PRIMEIRO EMPARCELAMENTO RURAL EM PORTUGAL EFETUOU-SE HÁ 50 ANOS NO CONCELHO DE PONTE DE LIMA
Há sessenta e quatro anos, realizou-se no vale de Estorãos, no
Concelho de Ponte de Lima, o primeiro emparcelamento da propriedade rústica em
Portugal, incluindo a implementação do regadio, processo que envolveu as
populações rurais das freguesias de Estorãos, Moreira do Lima e S. Pedro de
Arcos.
Na ocasião, o tema foi debatido na Assembleia
Nacional. Pelo seu notável interesse, transcreve-se do Diário das Sessões as
intervenções realizadas a propósito por vários deputados, na sessão de 12 de
Janeiro de 1962, a qual foi presidida por Mário de Figueiredo, mantendo-se a
grafia original.
"O
Sr. Reis Faria: - Sr. Presidente, Srs. Deputados: ao falar nesta Assembleia
pela primeira vez, vão para V. Exa., Sr. Presidente, as minhas primeiras
palavras, palavras de admiração, de respeito, de muita consideração.
Desde muito novo me habituei a ouvir falar de V. Exa, sempre no
plano dos homens excepcionais, das inteligências privilegiadas que conduziam o
País e que, quer na Universidade de Coimbra, como ilustre professor, quer nos
Ministérios, onde V. Exa. deixou a marca da sua inteligência e do seu trabalho,
quer nesta Assembleia, onde através de tantas legislaturas a opinião de V. Exa.
foi sempre acatada, estimada e onde por vezes as circunstâncias mais delicadas
ou mais difíceis foram dominadas por V. Exa. com utilidade, fulgor e brilho
invulgares, sempre se afirmou V. Exa. um dos melhores valores positivos que,
vindos desde a primeira hora, construíram o Portugal de hoje.
Faltam-me qualidades e mérito para que o meu elogio algum valor
tenha para V. Exa, mas a sinceridade da sua expressão e o desejo que tinha de
poder dirigir a V. Exa. Esta minha saudação emprestam-lhe um valor que as
palavras não alcançam.
Espero que no decorrer desta legislatura, a que os meus
conterrâneos me trouxeram e em que procurarei trabalhar para de certo modo
corresponder ao mandato que me confiaram, possa afirmar a V. Exa. todo o meu
desejo da maior e mais leal colaboração.
A todos os meus colegas nesta Assembleia desejo apresentar
igualmente as minhas saudações da mais franca e leal camaradagem.
Sr. Presidente: quase mal parece que venha pronunciar-me sobre
assunto que tão arredio está da minha formação profissional e para o qual não
me sinto determinado senão pelo mandato que me foi conferido e que me envolveu
num conjunto de circunstâncias tais que me levaram a dizer algumas palavras
também sobre a proposta de lei do emparcelamento da propriedade rústica.
E precisamente em Viana do Castelo, nas freguesias de Estorãos,
Moreira de Lima e S. Pedro de Arcos, do concelho de Ponte de Lima, que está em
estudo e em vias de realização o primeiro emparcelamento da propriedade rústica
efectuado no País.
Ligado no distrito como estou, não podia, pois, por esse motivo,
deixar de apreciar a proposta de lei agora em discussão.
Não o vou fazer como técnico, que não sou, mas apenas no plano
geral de ideias, de vantagens, de incidências económicas ou de potencialidades
de progresso.
Numa afirmação à priori quero dizer que vejo nesta proposta de
lei as maiores possibilidades de progresso da nossa agricultura e que, mesmo
quando alguma das suas disposições nos pareça discutível com a nenhuma
experiência que há, só a sua aplicação prática lhe poderá vir a trazer mais
tarde a conveniente ou eficaz correcção.
Contudo, impressiona-me extraordinariamente, através dos dados
que tão amável como abundantemente me foram fornecidos por S. Exa. o Secretário
de Estado da Agricultura, pela Junta de Colonização Interna e por alguns outros
dados que pude colher, que noutros países mais avançados do que o nosso só se
tenha começado a fazer emparcelamento quando a produtividade e a rentabilidade
da agricultura já tinham alcançado níveis de que nós ainda hoje estamos muito e
muito afastados.
Lançou-se mão do emparcelamento por ser nesses países
praticamente a única, forma de alcançar resultados ainda superiores aos já
normalmente então atingidos.
Isto é: o emparcelamento é um meio, não é um fim, e até a
pequena ou muito pequena lavoura pode ser altamente produtiva, pelo menos em
relação à nossa, sem se fazer emparcelamento. É claro que, feito este, ainda
melhorará.
E impressionante, neste aspecto, a nossa comparação com a
Bélgica. Ficam para os técnicos todas as explicações das diferenças do complexo
agro-climático dos dois países e possibilidade de actuação cá e lá, mas os
números são de tal grandeza que não posso deixar de os comentar.
Trata-se de um país com uma população sensivelmente igual à de
Portugal, com uma área cultivável de cerca de um terço da nossa, mas com um
rendimento e uma produtividade muito superiores.
A população activa é sensivelmente igual à portuguesa, cerca de
40 por cento da população total, mas desta a população activa no sector
primário é hoje ape-nas de 10 por cento, contra 49 por cento em Portugal.
Aqueles 10 por cento de população activa contribuem com 9 por cento para o
produto nacional bruto, enquanto os nossos 49 por cento contribuem apenas com
28 por cento.
Pouco nos dizem ainda estas percentagens se não as traduzirmos
em números reais, pois então o seu afastamento é bastante mais flagrante. A
população activa agrícola belga anda por pouco mais de 300 000 pessoas e em
Portugal ultrapassa o milhão e meio. Sabendo que a área agrícola belga é de
cerca de um terço da portuguesa, necessitaríamos nós apenas de um escasso
milhão de pessoas na agricultura. Há, pois, mais de meio milhão excedentário,
para o qual os problemas de desemprego ou de subemprego se devem revestir de
formas bem difíceis.
Se a estrutura agrícola belga não se livra de críticas e foi
necessário dar-lhe remédios e introduzir várias modificações, o que diremos da
nossa!
Na mesma época, quando o salário industrial médio belga se
elevava a 30 800$ por ano, a capitação na exploração agrícola de 8 ha a 15 ha
atingia 24 600$, aproximadamente tripla da nossa na agricultura e só
comparável, mas mesmo assim superior, ao nosso salário industrial médio.
Isto é: antes do emparcelamento já o trabalhador agrícola belga
ganhava mais do que o operário industrial em Portugal. E é evidente que ainda
melhorou com o emparcelamento e se espera continue a melhorar.
De todos estes números também se verifica facilmente que já hoje
o sector agrícola belga, com a terça parte da área cultivável à sua disposição,
produz em números absolutos uma participação para o produto nacional bruto
cerca de 50 por cento superior ao do sector primário português, isto é: se a
agricultura portuguesa produzisse no mesmo ritmo de produtividade da
agricultura belga, ela só por si contribuiria para o produto nacional bruto com
um quantitativo igual ao que é hoje a sua totalidade.
Que novas perspectivas se abririam nestas condições para a
economia portuguesa! E que fantástico aumento de poder de compra para poder dar
vida e possibilidades à nossa indústria!
Simplesmente, tudo isto equivale a quase quintuplicar a
produtividade actual da nossa agricultura e a dar uma nova arrumação, a meio
milhão de pessoas activas, ou seja cerca de milhão e meio da população total.
E contudo, se todos quisermos trabalhar, na paz e na
tranquilidade, com o mesmo, sentido de progresso do País, não nos parece esta
conclusão insuperável nem utópica, nem sequer muito dificilmente realizável,
por arrojado que pareça afirmá-lo. O que requer é muito estudo e perseverança,
e o segundo problema encontra-se resolvido uma vez dada solução ao primeiro.
E evidente que uma exploração intensiva e racional da nossa
agricultura traz consigo um desenvolvimento industrial paralelo, pelo aumento
de poder de compra de um largo terço da população do País, pela criação de
novos serviços e novas indústrias afins com a exploração agrícola intensiva, e
fàcilmente será absorvida essa parte de população agora excedentária e
subempregada.
Então chegaríamos certamente à falta possível de mão-de-obra, a
um emparcelamento forçoso e mais arrojado e a uma mecanização racional da
agricultura largamente compensadora.
Parece, pelo que fica dito, que estamos mais a criticar do que a
louvar a proposta de lei, mas não é assim: apenas estamos a tentar esclarecer o
clima e a conjuntura em que aparece o emparcelamento para melhor concluirmos da
sua necessidade, urgência e alto valor económico no nosso condicionamento
actual.
Em afirmações de fácil demagogia têm sido quase sempre atacados
os detentores da grande propriedade e as reformas agrárias têm começado mais
fàcilmente pelo desemparcelamento do que pelo emparcelamento; e contudo talvez
o desenvolvimento da mentalidade industrial, que tudo faz depender da
capacidade de produção e dos preços de custo, nos tenha levado a pensar a
agricultura dentro de pensamentos idênticos ou paralelos.
Para poder estabelecer uma comparação e para fixar ideias
poderemos assimilar o minifúndio ao artesanato, o latifúndio à grande unidade
industrial. No meio fica a média propriedade, de dimensões extraordinariamente
variáveis com as circunstâncias de tempo e de lugar, mas que tem uma função
económica e poderá ser tão rentável como qualquer das outras. E tudo uma
questão, não de ideia feita, mas de proporção e estudo.
E evidente que neste momento, pelo condicionalismo próprio da
nossa agricultura, é o minifúndio o grande culpado do nosso atraso, como o
artesanato já o foi e hoje é assim como já noutras épocas definitivamente
ultrapassadas, tanto um como outro foram o nosso melhor apoio na economia de
então.
Mantendo esta comparação do minifúndio com o artesanato, resulta
imediatamente bem clara a vantagem do emparcelamento e daí o seu sucesso e
fácil aceitação.
Nesta altura temos, porém, de fazer uma crítica à proposta de
lei, que é a de não fixar ao menos um critério, e desde já, para a definição de
unidade de cultura e de casal familiar. Ora é evidente que enquanto uma
propriedade, emparcelada ou não, produzir um rendimento líquido para as pessoas
nela ocupadas inferior ao rendimento per capita do produto nacional, esta
propriedade terá forçosamente de ser remodelada e integrada na sua verdadeira
função económica, visto ser um factor de retrocesso e diminuição da economia do
País; é um caso de interesse público, e enquanto tal critério é há muito motivo
de forte preocupação e estudo para quem se dedica à indústria, ainda na
agricultura esta ideia é incipiente ou até francamente desprezada.
Na comparação atrás feita com os números da agricultura belga é
fácil ver que temos um largo caminho a andar e que a noção de unidade de
cultura terá de ser uma unidade abstracta.
O casal familiar poderá medir-se por um determinado número de
unidades de cultura, pois esta noção varia no tempo e no lugar e à medida que
se conseguir para a nossa agricultura uma melhor produtividade.
Não temos dúvidas das possibilidades da nossa agricultura e não
teríamos necessidade de comparar com ninguém, nem de citar os números da
Bélgica, se não tivéssemos querido situar bem a posição do nosso atraso, frisar
bem a pobreza dos nossos números e as largas possibilidades que se nos
oferecem.
Num livro que tão amavelmente nos foi oferecido pelo ilustre
Prof. Eng.º Eugénio de Castro Caldas afirma-se a pp. 22 e 23:
O solo tem vida; evolui, progride ou retrocede.
E mais adiante:
Nas regiões do Norte, que dão a falsa imagem de um completo
aproveitamento de recursos agrícolas, muito se pode ainda conseguir.
E ainda diz o ilustre professor:
... e até, frente a Lisboa, nas areias do Pliocénico a sul do
Tejo, falsos desertos, ou melhor, desertos de iniciativas.
Desertos de iniciativa humana; é este o enquadramento de muitos
dos aspectos da nossa agricultura ... à imagem e semelhança de certos quadros
da nossa indústria.
No ainda recente contacto que tivemos com os agricultores de
Estorãos, onde se está a realizar o primeiro emparcelamento do País, foi-nos
imediatamente apontado, na leva de entusiasmo e esperança desse povo pelo
emparcelamento, que de tão bom grado aceitou, mercê não tanto da sua
compreensão do problema, como muito mais da paciente, esclarecida e diplomática
acção, chamemos-lhe assim, dos técnicos que estão realizando aquela obra,
foi-nos apontado, a título de exemplo e de esperança, um resultado obtido num
campo, aliás ainda não emparcelado, mas já cultivado sob a orientação desses
técnicos e em que normalmente se obtinha uma média de sete rasas de milho: este
ano, sem ser ano excepcional, mas mercê da técnica, tinham-se obtido 50
alqueires, isto é, um rendimento sete vezes superior.
Também me foi feita lia altura uma, outra afirmação, que pode
constituir, até certo ponto, o reverso da medalha.
Pensam os lavradores de Estorãos que, no futuro, mercê do
emparcelamento e das novas técnicas, 80 por cento do milho produzido não é
necessário para o consumo local e poderá ser vendido, enquanto hoje não chegam
a produzir o milho necessário para o seu consumo.
Perante esta mudança de situação e a seguir-se e confirmar-se
tão brilhante exemplo, é evidente que o milho passaria a sobrar largamente no
Norte do País; o seu preço aviltar-se-á e poderá atingir níveis tão baixos que
a sua cultura, mesmo em alta produtividade, volta a ser deficitária.
Poderão, é certo, as propriedades emparceladas suportar esse
aviltamento de preço por unia exploração mais racional, mais económica e de
mais alta produtividade, mas nesse momento os outros pequenos proprietários não
emparcelados ou tecnicamente mais atrasados nas regiões vizinhas estarão já a
atingir níveis de miséria. Novos problemas, a que urgirá dar novas soluções.
Parece-me preferível começar desde já a encarar o problema em
toda a sua verdadeira extensão e a procurar prever antes de ter de remediar.
O emparcelamento é uma solução cora e vai trazer ao Estado novos
e avultados encargos. Se dele se tinir toda a sua rentabilidade potencial,
pagará largamente o esforço desenvolvido; se, porém, se deixar entregue a si
próprio, em tentativas mais ou menos demoradas e esporádicas, pode-se cair no
erro de a sua rentabilidade não justificar o investimento.
Na sua primeira fase o em parcelamento pouco pode aumentar u
produtividade: é apenas uma modificação horizontal de estruturas em que há umas
áreas agora perdidas, com divisórias a aproveitar, e uma mecanização a
utilizar. Se a actuação dos técnicos se limitar a isso, duvidamos de que o
esforço a realizar seja rentável; porém, como no caso já citado de Estorãos,
esperamos que o simples contacto com os técnicos e os seus conselhos produza
resultados bastante mais brilhantes, mas para isso é indispensável que para
além do simples emparcelamento se queira e possa fazer um melhor ordenamento
agrícola, arranjo ou planificação das áreas emparceladas.
O Sr. António Santos da Cunha: - Muito bem!
O Orador: - Isso quer estudo e mesmo investigação; quer trabalho
de conjunto, não de um técnico, mas de vários especialistas, e não se pode
limitar a uma zona, mas ao conhecimento pleno e ao ordenamento total do País.
O Sr. António Santos da Cunha: - Muito bem!
O Orador: - O emparcelamento pode ser, pelas suas virtualidades
próprias, o dinamizador necessário de vontades que alterem, modernizem, enfim
actualizem a nossa mais que deficiente estrutura agrária.
Percorrendo o Alto Minho, onde a propriedade se encontra mais
pulverizada que em qualquer outra parte do País, verifica-se imediatamente que
mesmo aí não são muitas, nem muito extensas, as áreas emparceláveis. Não vemos
muito facilmente como o acidentado do terreno o poderá permitir, e contudo é
onde ele seria mais necessário, pela extrema divisão da propriedade. Não
podendo fazer emparcelamento, está então toda esta lavoura minhota condenada
para sempre a um atraso irremediável? Custa-nos a crer que assim seja.
O emparcelamento é mais um meio do que um fim, mas é um meio
poderosíssimo do qual podem sair noções mais claras sobre as nossas estruturas
económicas ligadas à agricultura.
Pela sua relativamente pequena extensão possível, pelo menos
nesta sua. primeira fase, não vai resolver definitivamente os nossos problemas
agrícolas; contudo, a necessidade de preservar e tornar mais produtivo o
capital investido certamente nos vai trazer um princípio de actuação sobre os
verdadeiros males de que enferma a nossa lavoura.
Mais que uma solução, considero-o um campo experimental, mas que
pode ser largamente produtivo, e digo isto porque é. evidente que nos outros
países mais progressivos quando se começou a fazer emparcelamento, já a
agricultura, embora com grandes problemas, se encontrava num estado de
adiantamento e de rentabilidade muito superior ao da nossa.
Há uma necessidade urgente de aumentar o nível cultural, e de
informação das populações rurais, pois que o seu primitivismo, rotina ou
ignorância é suficiente para inutilizar as melhores intenções.
É indispensável uma melhor e mais completa assistência técnica,
e não só em superfície como em profundidade. O conhecimento da agricultura e
dos seus problemas nas populações rurais deve vir desde a escola primária. São
necessários capatazes, feitores, regentes agrícolas, engenheiros agrónomos em
quantidade suficiente e suficientemente esclarecidos e orientados para
modificarem o carácter do nosso lavrador e fazerem pressão nele para acompanhar
o progresso do Mundo e contribuir de uma forma fundamental e poderosíssima para
o progresso do País.
O Sr. António Santos da Cunha: - Se me dá licença, folgo muito
em que seja posta de novo em evidência esta necessidade de técnicos, técnicos e
mais técnicos.
Ainda outro dia, quando aqui se discutia a Lei de Meios, aludi à
necessidade da criação de novas escolas, escolas de toda a espécie, para
podermos recrutar o maior número possível de técnicos.
Fala-se em planos de fomento e em tudo, mas esquece-se que não
conseguimos arranjar artífices e técnicos para levar avante as obras
respectivas. E, no entanto, é uma necessidade imperiosa e premente.
O Orador: - Estou perfeitamente de acordo com V. Exa., pois não
há dúvida que precisamos de escolas, desde a instrução primária até às
superiores.
Há dois anos que o sector primário não contribui para o aumento
do produto nacional, e, contudo, há países mais progressivos em que nestes dois
anos a agricultura aumentou em quase 30 por cento essa comparticipação.
Torna-se indispensável um conjunto seriamente articulado de
providências destinadas a corrigir as nossas deficientes estruturas económicas.
Criou-se para isso, paciente e laboriosamente, toda uma
organização corporativa que estrutura o País. Há que tirar dela todas as suas
magníficas possibilidades.
E do trabalho de conjunto, articulado, de todos estes diferentes
sectores da actividade nacional que a agricultura poderá beneficiar e progredir
como é indispensável para o País nesta conjuntura, actualizar-se e pôr-se a par
das mais progressivas, dando assim, pelo seu enormíssimo aumento de poder de
compra, o maior e mais eficaz impulso à industrialização do País, que
difìcilmente se torna possível no meio de uma agricultura dia a dia mais pobre,
sujeita sempre aos caprichos do clima e do tempo, de que ainda não soube ou não
pôde libertar-se dentro de medidas que para outros já são correntes.
Esperamos que será o emparcelamento um começo de esforço
positivo nesse melhor sentido.
Tenho dito."


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