PONTE DE LIMA: ESPECIAL CARNE MINHOTA REMATOU COM PUDIM EÇA DE QUEIRÓS – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS
Decorreu ontem no Morgado ´s em
Ponte de Lima, mais um jantar – tertúlia do Clube de Gastronomia, desta vez
designado de Especial Carne Minhota, pois esse foi o produto
regional escolhido para cardápio.
Com dezena e meia de convidados,
entre eles salientamos as presenças do director de Cuidados de Saúde Primários
na ULSAM (Hospitais e Centros de Saúde do Alto Minho) e vice-presidente da
Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Nelson Rodrigues; director
geral da Carsiva, unidade de corte, desmanche, embalagem e distribuição de
carne bovina, Vitor Silva e seu director de exportação, Ricardo Matos;
secretário particular do Bispo da nossa diocese, Francisco Remy; Presidente
local Liga dos Combatentes, Manuel Pereira; os mestres cozinheiros Paulo
Santos, Domingos Gomes e João Leonardo Matos; Presidente da Junta de Arcozelo,
Acácio Fernandes; secretário – técnico da Associação de Produtores de Raça
Minhota, João Sobreiro, entre outros.
Num entretém para o momento mais
demorado do arrolamento alimentar, o nosso jovem João Matos reproduziu parte do
Jantarinho à Eça de Queirós, a versão que levara a Bruxelas e mereceu
reportagem da revista local Contato, número 163, Março do ano
passado.
Os sabores em causa iniciaram-se
com os cogumelos Portobello recheados com alheira de galo MinhoFumeiro, queijos
Mozarella ralado (Itália) e flamengo Aromas4You (Ponte de Lima), com
sobreposição de ovos de codorniz, receita adaptada da narrativa de Eça. Seguiu-se
a novidade: empadas de carne minhota, com base de massa quebrada, num refogado
onde João juntou cenoura, cebola, alho, pimento e louro. A iguaria seguinte
chegava á mesa: a Quiche Ponte de Lima, com seu recheio de alheira de galo e
especiarias. Mais outros petiscos se somaram: fatias de paio escarlate da Arte
dos Sabores, numa evocação literária queirosiana nos “Contos”, e mais
acrescentou o patrão da casa, Filipe Morgado: salada de atum com feijão frade,
azeitonas marinadas em azeite, alho e tomilho, queijos de cabra e vaca, etc.
Com primeiro descanso de
talheres, as intervenções assinalaram os concelhos minhotos produtores da raça
certificada há treze anos, a proposta para um outro produto com carne minhota a
apresentar na Dinamarca, intercâmbios gastronómicos com mais parceiros do Clube
e visita ás instalações da Carsiva em Fontão.
Chegou a vez do apetite para a
carne – Rainha da região! Cozinhada sob a forma de naco, Filipe Morgado exibiu
também invulgar receituário: a peça, grelhada, acompanhou com assados de batata-doce,
outra normal aos gomos, chapéus de cogumelos shiitake, originário
da Ásia, esparregado de grelos e tomate cereja. Contemplou-nos, deste modo, o
chef internacional com nova versão deste prato típico de Ponte de Lima, face ás
duas já existentes.
Com um segundo intervalo,
voltaram as tagarelices: desta vez, era a expansão da carne minhota, já
utilizada em hambúrgueres em restaurantes de Barcelos.
Regresso aos lugares e mais
trabalho: as sobremesas, ansiadas e muita curiosidade. Por falta de espaço,
resumimos, com o Pudim gelado de Josefina Eça de Queirós, irmã da mãe do
escritor, que chef Morgado explanou desde recurso a medidas antigas, a canada
(equivalente hoje um litro leite aproximadamente) e ingredientes: canela, casca
de limão ralada, vinho branco, gemas de ovos, … A receita datada de cerca 1860
encontra-se no arquivo da família Coelho Vilas Boas, das Casas da Boa Viagem,
em Viana do Castelo, e na do Cruzeiro, em Ponte de Lima.



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