BRAGA: PSD CONTRADIZ PSD NA POLÍTICA DE MOBILIDADE. CDU RECLAMA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

 


Perante as recentes declarações do actual Presidente da Câmara Municipal de Braga, a CDU entende que se justifica a realização de uma Assembleia Municipal Extraordinária com vista a discutir a mobilidade no concelho, as prioridades do executivo municipal e o projecto BRT. A CDU considera que a promessa agora feita pelo Presidente da Câmara Municipal, João Rodrigues, de ter um projecto BRT a ligar as cidades de Braga e de Guimarães, como nova prioridade, é uma afronta às necessidades reais dos bracarenses e à solução mais viável e ecológica: a ferrovia.

A CDU reivindica desde o primeiro dia a construção da ligação ferroviária entre Braga e Guimarães, tal como foi aprovado em Assembleia Municipal. O Presidente da Câmara Municipal de Braga não pode mudar de posição em relação à mobilidade intra-concelhia a seu bel-prazer, nem fazer esquecer a ligação ferroviária como solução mais eficaz para a ligação entre os concelhos.

projecto BRT foi amplamente difundido pela Câmara de Braga e pelo Governo, criando expectativas junto da população que importa garantir que não sejam frustradas. Como a CDU tem vindo a referir, a opção pelo modelo BRT foi tomada com base nos critérios de custo mais baixo e rapidez de concretização de obra comparativamente com outras hipóteses. Desde o início que a CDU alertou para o risco de perda do financiamento devido ao incumprimento de prazos.

Recordamos que foi inicialmente planeado para incluir quatro linhas, com uma extensão total de 22,5 km, mas, devido a limitações orçamentais e a complexidades técnicas, apenas uma linha foi confirmada para avançar numa primeira fase, a Linha Vermelha, com cerca de 6 km, que ligaria a estação ferroviária ao Hospital, passando pela Universidade do Minho (Gualtar). A quinze dias do final do mandato, o executivo municipal anterior, de que o actual presidente da Câmara fazia parte, assinou o contrato de concepção-construção da Linha Vermelha do BRT, num montante de mais de 32 milhões de euros, sublinhando “a relevância do projeto para a cidade e para a população” e garantiu a sua conclusão “até 30 de Junho de 2026”.

Em plena campanha eleitoral, João Rodrigues, face a críticas ao projecto, declarou publicamente que abandonar o mesmo seria “mandar 75 milhões de euros para o lixo, literalmente”, qualificando a ideia como uma “insanidade política, uma coisa inexplicável” e que “não se pode pegar neste dinheiro e aplicar noutras coisas”. Não se compreende, assim, como é possível que seja o próprio autor destas declarações a, depois de eleito, vir apresentar a “suspensão” – como eufemisticamente chama ao abandono do projecto – como uma enorme vantagem para a cidade, quando o Município pode vir a ter de pagar uma indemnização pela suspensão do projeto da linha vermelha.

Os esforços de propaganda em plena campanha eleitoral procuraram disfarçar a incapacidade da coligação municipal PSD/CDS em concretizar efectivamente um conjunto de investimentos que visassem melhorar de facto a mobilidade dentro do concelho de Braga. O Presidente da Câmara Municipal não pode dar o dito por não dito e fazer da empreitada do BRT mais uma promessa vazia, como outras que começam a ficar esquecidas no rescaldo das eleições autárquicas.

A CDU condena a gestão PSD/CDS da política de mobilidade no concelho de Braga, sem rumo estratégico e com contradições em relação que foi dito pelo próprio Presidente de Câmara ao longo dos últimos meses. Não são necessários estudos nem novas comissões – o que é necessário é uma ligação ferroviária Braga-Guimarães. É hora de avançar com as soluções de que Braga precisa.

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