DITADURA MILITAR EM PORTUGAL FOI INSTAURADA HÁ CEM ANOS – MOVIMENTO MILITAR PARTIU DE BRAGA ENCABEÇADO PELO GENERAL GOMES DA COSTA

 

Estátua do General Gomes da Costa na Praça Conde de Agrolongo, em Braga

Passam no próximo dia 28 de maio precisamente 100 anos sobre a data em que um levantamento militar, com epicentro em Braga e encabeçado pelo General Gomes da Costa, então denominado por Revolução Nacional, o qual derrubou o regime instaurado dezasseis anos antes e que, ao longo da sua curta existência, se caracterizou por uma grande instabilidade política e uma profunda crise económica.

Entre os protagonistas do movimento que em 1926 instaurou a ditadura militar contavam-se muitos republicanos que antes haviam participado na implantação da República, em 1910, e que apostavam agora na regeneração do próprio regime.

Na sua origem encontrava-se a profunda crise económica e financeira em que o país se encontrava, a desordem social, a corrupção e a permanente instabilidade política causada pelas disputas partidárias.


Neste local formaram as forças militares que em 28 de maio de 1926 marcharam em direção a Lisboa para colocar termo à Primeira República

O Regimento de Infantaria nº 8. encontrava-se instalado jo ao Campo da Vinha onde, em 28 de maio de 1926, sob o comando do general Gomes da Costa, se formaram as tropas para marchar sobre Lisboa, dando início à “Revolução Nacional” que instaurou a ditadura militar.

“Em 28 de Maio de 1926 ocorre um levantamento militar no norte de Portugal, com o objetivo de tentar repor a ordem no país, que durante os últimos dois anos (desde 1924) está continuamente à beira da guerra civil.

Com um movimento sindicalista completamente controlado por sectores da esquerda anarquista, que provoca incidentes violentos, criam-se condições para a instalação de um regime de terror, em que os assassinatos e os atentados terroristas se sucedem todas as semanas.

A instabilidade política atinge uma situação de pré-guerra civil com confrontos entre unidades militares e com a sublevação de unidades do exército, nomeadamente da aviação do exército (na altura não havia Força Aérea).

A instabilidade generalizada atinge um ponto de rutura e leva alguns dos principais comandos militares a uma revolta.

A revolução propriamente dita tem origem em Braga, a capital da província do Minho, uma das regiões mais povoadas de Portugal. O comando das operações é assumido pelo General Gomes da Costa, que chega à cidade na noite do dia 27.

A 28 de Maio, uma Sexta-feira, é proclamado o movimento militar e inicia-se a movimentação de forças desde Braga para Lisboa. Ao longo do dia seguinte, Sábado, 29 de maio, unidades militares de todo o país declaram o seu apoio aos militares golpistas, enquanto em Lisboa a chefia da polícia também adere ao golpe.

Gomes da Costa comanda em Braga as forças do Regimento de Infantaria nº 8.

No entanto, opõem-se-lhe as forças comandadas, desde o Porto, pelo comandante da III Divisão do exército, Gen. Adalberto Sousa Dias, que manda as suas tropas avançar em direção a Braga e assumir posições defensivas em Famalicão, a meio caminho entre o Porto e a cidade revoltosa.

Mas no dia seguinte, 29 de maio, são anunciadas adesões ao golpe por parte de divisões militares com base em Vila Real, Viseu, Coimbra, Tomar e Évora (4ª Divisão), isolando as forças do Porto.

No Domingo, 30 de Maio, o comandante da III Divisão anuncia que as suas forças também aderem ao golpe, deixando assim o caminho livre para as tropas de Gomes da Costa que marcham pelo Porto sem oposição.

O Governo, em Lisboa, verificando não ter qualquer capacidade para controlar a situação, apresenta a demissão ao Presidente da República Bernardino Machado.

Na Segunda-feira, dia 31, o poder está formalmente nas mãos de Mendes Cabeçadas, com a resignação oficial de Bernardino Machado, embora nesse mesmo dia ainda ocorra a última sessão da Câmara dos Deputados e do Senado. O palácio de S. Bento, será encerrado na tarde dessa Segunda-feira pela GNR, e só voltará a receber deputados eleitos, 49 anos depois, em 1975.

Na Terça-feira, dia 1 de Junho, quatro dias depois de a coluna de tropas revoltosas ter saído de Braga, encontra-se em Coimbra, onde o líder da revolta militar declara a formação de um triunvirato governativo ao qual presidirá e que será também constituído por Mendes Cabeçadas e Armando Ochoa.

O movimento militar, transforma-se então numa autêntica revolução com a adesão de inúmeros sectores da sociedade portuguesa, desejosos de acabar com o clima de terror e violência que se tinha instalado no país.

 


A imagem mostra as forças militares lideradas pelo General Gomes da Costa, sublevadas em Braga em 28 de maio de 1926, acampadas junto ao rio Trancão, em Sacavém, antes do seu avanço sobre Lisboa. (Imagem: Fundação Mário Soares)

No dia 3 de junho, Quinta-feira, as tropas de Gomes da Costa chegam a Sacavém, e a situação aparece confusa, pois não há exatamente a certeza de quem deverá formar parte do novo governo. Entre as novas figuras, surge a do crucial Ministro das Finanças, um professor de Coimbra, que mais tarde assumirá a chefia do Governo, Oliveira Salazar.

No dia seguinte, Sexta-feira, 4 de junho, o comando é transferido para a Amadora, onde chegam também forças da 4ª Divisão vindas de Évora.

No dia 7 de junho de 1926, as várias colunas militares que, entretanto, se formaram efetuam uma parada militar em Lisboa que serve também como afirmação de força, na qual participam 15.000 homens.

A revolução implantou um regime militar que duraria formalmente até 1933, sendo seguido pela aprovação de uma nova Constituição e pela institucionalização do «Estado Novo», na realidade uma II República que, curiosamente, acabaria por consolidar as próprias instituições republicanas.


Campo da Vinha, em Braga 


 O Lar Conde de Agrolongo situa-se no antigo Convento do Salvador

 


Igreja do Pópulo

 


Neste local formaram as forças militares que em 28 de maio de 1926 marcharam em direção a Lisboa para colocar termo à Primeira República

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