BRAGA: MAIS UM OBSERVATÓRIO, MAIS UM CAVALO DE TROIA IDEOLÓGICO – CRÓNICA DE MÓNICA JERÓNIMO LOPES, DEPUTADA MUNICIPAL DO PARTIDO CHEGA
Por que digo NÃO à Rede Europeia de Cidades de Saúde Mental
Enquanto deputada municipal eleita pelo CHEGA, e enquanto mulher e
mãe, não posso ficar calada perante a possibilidade de se usar saúde mental
como “Cavalo de Troia” para agendas que nada têm de inocentes.
Não, não é a saúde mental que eu contesto. A saúde mental é
demasiado séria para ser menosprezada. O que eu recuso é que, em nome de
palavras bonitas como “equilíbrio emocional”, “bem‑estar juvenil” ou “prevenção
do sofrimento psicológico”, se abra a porta a um projeto de desconstrução
sexual, cultural e moral, embalado sob a forma de rede europeia, recomendações
técnicas e boas práticas.
1.
A Carta de Princípios não é neutra:
laboratório de engenharia social?
A Carta de Princípios desta Rede está longe de ser um texto técnico
e neutro. Faz desfilar, como se fossem evidências científicas, conceitos como
“igualdade de género”, “diversidade cultural”, “inclusão de grupos
vulneráveis”, “equidade social” e “justiça social”. É a gramática típica da
cultura woke, em que, a reboque da “inclusão”, se usa vocabulário dos direitos
humanos para justificar ideologia de género, reconfiguração da família e
políticas migratórias que ignoram a identidade e a segurança das comunidades.
Quando vemos “migração” como eixo de trabalho prioritário em saúde
mental, acompanhada da habitual retórica de diversidade cultural e inclusão,
percebe-se o guião: a prioridade deixa de ser o cidadão bracarense, para passar
a ser a gestão abstrata de grupos, identidades e narrativas. Eu não aceito ter
os bracarenses em segundo plano, enquanto documentos e conferências discutem
categorias ideológicas e indicadores de diversidade.
A minha visão é clara: a saúde mental constrói-se em torno de
família, responsabilidade, pertença, raízes, fé, ordem e sentido – não em torno
de teorias de género, relativismo moral e multiculturalismo sem integração. Não
sou retrógrada: o passado não é um museu onde quero viver, é o património
imaterial a partir do qual se constrói o futuro – família, moral cristã, raízes
civilizacionais europeias. E não posso assistir calada à sua desconstrução em
nome de uma suposta modernidade que, na prática, corrói aquilo que nos sustenta
como pessoas e como comunidade.
2.
A síndrome dos Observatórios: um
cheque em branco financeiro e político
Esta Rede é mais um exemplo daquilo a que chamo a “síndrome dos
observatórios ideológicos”. Cria‑se uma Assembleia Geral, um Secretariado,
Grupos de Trabalho, Conselhos Consultivos com académicos, ONGs e “cidadãos com
experiência vivida”. Depois vêm os relatórios, os planos, as recomendações, as
plataformas digitais... Mas onde estão, nisto tudo, os valores que fundam a
matriz 1 Crónica “Brácaros na Contramão europeia, ou as famílias que ninguém
escuta quando se queixam daquilo que está a ser dito aos seus filhos em nome da
“saúde mental” e da “diversidade”?
Hoje dizem‑nos que não há quotas obrigatórias; amanhã admitem a
criação de uma “quota para custos fixos”. Hoje é tudo “voluntário” e “não
vinculativo”; amanhã são “boas práticas”, depois “critérios de financiamento”
e, pouco a pouco, um espartilho: quem não alinhar fica marcado, isolado e
pressionado. É sempre assim: começa como rede de cooperação generosa; acaba
como mecanismo de controlo político e financeiro. Hoje tudo se apresenta como
recomendação técnica, amanhã serão “boas práticas”; depois, quem se afasta
deste rumo tem o acesso a fundos condicionado e é alvo de notas de reparo, de
relatórios críticos. Daí, é um salto para que se transforme divergência moral e
política em suspeita, em desvio, em quase crime de opinião.
3.
O que já se faz em Braga em nome
desta agenda.
Não estamos a falar de riscos futuros. Já hoje, em Braga, temos
programas municipais na área da juventude e da saúde mental que integram
conteúdos como sexualidade, orientação de género, diversidade sexual e
normalização de género dirigidos a crianças de 12 anos.
A presidência da Câmara admitiu desconhecer que o programa
municipal EquiliBragaMente incluía conteúdos de orientação e diversidade de
género para menores. Como é possível aprovar, divulgar e usar um programa junto
de jovens sem sequer conhecer, em detalhe, a carga ideológica que traz consigo?
A saúde mental dos nossos jovens não pode ser o pretexto para uma
desconstrução sexual e mental. A criança não é uma folha em branco onde se
possa escrever qualquer “identidade” fluida. Não somos “o nada” onde se escreve
a desconstrução de qualquer coisa; somos um património imaterial de moral
cristã e de valores familiares a partir do qual se constrói em frente – nunca
rumo ao caos.
Para concluir, não peço que a saúde mental seja esquecida; peço que
não seja capturada.
A saúde mental não precisa de observatórios ideológicos, precisa de
famílias fortes, escolas que ensinem e profissionais que tratem.
Eu oponho‑me à integração de Braga nesta Rede precisamente porque
levo demasiado a sério a mente e o coração das nossas crianças. Acredito que a
família é o primeiro lugar de proteção emocional e que a moral cristã, as
raízes europeias e os valores familiares não travam o progresso: são a sua
base.
A saúde mental não pode ser o cavalo de Troia da ideologia de
género e da cultura woke. Em nome das crianças e das famílias de Braga, digo
claramente: não a esta integração, não a mais um observatório ideológico, não à
desconstrução disfarçada de terapia. E enquanto me for permitido levantar a
voz, não deixarei que nos vendam como “avanço inevitável” aquilo que, no fundo,
é um recuo civilizacional.
Mónica Jerónimo Lopes, Deputada Municipal Partido CHEGA, Braga,
11/02/26

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