“A MULHER DO MINHO – UM MONUMENTO DE CORAGEM E SEDUÇÃO – FOTO DE ABEL CUNHA
É neste quadro geográfico e cultural que surge a mulher, com a sua prodigiosa energia e a sua não menos deslumbrante beleza, para desempenhar um papel de relevância singular. Dotada de uma sensibilidade e intuição raras ela é uma criatura generosa e solidária, acompanha o homem nas mais rudes tarefas, inclusive em tarefas de defesa, e é senhora, lembrem-se, para tomar a iniciativa de levantamentos políticos, como foi o caso da Patuleia, protagonizada pelas mulheres de Fontarcada, Póvoa de Lanhoso.
Trabalhadora infatigável, corajosa e asseada, a primeira que se
levanta e a última que se deita no seio do clã, transforma-se a minhota também
ela numa mãe prolífica e ciosa de uma farta progénie, que a necessidade
material e a escassez de recursos acabarão por espalhar pelos cinco
continentes, num surto migratório que ficou conhecido por diáspora portuguesa.
Até ao último quartel do século passado o Minho foi um dos grandes berçários do
mundo, mercê de uma maternidade feita de generosidade e sacrifício. “Tudo se
cria!”, diziam então as grandes matriarcas do Minho.
Ao gerar riqueza e vida, a mulher cobre o seu corpo com honras
festivas e cerimoniais, feitas de linho, baeta, seda, veludo, burel e ouro,
tornando-se ela própria numa preciosidade emblemática e encantadora. (….) Os
trajos, nos seus variados estilos, são verdadeiros bordados de arte e fantasia,
desde os lenços de cambraia ou filó até às meias de renda, onde impera a cor e
o bom gosto, cujas matrizes se encontram na natureza, a que a mulher muito
habilidosamente associou a sua fantasia criadora. Tudo na mulher minhota é
ornato e sedução, os lenços garridos e franjados; os chapelinhos de feltro,
guarnecidos de veludo, borlas, plumas e fios de cores garridas que esvoaçam
pendentes para a nuca; o alvo linho bordado por cromáticos; os coletes de linho
que cintam a mulher e lhe alteiam os formosos bustos; os aventais de riscas; as
grandes saias rodadas de baetilha preta. (…)
Se o mundo que rodeia a mulher do Minho é alegre e festivo,
forçosamente que esses motivos se hão-de na forma como se veste (…), como
manifesta as suas emoções, como exprime o seu sentimento amoroso, como
interpreta o seu universo simbólico, religioso ou não.”
“UM SONHO DO CORAÇÃO, 2011”
(Edição do Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio)

Comentários
Enviar um comentário