MINHOTOS LEVARAM ARROZ PICA NO CHÃO – VULGO CABIDELA – A TODOS OS CONTINENTES NA EPOPEIA DOS DESCOBRIMENTOS
O arroz pica-no-chão - tal como é designado
no Minho a cabidela - é um dos mais afamados pratos da cozinha tradicional
minhota. Mas, não existe quem não o aprecie um pouco por todo o país e ainda em
terras longínquas onde as naus e caravelas nos levaram desde o século XV.
Com algumas semelhanças ao sarapatel – outra iguaria que os
minhotos levaram até aos confins da Ásia – a Cabidela é atualmente uma
especialidade da nossa cozinha tradicional muito apreciada em Cabo Verde onde é
conhecida por “arroz de cabidela”, em Angola como “galinha à Cabidela”, em
Macau que derivou na “Cabidela de Pato”, em Goa como “Cabidela de Leitão” e, no
Brasil, como “Galinha ao molho pardo”. Em Angola, por vezes acompanhado por angu, termo proveniente do dialeto
quimbundo que identifica um preparado de fubá ou
seja, uma farinha produzida a partir do milho ou arroz moído. Foi no século
XVIII introduzida no Brasil pelos portugueses, substituindo frequentemente a
farinha de mandioca.
A utilização do sangue na confeção dos alimentos é um
costume antigo de muitos povos. Entre nós, existem registos do seu emprego pelo
menos desde o século XVI, com aplicação no cozinhar do pato, perú, porco,
cabrito e outras peças de caça, além naturalmente da galinha que a imaginação
dos minhotos levou a designar por “arroz pica-no-chão”.

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