TRUTAS DO RIO COURA SÃO SERVIDAS À MESA NOS RESTAURANTES DE BRAGANÇA
“(...) em Paredes de Coura, e à hora do almoço vêm para a mesa as trutas do rio Coura, o rio mais truteiro do universo, azeitonas e bogas de escabeche, pão de milho e as demoradas conversas dos amigos que se encontram outra vez” – Aquilino Ribeiro, “A Casa Grande de Romarigães”
Quem alguma vez teve a felicidade de viajar até Bragança e
escolher alguns dos restaurantes daquela cidade do nordeste transmontano,
certamente já teve a agradável surpresa de apreciar uma das mais afamadas
iguarias gastronómicas do Minho: as trutas do rio Coura!
Magnificamente confecionadas, os bragançanos apreciam esta
iguaria, a que lhe chamam “truta da pinta rosa”, juntando-lhe não raras as
vezes uma fatia de presunto. Mas, para o comum visitante, ela é frequentemente
servida, tal como se vê na imagem, sem outros condimentos mais característicos
da cozinha transmontana.
O prato que aqui se apresenta foi confecionado por um excelente
restaurante da cidade de Bragança, situado a escassos metros do rio Fervença,
do qual não registamos o nome.
A
truta é um peixe originário do hemisfério norte – Estados Unidos e Canadá –
tendo chegado até nós em meados do século XIX, numa época em que se tornava
imperioso prover novos recursos alimentares que satisfizessem uma população em
franco crescimento em resultado da industrialização. É a altura do
desenvolvimento da oceanografia biológica que teve entre nós o Rei D. Carlos
como principal impulsionador.
Porém, crê-se que a prática da pesca e produção da truta remonte há
vários milénios, ao tempo das civilizações pré-clássicas da China e do Egipto.
A truta é abundante em muitos rios do Minho, principalmente em
pequenos cursos de água que correm nas regiões mais montanhosas e preservadas
da poluição. Entretanto, a produção aquícola foi implementada em meados do
século XX na margem do rio Coura, no concelho de Paredes de Coura, sendo
provavelmente responsável pela maior produção da espécie no nosso país.
No seu romance “A Casa Grande de Romarigães”, celebrou o escritor
Aquilino Ribeiro esta iguaria nos seguintes termos: “(...) em Paredes de Coura,
e à hora do almoço vêm para a mesa as trutas do rio Coura, o rio mais truteiro
do universo, azeitonas e bogas de escabeche, pão de milho e as demoradas
conversas dos amigos que se encontram outra vez”.
Da sua produção em cativeiro até à mesa dos melhores apreciadores
não demorou que se tornasse num dos cardápios dos comensais mais exigentes no
que à gastronomia diz respeito de modo que podemos encontrar a truta nos mais
requintados estabelecimentos hoteleiros e de restauração do país. E, Paredes de
Coura bem pode fazer dela a sua especialidade de eleição, dando-a a ser
degustada por quem visita esta magnífica terra do Alto Minho.

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