CÂMARA DOS DEPUTADOS DA PRIMEIRA REPÚBLICA HOMENAGEOU EM 1913 O COURENSE NARCISO ALVES DA CUNHA
O ilustre courense que foi
Narciso Alves da Cunha faleceu no dia 15 de Janeiro de 1913. No dia seguinte à sua morte,
todos os parlamentares e grupos políticos representados na Câmara dos Deputados
associaram-se às manifestações de pesar que então se verificaram, prestando-lhe
a devida homenagem. Registamos as intervenções feitas na sessão realizada nesse
dia, sob a presidência de José Augusto Simas Machado.
O Sr. Presidente: - Cumpro o doloroso dever de
participar á Câmara a morte do
Sr. Senador Narciso Alves da Cunha que fez parte da
Assembleia Constituinte, donde foi eleito para o Senado.
Narciso Alves da Cunha foi um digno funcionário
público e um homem que prestou relevantes serviços ao seu país (Apoiados).
Distinguiu-se, sempre pelas suas altas qualidades de carácter, e quer como
membro da Assembleia Nacional Constituinte quer como membro do Senado, prestou
á República valiosos serviços. (Apoiados). E creio interpretar o sentir da
Câmara propondo que na acta seja exarado um voto de profundo sentimento pela
morte do ilustre homem público, -que, à semelhança do que, em ocasiões idênticas
se tem feito, se levante a sessão por cinco minutos (Apoiados).
O Sr. Casimiro de Sá: - Sr. Presidente: em meu nome
pessoal e, também, por indevida honra, em nome do Partido Evolucionista a que
pertenço, associo-me, comovidamente, à triste comemoração que agora fazemos.
O Sr. Narciso Alves da Cunha era da minha terra; vivi
nas suas relações pessoais durante largos anos. Afirmou-se, sempre, um homem de
inteligência, um homem de cultura e um homem de estudo (Apoiados). Foi,
principalmente, um grande amigo da sua terra; e para a história local, deixou
em um livro, que é uma página de amor à terra onde nasceu, subsídios
importantes para a história do meu concelho: Paredes de Coura.
Assim, eu, lamentando a morte prematura e inesperada
do meu ilustre conterrâneo, do homem com cujas relações pessoais longos anos me
honrei, do homem que soube amar e honrar, também, a sua e minha terra, eu,
neste momento, em meu nome e igualmente em nome do Partido Evolucionista,
associo-me, repito, comovidamente, com verdadeira sinceridade ao voto de pesar
proposto pelo lamentável acontecimento. (Apoiados).
S. Exa. não reviu.
O Sr. Barbosa de Magalhães: - Sr. Presidente: o
Parlamento da República acaba de sofrer uma grande perda, porque o Sr. Narciso
Alves da Cunha, cujo falecimento todos nós deploramos, era uma dessas figuras
que se impunham ao respeito e à consideração de todos, pelas suas qualidades de
carácter, pela sua inteligência e pela afabilidade do seu trato (Apoiados).
Em cada um dos seus colegas tinha um verdadeiro amigo
(Apoiados), que o considerava e estimava (Apoiados).
Sendo um sacerdote ilustre, e não obstante poder
incorrer nas iras de Roma, nas iras dos reaccionários, daqueles que não viam
bem a República, êle soube integrar-se nela e soube, desde o primeiro momento,
prestar-lhe os valiosos serviços que, pela sua inteligência e pela muita
consideração de que gozava, não só na sua terra, no seu concelho, mas em todo o
distrito, lhe podia prestar. Prestou, efectivamente, grandes e alevantados
serviços ao seu país, á República e ao Partido Democrático, a quem, desde logo,
deu a sua mais calorosa adesão. (Apoiados).
Não e só em meu nome, mas em nome do Grupo
Parlamentar Democrático, por quem tenho a honra de falar, e bem assim por todo
o Partido Democrático, que eu, sincera e comovidamente, me associo à proposta
de V. Exa., declarando que, realmente, a morte do digno Senador foi uma perda
grande para o Parlamento da República, porque Narciso Alves da Cunha a todos se
impunha pelas suas grandes qualidades (Apoiados).
Vozes: - Muito bem, muito bem.
S. Exa. não reviu.
O Sr. Brito Camacho: - Pedi a palavra para declarar,
em nome dos Deputados da União Republicana, que nos associamos a todas as
homenagens prestadas â memória do ilustre Senador, cujo falecimento todos
pranteiam.
S. Exa. não reviu.
O Sr. Amorim de Carvalho: - Encarregado pelos
Deputados independentes desta Câmara, tenho a declarar a V. Exa., Sr.
Presidente, que nos associamos á homenagem prestada à memória do Senador Sr.
Narciso Alves da Cunha.
Devo acrescentar que foi ele um grande trabalhador,
que prestou serviços à causa da República.
É sempre, para nós, lamentável ver desaparecer
trabalhadores como ele foi.
É por isso que os Deputados independentes tomam parte
na homenagem prestada à memória do ilustre extinto.
S. Exa. não reviu.
O Sr. Ministro do Interior (Rodrigo Rodrigues): -
Pedi a palavra para declarar a V. Exa., Sr. Presidente, e à Câmara, que o
Governo se associa ao voto de condolências pelo falecimento do Sr. Senador
Narciso Alves da Cunha.
A sua individualidade escusa de mais palavras de
exaltação. Bastou a sua presença, dentro do Congresso, para afirmar, não só o
seu alto espírito de civismo e o espírito de cordura e boa orientação que às
leis da República tem presidido, mas, também, que ele foi um bom sacerdote e um
bom cidadão republicano.
S. Exa. não reviu.
O Sr. Presidente: - Em vista das manifestações
prestadas pelos ilustres Deputados que usaram da palavra, considero aprovada a
minha proposta e suspendo a sessão por cinco minutos.
Eram 15 horas e 20 minutos.


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