto que por si só
justificaria o seu reconhecimento como “O Poeta de Ponte de Lima” – se foi na
Amadora que ele viveu grande parte da sua vida e pelo seu progresso social se
bateu, não restam dúvidas de que foi a Ponte de Lima que dedicou os seus
versos!
A imagem mostra os descendentes do escritor
Delfim Guimarães por ocasião da atribuição do seu nome a uma artéria de Lisboa.
O seu nome está ligado à cidade do Porto onde nasceu em 4 de Agosto de 1872. A Lisboa onde trabalhou e fundou a editora “Guimarães, Libânio e Cª” que viria mais tarde a adoptar a denominação de Guimarães Editores. A Ponte de Lima à qual dedicou grande parte dos seus versos e também alguns dos seus romances, para além da sua enorme ligação familiar do qual foi inclusive Administrador do Concelho. E ainda à cidade da Amadora onde viveu e deixou importante obra cívica da qual salientamos a criação da Liga dos Melhoramentos da Amadora, responsável pela instituição da Escola Alexandre Herculano.
O nome de Delfim Guimarães encontra-se consagrado na toponímia
de Lisboa, de Ponte de Lima e também da cidade da Amadora onde, aliás, dá o
nome ao jardim que constitui a sua sala de visitas e aí tem erigido um busto.
Apenas o Porto, cidade onde nasceu, não lhe prestou até ao momento a devida
homenagem. A efeméride que este ano se assinala constitui uma excelente
oportunidade para conhecer a vida e a obra deste escritor.
Busto do escritor Delfim Guimarães, na cidade da Amadora.
Rua Delfim de Brito Guimarães
(Lisboa)
Poeta 1872 - 1933
Freguesia(s): Campolide
Início do Arruamento: Rua Basílio Teles
Fim do Arruamento: Rua José Malhoa
Data de Deliberação Camarária:
08/02/1995
Data do Edital: 17/02/1995
Data do Edital do Governo Civil:
Data do Edital do Governo Civil:
Designação(ões) Anterior(es):
Troço da Rua A à Avenida José Malhoa, compreendido entre a Rua Basílio Teles e
a Avenida José Malhoa.
Historial: “Aos vinte e três dias do mês de Setembro de mil
novecentos e noventa e quatro pelas dezasseis horas, numa das salas dos Paços
do Concelho, reuniu a Comissão Municipal de Toponímia (...) Seguiu-se a leitura
de uma carta da casa do Concelho de Ponte Lima, solicitando que o nome do poeta
Delfim Guimarães, seja atribuído a uma rua de Campolide, situada nas imediações
da sede da referida Instituição.
A Comissão emitiu parecer favorável, designando para o efeito o
troço da Rua A à Avenida José Malhoa, compreendido entre a Rua Basílio Teles e
a Avenida José Malhoa que, assim, passará a denominar-se: Rua Delfim De Brito
Guimarães/Poeta/1872 – 1933”.
Delfim de Brito Guimarães nasceu no Porto em 4 de Agosto de 1872
e faleceu na Amadora, em 6 de Julho de 1933. De filiação republicana e
maçónica, estudioso das Letras Portuguesas, cavaleiro apaixonado pela Menina e
Moça de Bernardim Ribeiro, em querelas com Teófilo Braga ou em franca e
admirativa correspondência com D. Carolina Michaëlis de Vasconcelos, conforme
transcreveu no seu «Arquivo Literário». A sua paixão romântica pela política
(União Republicana), levou-o às polémicas sobre as cores e os símbolos da
bandeira nacional. Em 1889, veio para Lisboa e com apenas dezanove anos começou
a trabalhar como guarda-livros no Século, onde passou a administrador. Ali
permaneceu por dez anos mas foi obrigado
a retirar-se, pois a Administração não via com bons olhos a sua
actividade literária. Fundou e consolidou uma importante Casa Editora – a
Guimarães Editores, que ainda hoje existe na Rua da Misericórdia. Através desta
editora, trouxe ao nosso conhecimento, autores estrangeiros notáveis em
cuidadas traduções. Poeta, novelista, crítico, erudito, dramaturgo,
investigador literário, Delfim de Brito Guimarães prestou valiosos serviços às
letras portuguesas. Iniciou a sua carreira de escritor em 1893 com Alma Dorida,
um livro de poemas escritos em prosa, dedicado à sua mãe. Nesse mesmo ano
escreveu também Lisboa Negra, versos que dedicou à Capital, revelando a sua
difícil adaptação a esta cidade. Confidências, um novo livro de poemas, é
publicado em 1894 e, no ano seguinte, sai um livro de «orações», em verso,
intitulado Evangelho. Em 1902, escreve uma comédia denominada Juramento Sagrado
e neste mesmo ano, escreve um poema inspirado em ambientes medievais e de cariz
romântico, chamado A Virgem do Castelo. No ano em que abre a Livraria, em 1903,
publicou Outonais, obra em poesia dedicada ao amor e, em 1916, durante a Grande
Guerra, por publicou uma colectânea de poemas de diversas métricas e estilos,
intitulada A Alma Portuguesa. Deixou um património editorial inestimável, quer
pelo fundo editorial acumulado, quer pelos serviços que prestou à cultura
portuguesa.
Fonte: http://www.cm-lisboa.pt/
Delfim de Brito Monteiro Guimarães (Porto, 4 de Agosto
de 1872 - Amadora, 6 de Julho de 1933) foi um poeta, ensaísta, bibliófilo e
tradutor português.
Trabalhou na área comercial onde desempenhou funções de contabilista e de administrador de diversas empresas, mas ficou conhecido pela sua produção literária, nomeadamente poesia, ensaio, conto, teatro e história, tendo sido fundador da editora «Guimarães, Libânio e C.ª» em 1899, atualmente conhecida como Guimarães Editores.
Tem
colaboração em publicações periódicas, como é o caso das revistas Branco e Negro (1896-1898), Ave Azul (1899-1900), A Sátira (1911), Atlântida (1915-1920)
e na Revista de turismo iniciada
em 1916.
Foi
iniciado na Maçonaria na Loja O Futuro, em Lisboa, com o nome simbólico de
Bakunine.
A 17
de maio de 1919, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de
Sant'Iago da Espada.
Fonte:
Wikipédia
Exemplar com dedicatória oferecido ao jornalista Rocha Martins, aqui tratado por “ilustre camarada”, em 5 de Abril de 1921.
“Á Memória de Herculano” é o título de um poema
de cariz patriótico da autoria do escritor e poeta Delfim Guimarães, publicado
em 1910, por ocasião da “celebração do centenário do nascimento do egrégio
historiador português” ocorrida em 28 de março daquele ano, e editado pela
Livraria Editora Guimarães & Cª, editora fundada pelo próprio autor.
Com vasta obra literária, o escritor Delfim Guimarães nasceu no
Porto em 4 de agosto de 1872, encontrando-se também ligado a Ponte de Lima,
terra à qual dedicou a maioria dos seus versos e ainda á cidade da Amadora onde
viveu e veio a falecer em 6 de julho de 1933.
O livro cuja imagem reproduz foi pelo autor oferecido a Henrique
Marques, na dedicatória tratado como “bom amigo e camarada”.
“Asas de Portugal” é o título
de um poema de cariz patriótico da autoria do escritor e poeta Delfim
Guimarães, publicado em 1922, por ocasião da primeira travessia aérea do
Atlântico Sul levada a cabo por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, no contexto
das comemorações do primeiro centenário da independência do Brasil.
O poema foi escrito na Amadora, terra com grandes tradições
aeronáuticas, e editado pela Livraria Editora Guimarães & Cª, editora
fundada pelo próprio autor.
Com vasta obra literária, o escritor Delfim Guimarães nasceu no
Porto em 4 de agosto de 1872, encontrando-se também ligado a Ponte de Lima,
terra à qual dedicou a maioria dos seus versos e ainda á cidade da Amadora onde
viveu e veio a falecer em 6 de julho de 1933.
O livro cuja imagem reproduz foi pelo autor oferecido à Redação
do jornal Diário de Notícias.
O Parque Delfim Guimarães situa-se no centro da Amadora, na zona
mais antiga da cidade, entre a Avenida Elias Garcia e a linha de caminho de
ferro que, desde finais do século XIX, contribuiu decisivamente para a expansão
do primitivo aglomerado urbano designado como Porcalhota.
Correspondendo ao mais antigo e emblemático espaço verde do
concelho, construído na década de 30 do século XX, por iniciativa da então
estrutura municipal sediada em Oeiras foi primeiro apelidado de Jardim-Parque
da Amadora, ocupando os terrenos agrícolas situados nas imediações do bairro
Santos Mattos, primeiro conjunto habitacional da cidade.
O espaço integrado no Parque organiza-se a partir de uma pérgola
central, dotada de fonte e bancos em redor. A partir deste espaço definem-se
caminhos sinuosos, pontuados por canteiros de roseiras e herbáceas. O jardim
possui, igualmente, alguns elementos importantes para a história local como o
busto do poeta Delfim Guimarães que deu o nome ao espaço e que se encontra
implantado numa rotunda intermédia assim como algumas lápides comemorativas de
efemérides locais.
Inicialmente o parque integrou um tradicional espaço com areia
balouços e escorregas, conjunto que, depois de ter sido reformulado, se
transformou num moderno parque infantil obedecendo às novas normas de
segurança. Igualmente numa intervenção mais recente foi criada uma "zona
de estadia formal", dotada de bancos e cadeiras.
História
O Parque Delfim Guimarães deve o seu nome ao poeta que viveu e
faleceu na cidade (1872-1933) tendo contribuído para esta iniciativa o tenente
Cândido Pinheiro, vereador da Câmara de Oeiras, residente na então freguesia da
Amadora. O conjunto ajardinado foi inaugurado a 27 de Junho de 1937, na
presença do Presidente da República, General Óscar Carmona, escassos dias
depois de a Amadora ter sido elevada à categoria de vila. Em 1997 o jardim foi
sujeito a obras de reconversão a cargo da Arquiteta Paisagista Patrícia França,
tendo estas sido parcialmente concluídas em 2002. Em 2015 o espaço foi
novamente objeto de uma intervenção, apostando-se desta vez numa poda algo
radical das árvores existentes, intervenção esta com impactos negativos no
valor paisagístico do conjunto, tendo sido reduzidas as áreas de sombra e a
bela mancha verde que caraterizava o local. De notar que este é um dos poucos
espaços verdes existentes na zona central da cidade tão intensamente
urbanizada, algo que hoje se sabe ser indispensável para a melhoria da
qualidade de vida da população.
Paulo Fernandes/IPPAR/2007. Atualizada por Maria
Ramalho/DGPC/2015.
Fonte: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/
Placa toponímica no Parque Delfim Guimarães, na Amadora, exibindo
a heráldica do concelho de Oeiras em relação à qual a Amadora pertencia à época.
Escultura no Parque Delfim Guimarães, na cidade
da Amadora
PONTE DO LIMA
Ponte do Lima, berço de meu Pae,
Jardim encantador do nosso Minho,
É para ti que grande parte vae
Do meu carinho…
Tam engraçada, tam risonha e clara,
Toda em vinhedos, milharaes, pomares,
- Labruja, Freixo, Rebordões, Seara –
Que belos ares!
Tuas montanhas, rudes serranias,
Não teem inveja, á serra do Marão;
Tuas ermidas e alvas casarias
Lindas que são!
Fazes lembrar-me ás vezes, deslumbrante,
A nobre Coimbra – em ponto pequenino…
Beija-te os pés o Lima sussurrante
E cristalino…
És a mais bela, a mais fagueira estância
De quantas formam o diadema astral
D’esta pátria gentil, toda fragância,
Que é Portugal…
O teu viçoso campo-santo encerra
Cinzas queridas de parentes meus…
Bem hajas sempre, carinhosa terra,
Benza-te Deus!
Ali repousa meu avô paterno,
E à sua beira, em níveo caixãozinho,
Dormindo um sono sossegado, eterno,
Tenho um anjinho…
Assim, velando o sono da inocente
Filhinha que perdi de tenra idade,
Vejo, sorrindo, o bravo combatente
Da Liberdade.
Ai! Não te esqueço, terra sonhadora,
De frescas sombras, de saudável clima;
Castelã senhoril, dominadora,
Do rio Lima!
Se não é como filho que te quero,
Porque ao Porto consagro eu esse afecto,
A ti voto eu também culto sincero,
Amor de neto…
Amor de neto? Não; maior ainda!…
Dei-te uma filha à terra, ao chão de abrolhos,
E outra ahi me nasceu, graciosa e linda,
Luz dos meus olhos!
Se a minha filha, com amor filial,
Recorda a terra amada em que nasceu,
Com que feição ardente e paternal
Te quero eu!…
Ponte do Lima, berço de meu Pae,
Jardim encantador do nosso Minho,
É para ti que grande parte vae
Do meu carinho…














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