ESPOSENDE: A FAINA DO SARGAÇO E DO PATÊLO NA APÚLIA
Apanha do sargaço. Foto: Jornal de Notícias
A
principal finalidade da apanha do sargaço consistia na fertilização dos campos
de masseiras. Porém, algumas espécies de algas como a botelha serviam
para a produção de tintura de iodo, a guia para outras aplicações medicinais e a beleza para o
fabrico de sabonetes e outros cosméticos, reservando-se a taborra e o maio para a
adubagem dos campos.
Com
o decorrer do tempo, a faina do sargaceiro foi caindo em desuso, apenas
persistindo a sua memória na representação do nosso folclore. Não obstante, as
suas ricas propriedades medicinais e alimentares, para além de constituírem um
fertilizante natural, prenunciam o regresso dos sargaceiros, naturalmente sem o
aspeto pitoresco de outros tempos.
"No Agosto começa a faina do patelo, assim se chama ao mexoalho ou pilado, que se deita vivo à terra para estrume. Junta-se no mar uma esquadra de barcos, que vêm da Póvoa, de Viana e de Caminha; junta-se na praia uma fiada de carros de todas as aldeias, próximas ou longínquas, que o transportam para o interior das terras. O areal está alastrado de patelo que remexe. Vende-se a lanço ou a cesto, que leva cada um dois alqueires, e custa três tostões. E por toda a costa neste tempo vai a mesma agitação na apanha do sargaço…”
Raul Brandão, de Caminha à Póvoa



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