DEPUTADO JOAQUIM DE OLIVEIRA APELOU EM 1914 NA CÂMARA DOS DEPUTADOS PARA A REGULARIZAÇÃO DAS MARGENS DO RIO LIMA E RECOLOCAÇÃO DOS ANTEPAROS NA PONTE MEDIEVAL DE PONTE DE LIMA
As cheias do rio Lima verificadas em 1909 danificaram gravemente
a ponte medieval de Ponte de Lima e derrubaram os anteparos. Decorridos cinco
anos, estes ainda não haviam sido recolocados. Na sessão da Câmara dos
Deputados realizada em 21 de dezembro de 1914, interveio o deputado Joaquim de
Oliveira para lembrar a necessidade de se proceder à regularização das margens
do rio Lima e à colocação dos referidos anteparos. A interpelação teve resposta
por parte do Ministro do Fomento em representação do governo.
Relativamente à alusão feita à freguesia de Sarzedas,
relacionando-a com o distrito de Viana do Castelo, o orador deveria
provavelmente querer referir-se ao distrito de Castelo Branco.
Transcrevemos do Diário da Câmara dos Deputados as
intervenções efetuados, respeitando a grafia da época.
“O Sr. Joaquim de Oliveira: — Sr. Presidente: referiu-se há dias
o Sr. Ministro do Interior a uma catástrofe sucedida na freguesia de Sarzedas,
distrito de Viana do Castelo, por motivo das últimas chuvas. Apoiou S. Ex.a as
providências tomadas pelo ilustre chefe do distrito e prometeu adoptar ainda
outras que se julgassem convenientes. Esqueceu-se, porém, S. Ex.a de fazer
referência a outras inundações também grandes, embora de consequências menos
lamentáveis, que se deram na vila de Ponte de Lima.
Devido às mesmas causas, o rio engrossou de tal
maneira, que arrastou na sua impetuosa corrente os anteparos da ponte que tanto
formoseia a vila, e que é o encanto de todos quantos amam a povoação de
Sarzedas.
Também por ocasião das memoráveis inundações que, há
cinco anos atormentaram grande parte do país, deu-se em Ponte do Lima,
precisamente o facto semelhante àquele que acabei de dizer: os anteparos da
ponte foram derrubados, e foi a instâncias de Manuel de Oliveira que a ponte
foi reconstruída de novo.
A ponte é de muito trânsito, quer de piões quer de
veículos, e é, portanto, indispensável que se mandem colocar os anteparos com a
brevidade que o caso requer.
Primeiro que tudo é absolutamente indispensável
mandar proceder ao desassoreamento do rio, porque se há dois ou três anos ele
se tivesse feito, certamente que os anteparos não teriam sido arrastados pela
corrente como agora aconteceu.
Eu já falei casualmente com o presidente da Junta
Administrativa do distrito de Viana do Castelo, e S. Ex.a informou-me de que
essa Junta está na melhor das intenções de, no mais breve espaço de tempo
possível, talvez em Março do próximo ano, mandar proceder à ratificação das
margens do rio.
O que é certo, porém, é que a Junta precisa do
auxílio do Governo, consistindo esse auxílio em donativos ou em ordenar á
Repartição da Hidráulica Agrícola e à dos Serviços Fluviais e Marítimos que
coadjuve essa obra.
No entanto, Sr. Presidente, porque realmente a falta
dos anteparos é uma cousa perigosa, e que pode acarretar graves desastres,
pois, como já disse, se trata duma ponte de grande trânsito e que, para mais, é
muito estreita, eu peço ao Sr. Ministro do Fomento que dê imediatas
providências, mandando colocar os anteparos na ponte a que me referi, os quais
devem ser de pedra para não desfigurarem a harmonia do resto da ponte que é uma
obra artística.
Tenho dito.
O orador não reviu.
O Sr. Ministro do Fomento (Lima Basto):— Sr.
Presidente: quero declarar ao Sr. Deputado Joaquim de Oliveira que tomo na
devida consideração as suas palavras e que, com a possível brevidade, darei as
necessárias providências sobre o caso a que S. Ex.a se referiu.
De resto, já foram dadas as competentes ordens para
se proceder aos estudos das causas que concorreram para a destruição da ponte.
O orador não reviu.”

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