A FESTA DA ÁRVORE EM VIANA DO CASTELO
O culto da
árvore no qual se insere a festa que lhe era dedicada constituiu uma das
iniciativas que os republicanos fomentaram com vista à introdução na sociedade
portuguesa de novos valores e símbolos com os quais procuraram substituir os
valores tradicionais associados à Igreja Católica e ao Cristianismo em geral.
Tratava-se, com efeito, de uma campanha de penetração ideológica nos meios
rurais, promovida pela própria maçonaria, utilizando para esse meio os seus
próprios órgãos de propaganda como era o caso do jornal “O Século Agrícola”, suplemento do jornal “O Século” dirigido por Magalhães Lima que, conforme o
próprio título sugere, propunha-se promover a secularização da sociedade.
De uma maneira geral, a realização da “festa da árvore” ocorreu
nas localidades onde os republicanos dispunham de maior organização, sobretudo
nas regiões mais a sul do país. Porém, é sabido que em Viana do Castelo também
dispunham de uma certa influência, mantendo inclusive em funcionamento uma loja
maçónica – a Loja Fraternidade – com mais de três dezenas de membros.
A revista Ilustração Portugueza, de 30 de março de 1914, dá-nos
conta da realização nesse ano da festa da árvore em Viana do Castelo.
"Em
Viana do Castelo a festa da árvore teve o concurso de todas as autoridades
civis e militares, escolas oficiais e particulares. No Campo da Agonia foram
plantadas duas laranjeiras e duas cerejeiras tendo assistido imenso povo.
Falaram o alferes sr. Alpedrinha e o sr. Dr. Rodrigo Abreu sendo o cortejo
dirigido pelo capitão sr. Malheiro. As tropas da guarnição da cidade também
tomaram parte n’essa encantadora cerimónia em que foi exaltado o culto da
árvore que O Século Agrícola tanto
tem propagandeado."



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