COMO ANTIGAMENTE SE NAMORAVA NO MINHO E PEDIA A MOÇA EM CASAMENTO?
É recorrente
no meio folclórico inventarem-se quadros pretensamente etnográficos, sem
qualquer correspondência aos usos e costumes da sociedade rural de tempos idos.
Sucede que, a etnografia requer estudo para que possa ser apresentada de forma
séria.
A sociedade rural – ao contrário dos burgos – sempre
foi constituída por pequenos núcleos populacionais mais ou menos dispersos a que
normalmente designamos por aldeias. Nalgumas localidades também é usual os
termos casais e póvoas.
Tem essas reduzidas comunidades origem remota nas
primitivas tribos que agrupavam diferentes clãs unidos entre si, quase sempre
ligados por laços familiares. Sucede que, nessas pequenas comunidades rurais –
ou piscatórias – prevalecia a prática da endogamia a fim de garantir a
continuidade do mesmo grupo familiar, o que também era proporcionado pelo
isolamento geográfico dos pequenos aglomerados populacionais no meio rural. De
resto, não raras as vezes era encarado com certa desconfiança o jovem que
procurava noiva em terra alheia, deduzindo-se que por algum motivo era
rejeitado na sua própria terra…
Assim se entende como, ainda nos tempos atuais, todos
os habitantes de uma determinada aldeia mantenham relações de parentesco entre
si, sendo tal realidade mais notória quanto mais reduzida é a sua população.
Os conversados – um dos termos que outrora se usava
para designar os namorados – encontravam-se geralmente à saída da igreja ao fim
da missa dominical ou na vila em dia de feira. Lá iam pondo as suas conversas
em dia até que decidiam que estavam bem um para o outro, faziam juras de amor e
planos para a vida futura.
Mas, não era à noiva que o moço pedia em casamento embora
fosse por ela consentido e acordado. Era ao pai da jovem que ele devia pedir a filha
em casamento. Ela acertava com o pai a melhor ocasião para o receber. E, no dia
aprazado, ele deslocava-se a casa do futuro sogro, esgueirando-se discretamente
por atalhos para que não fosse visto, evitando o falatório caso o encontro não
corresse como o previsto…
Numa reunião familiar na qual a noiva e a futura
sogra podiam ou não estar presentes, o jovem pretendente procurava dar a melhor
impressão sobre si mesmo, mostrar ao futuro por palavras o quanto amava a sua
filha e garantir a sustentabilidade futura da família. Apesar da notória
influência do matriarcado, a sociedade minhota à semelhança do resto do país
assenta no patriarcado.
Nesses tempos mais recuados, no meio rural ainda não se
usava a aliança de casados, tão pouco o anel de noivado. Ficavam-se pelas três
libras que, após o compromisso, a moça deixava de exibir no seu traje
domingueiro, como sinal da sua nova condição. Noutras regiões do país usavam as
moedas de vintém. Costume que deu origem a comentários jocosos…
Qual caricatura de tais costumes, vemos por vezes desfilar
respeitáveis matriarcas a exibir a três libras… quando não o dobro e até o
triplo das mesmas!

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