PAULO FERNANDES: UM EMIGRANTE FAFENSE ENTRE DUAS PÁTRIAS AO SERVIÇO DA SUA TERRA - CRÓNICA DE DANIEL BASTOS

Uma das marcas mais características das comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é, indubitavelmente, a sua dimensão empreendedora, como corroboram as trajetórias de inúmeros compatriotas que criam empresas de sucesso e desempenham funções de relevo nos mais diversos domínios da vida cultural, social, económica, política e associativa.
Entre os vários exemplos de afirmação, difusão e promoção da presença portuguesa na iáspora, cada vez mais percecionada como um ativo estratégico para o desenvolvimento e reconhecimento de Portugal, destaca-se, ao longo dos últimos anos, a trajetória de vida de Paulo Fernandes, um genuíno emigrante bairrista e altruísta, profundamente ligado às suas raízes e ativamente dedicado ao associativismo, que vive e trabalha na Bélgica.
Natural de Vila Cova, pequena povoação rural do concelho minhoto de Fafe, onde nasceu em 1976, no seio de uma família humilde e de parcos recursos, Paulo Fernandes, como tantos outros conterrâneos e compatriotas, conheceu desde muito cedo os caminhos da emigração como forma de procurar melhores condições de vida. Aos 14 anos, partiu para a cidade francesa de Marselha, onde trabalhou no setor agrícola durante cerca de dois anos, regressando posteriormente a Portugal, onde cumpriu o serviço militar e, mais tarde, constituiu família com aquela que viria a ser a sua companheira de vida, Marisa Peixoto, também natural do concelho de Fafe.
O jovem casal fafense, à semelhança de milhares de portugueses, rumou, nos primeiros anos do século XXI, para a Bélgica, país que acolhe uma das mais numerosas e dinâmicas comunidades portuguesas da Europa. A presença portuguesa no território belga, constituída por várias gerações de emigrantes e por uma expressiva população de lusodescendentes, mantém uma forte vitalidade social, económica, cultural e associativa, fazendo da Bélgica um dos principais destinos da emigração portuguesa contemporânea.
Numa primeira fase, ambos trabalharam numa empresa de embalamento de frangos, situada em Rotselaar, na região da Flandres. A partir de 2006, foram contratados como casal de governantes por uma família belga empreendedora de Petit-Enghien, localidade situada na província de Hainaut. É neste contexto profissional que Paulo Fernandes se tornou, desde então, homem de confiança de uma das principais famílias belgas ligadas ao setor da saúde, com atividade na Bélgica, no Luxemburgo e na Suíça.
A par do percurso profissional construído no país de acolhimento, Paulo Fernandes nunca perdeu a ligação ao torrão natal. Profundamente ligado às suas raízes, tem realizado, ao longo dos últimos anos, diversos investimentos imobiliários no concelho de Fafe e apoiado causas sociais e pessoas em situação de vulnerabilidade económica. O emigrante empreendedor, conhecido pelo trato fácil, pela humildade e pela generosidade, encontrou também no associativismo uma forma privilegiada de continuar a servir a sua terra.
 Há cerca de uma década, assumiu a presidência do GAT – Associação Grupo de Amigos de Travassós, uma associação sem fins lucrativos e clube desportivo sediado na freguesia de Travassós, terra natal da sua esposa, e que se afirmou, entretanto, como uma das mais dinâmicas e representativas coletividades do concelho de Fafe.
O conhecido dirigente associativo local, radicado na Bélgica, personifica, de certa forma, esse singular “homem ubíquo” de que falava Miguel Torga, alguém dividido entre duas pátrias, a de acolhimento e a de origem, mas capaz de transformar a distância geográfica numa ponte permanente entre ambas. Com uma enorme capacidade de sacrifício pessoal, familiar e profissional, e contando com o apoio de uma direção constituída por elementos ativos e dedicados, Paulo Fernandes desenvolve uma relevante intervenção associativa em Fafe, assumindo-se como um dos rostos mais visíveis de uma coletividade que reúne cerca de uma centena de atletas nas modalidades de futebol e futsal.
Sob a sua liderança, o GAT dispõe atualmente de uma das mais recentes e modernas sedes associativas do concelho, um espaço que ultrapassa a sua dimensão estritamente desportiva e se afirma também como um importante lugar de encontro, convívio e sociabilidade da comunidade. A coletividade tem contribuído para dinamizar as tradições e a cultura local, fortalecer os laços comunitários e, simultaneamente, assumir-se como uma verdadeira bússola orientadora e promotora da participação, sobretudo entre os mais jovens.
O percurso de Paulo Fernandes é, assim, particularmente revelador de uma das dimensões mais nobres da emigração portuguesa: a capacidade de partir sem romper com as raízes. Entre a Bélgica, onde construiu a sua vida profissional e familiar, e  de pertença, de participação e de Fafe, onde mantém um forte vínculo afetivo, patrimonial e comunitário, o seu percurso demonstra que a distância não significa necessariamente afastamento. Pelo contrário, pode transformar-se numa forma renovadacompromisso com a terra de origem.
É precisamente nesta capacidade de permanecer ligado à terra de origem que reside uma das grandes forças da diáspora portuguesa. Muitos emigrantes, depois de construírem as suas vidas além-fronteiras, continuam a investir, a apoiar causas sociais, a preservar tradições, a dinamizar coletividades e a contribuir para o desenvolvimento das suas comunidades de origem. Paulo Fernandes inscreve-se nesse universo de homens e mulheres que fazem da sua condição de emigrantes uma verdadeira ponte entre Portugal e o mundo.

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