BRAGA: O QUE SÃO E REPRESENTAM OS FARRICOCOS DURANTE AS CELEBRAÇÕES DA SEMANA SANTA?
Remonta ao século IV a origem da Semana Santa de Braga, sendo
considerada a maior e mais antiga que se realiza em Portugal.
A Semana Santa, ciclo litúrgico mais importante do calendário
católico, recorda os momentos que antecederam a prisão e execução de Jesus e
culmina na Páscoa, na qual se celebra a ressurreição de Cristo.
Encapuzados e envergando túnicas negras – os balandraus – cingidas por uma corda à cintura, o
farricoco constitui a sua figura mais emblemática da celebração da Semana
Santa. Caminham descalços e levam à cabeça uma coroa de sisal. Estas
personagens, inspiradas no Antigo Testamento (cf. Jn 3,8), trajam em sinal de
penitência, tendo este ritual origem nas antigas “procissões de penitência”.
Os farricocos levam consigo ruidosas matracas – os ruge-ruge – encimadas em longas varas negras,
fazendo-as girar e causando espanto a quem assiste à passagem da procissão.
Na Procissão do “Ecce Homo” os farricocos vão à frente, abrindo
o cortejo, uma parte deles com as matracas que de vez em quando fazem ouvir,
outra parte empunhando fogaréus. Assim fazem memória dos tempos em que andavam
pelas ruas a chamar os “pecadores públicos” à “endoença” ou perdão da Igreja. O
seu modo de trajar, por um lado, é sinal de penitência, e, por outro, serve
para os esconder no anonimato. Na Procissão do Enterro do Senhor vão também a
abrir o cortejo, mas em silêncio e arrastando pelo chão as matracas e os
fogaréus apagados.
Os fogaréus são taças metálicas alçadas em altas varas negras e
contendo pinhas a arder em grandes labaredas. Acompanham-nos alguns farricocos
com cestas de pinhas para ir renovando o fogo. No seu conjunto são figuras tão
exóticas e impressionantes que se tornaram, para muita gente, uma espécie de
ex-libris da Semana Santa de Braga.
Fontes: Agência
Ecclesia / Wikipédia | Farricocos no procissão dos fogaréus
(fotos de Artur Pastor)



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