QUEM FOI O ARTISTA BRACARENSE ANDRÉ SOARES?
André Soares, de seu nome completo André
Ribeiro Soares da Silva, nasceu em Braga no dia 30 de Novembro de 1720, na
residência de seus pais, situada na rua do Souto. Era filho do comerciante João
Soares da Silva, natural de Parada de Barbudo (Vila Verde) e de Isabel Ribeiro,
de Braga.
Pensando
seguir a vida religiosa, tomou ordens menores no Seminário Arquidiocesano em
Abril de 1737, mas no ano seguinte, entrou para a Irmandade do Doutor Angélico
S. Tomás de Aquino, de que faziam parte jovens pertencentes a famílias
distintas da cidade. Depois da morte do pai (1753), passou a viver com a mãe e
o irmão mais velho, numa casa da rua de S. Miguel-o-Anjo. Morreu, solteiro, em
26 de Novembro de 1769, com apenas 49 anos de idade.
O seu talento natural levou-o a enveredar, desde cedo, por uma
carreira artística que exerceu como amador, já que os recursos da família lhe
permitiam não ter de trabalhar para sobreviver.
Quanto à sua aprendizagem artística, nada se sabe. É provável
que tenha consultado livros e gravuras na biblioteca do Paço dos Arcebispos e
noutras livrarias conventuais, que lhe terão permitido obter conhecimentos
sobre as tendências barrocas seguidas em Portugal e no estrangeiro.
André Soares foi um notável artista bracarense do Séc.XVIII,
famoso pela excelência das suas obras e criador de uma versão muito pessoal do
estilo barroco-rococó. Não só na arquitetura e na escultura em pedra e madeira,
mas também na pintura, ourivesaria, iluminura de códices e documentos, ferragem
de bronze dourado e azulejo se veio a reflectir essa nova expressão soaresca,
patente nos seus trabalhos existentes em Braga e noutros lugares,
principalmente na província do Minho.
Inexplicavelmente, depois da sua morte caiu no esquecimento até
que, em 1958, o professor Robert Smith lhe atribuiu a autoria da Igreja de
Santa Maria Madalena, no monte da Falperra, e do seu retábulo principal.
Documentos descobertos posteriormente revelaram várias obras suas e, por
estudos comparativos, muitas outras lhe foram atribuídas, o que lhe restituiu o
lugar destacado de que é merecedor, entre os grandes valores da arte portuguesa
de Setecentos.
São inúmeras as obras de André Soares que enriquecem o
património artístico de Braga e das zonas suburbanas do Bom Jesus, Falperra e
Tibães. Todas elas reflectem a “ revolução” que então se registou nesta região,
sobretudo no domínio da arquitectura e da talha, e justificam bem a designação
de “ cidade soaresca ” atribuída a Braga por Robert Smith.
De todo esse legado, destacam-se alguns exemplares de
arquitectura civil e religiosa, como o magnífico Palacete do Raio; o Arco da
Porta Nova, construído postumamente; o interessante Oratório de N.ª S.ª da
Torre; a extraordinária fachada da Igreja dos Congregados e Capela dos Monges
ou da Senhora da Aparecida. A sua arte aparece também espelhada em excelentes
trabalhos de talha (retábulos, sanefas e caixilhos), disseminados por vários
templos.
Nas zonas periféricas da cidade sobressai, no monte da Falperra,
a espectacular fachada da Igreja de Santa Maria Madalena; no Bom Jesus, várias
capelas, chafarizes, tarjas e algumas estátuas, no espaço fronteiro ao
Santuário e, na Igreja do convento de S. Martinho de Tibães, diversos trabalhos
em talha dourada.

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