QUEM FOI DOM JOÃO PERES DE ABOIM – TROVADOR QUE NASCEU NAS TERRAS DA NÓBREGA?
Selo
de João Peres de Aboim
João Peres de Aboim nasceu nas Terras da Nóbrega, mais
concretamente em Aboim da Nóbrega, concelho de Vila Verde, em 1213, e veio a
falecer em 1285. Foi um nobre português, filho de Pero Ourigues da Nóbrega, senescal
de D. Sancho II, e de sua esposa Maria Viegas de Ribadouro.
Era casado com D. Marinha Afonso de Arganil, irmã de D. Pedro Afonso
de Arganil. Filhos do Cavaleiro Afonso Pires de Arganil que em 1219
era senhor da Vila da qual tomou o nome, o mesmo que em 1220 trouxe as cabeças
dos 5 Mártires (Missionários Franciscanos) de Marrocos, para a Igreja
de Santa Cruz de Coimbra, por ordem do Infante D. Pedro Sanches
de Portugal.
Natural do Minho, acompanhou com o pai em 1230 o infante
D. Afonso quando este saiu do Reino de Portugal e se instalou
em França. Regressou a Portugal em 1245, com o infante, depois
da deposição de D. Sancho II, vindo a ser uma das figuras de maior relevo
político na época de D. Afonso III de quem foi seu valido. Foi sub-signifer de 1250 a 1255, mordomo da
rainha em 1254 a 1259, mordomo-mor entre 1264 e 1279, tenente de Ponte
de Lima em 1259, e de Évora ou do Alentejo de 1270 até 1284.
Segundo os representantes dos concelhos, ressentidos pela grande
consideração que El-Rei D. Afonso III nutria por João e a consequente
influência de João na corte, afirmavam ser João "um fidalgo violento
e insaciável, que saqueava sem mercê os bens dos municípios e os seus
moradores". Esta conduta originou queixas dirigidas ao papa, nas
quais é afirmado que o próprio monarca não era alheio a tais abusos
ou não os queria coibir. Porém diz o Conde D. Pedro[8] "D. João de Aboim foi muito bom e muito
honrado, e El-Rei D. Afonso III de Portugal, o fez Rico homem;".
No reinado de D. Dinis o antigo mordomo-mor conserva o
seu valimento político.
Em novembro de 1258, o conselho de Évora doou-lhe e a sua esposa
Marinha Afonso e seus filhos uma herdade no mesmo conselho. Em
novembro de 1261, o rei D. Afonso deu-lhe permissão para construir um
castelo e fortaleza nesta herdade. O Bispo de Évora, D. Martinho e o
seu cabido, em janeiro de 1262, definiram a jurisdição das igrejas nas
terras de João Peres de Aboim e de sua mulher.
Em fevereiro de 1271, o casal concede à Ordem do Hospital o padroado da
igreja de Santa Maria de Portel com todas as igrejas do termo da
localidade. Neste documento, aparece seu filho primogénito, Pedro Eanes de
Portel com a sua esposa Constança Mendes. Com sua mulher Marinha, em agosto
de 1276, João Peres de Aboim, mordomo de D. Afonso III, “doam ao bispo e
cabido de Évora uma herdade em Fonte Furada, termo de Évora, pela remissão
dos seus pecados e pelos bons serviços que têm recebido da igreja eborense,
nomeadamente, no que toca às igrejas de Porte e do lugar de Marmelar”.
Em abril de 1301, Martim de Avelar, o mordomo e procurador de João
Fernandes de Lima e de sua esposa Maria Eanes, genro e filha de D. João de
Aboim, faz um escambo do Castelo
de Portel entre a viúva D. Marinha e a filha D. Maria, e o rei
D. Dinis.
João Peres de Aboim também foi trovador, autor confirmado de 14 cantigas (9
cantigas de amigo, 1 pastorela e 3 de tenção), e autor provável de mais 6
cantigas.
A Pastorela
Cavalgava noutro dia.
"Cavalgava
noutro dia
per um caminho francês
e ũa pastor siia
cantando com outras três
pastores, e nom vos pês,
e direi-vos todavia
o que a pastor dizia
aas outras em castigo:
Nunca molher crea per amigo,
pois s'o meu foi e nom falou migo.
Pastor, nom dizedes nada,
diz ũa delas entom,
Se se foi esta vegada,
ar verrá-s'outra sazom,
e dirá-vos por que nom
falou vosc', ai bem talhada;
e é cousa mais guisada
de dizerdes com'eu digo:
Deus, ora veesse o meu amigo,
e haveria gram prazer migo."
Escudo de João Peres do Aboim no seu
túmulo em Marmelar
Fonte: Wikipédia


Comentários
Enviar um comentário