ROTARY NO MINHO E NO MUNDO – CRÓNICA DE JORGE FONSECA DE ALMEIDA
Os clubes são constituídos por profissionais de ambos
os sexos. O lema rotário é “Dar de si antes de pensar em si” e o movimento
desenvolve projetos locais e internacionais de apoio às comunidades mais
carenciadas, promove a ética profissional, apoia o ensino e a educação,
fomentando o ideal de servir.
O Rotary promove também atividades para jovens
incluindo um excelente programa de intercâmbio de jovens que permite que
milhares de jovens vivam por um período de tempo num país estrangeiro.
Um dos mais conhecidos projetos rotários é o “End
Polio Now” um projeto global, iniciado em 1985, visando a erradicação da
poliomielite, ou paralisia infantil como é conhecida entre nós, de todo o
mundo. Atualmente o objetivo está cumprido a 99% mas apesar de faltar muito
pouco é necessário completá-lo para que a doença não recrudesça.
O primeiro clube rotário foi criado em 1905 por Paul
Harris na cidade de Chicago e rapidamente se disseminou pelos Estados Unidos.
“A reputação do Clube constituído por Paul Harris e seus amigos
e confrades também não tardou a divulgar-se. O segundo clube rotário foi
fundado em S. Francisco da Califórnia em 1908. No princípio do ano seguinte,
outro surgiu em Oakland. E em 1910 já havia dezasseis Rotary Clubes
disseminados' nos Estados Unido, justificando que em Agosto desse ano se
reunisse em Chicago a I Convenção Rotária e nela fosse instituída a Associação
Nacional de Rotary Clubes” (Carvalho e al, 1979).
Pouco depois o Rotary começa a internacionalizar-se com a
expansão para outros países e para outros continentes. Primeiro para o Canadá,
onde o primeiro clube foi fundado em Winnipeg, Manitoba em 1910 e para o Reino
Unido e depois para o mundo inteiro.
Em Julho de 1925, havia mais de 2.000 Rotary Clubs integrados
por mais de 108.000 rotários. O prestígio da organização atraiu para seu quadro
associativo presidentes, primeiros-ministros e personalidades ilustres, entre
eles o escritor Thomas Mann, o diplomata Carlos P. Rómulo, o humanitário Albert
Schweitzer e o compositor Jean Sibelius.
Hoje o Rotary, cuja sede mundial é em Evanston no
Estado norte-americano do Illinois, está presente 200 países e regiões, existem
32,000 clubes e 1.200.000 rotários no mundo, incluindo em Portugal.
Rotary em Portugal
O Reino Unido foi o primeiro país europeu a acolher o
movimento rotário o que aconteceu em 1911 embora tenha sido em Dublin (hoje
Republica da Irlanda) que se tenha criado o primeiro clube europeu.
Curiosamente foi em Cuba em 1916 que se fundou o primeiro clube de língua não
inglesa. Mais tarde a Espanha (1920), a França (1921), a Noruega e a Dinamarca
(1922), Itália, Holanda e Bélgica (1923) também criam clubes rotários. Note-se
que a Espanha foi o primeiro país da Europa continental a fundar um clube rotário.
O Rotary abeira-se de Portugal através do exemplo e
da ação do movimento rotário já implantado em Espanha. De facto o Rotary Club
de Madrid, justamente fundado em 1920, convida, a partir de 1924, alguns
portugueses, entre eles Ermete Pires e Curado Ribeiro, a assistir às suas
atividades. Estes vão ser a par com alguns outros elementos, com destaque para
Boaventura Mendes de Almeida, os grandes entusiastas da fundação de um clube
idêntico em Portugal o que conseguem fazer em Dezembro de 1925, fundando o Rotary
Club de Lisboa que teve como clube padrinho o Rotary Club de Madrid. O primeiro
Presidente do Rotary Club de Lisboa foi João Ulrich.
Estávamos na I Republica e começava a já octogenária
história do Rotary em Portugal.
Rotary no Minho
O movimento rotário chegou ao Minho, logo após a II
Grande Guerra, com a constituição em 1946 do Rotary Club de Braga logo seguida
pela do Rotary Club de Guimarães dois anos depois em 1948. Anos mais tarde, em
1955, foi fundado o Rotary Club de Viana do Castelo.
Curiosa é a tentativa de constituição do Rotary Club
de Viana do Castelo nos anos 30 que fracassou devido à “hostilidade do meio
religioso local”. Mais tarde em 1945 uma nova tentativa apadrinhada pelo clube
do Porto também redundou em insucesso apesar de ser ter formalmente constituído
clube mas que pouco depois desapareceu. Finalmente em 1955 foi possível
constituir o clube que se mantém até hoje. Decisivo foi o apadrinhamento do
Rotary Club do Porto. O Primeiro Presidente do Clube foi o Dr. Gaspara Peres de
Castro “secretariado pelo Eng.º João Augusto Dias
Coelho e Duarte Pereira dos Santos. O tesoureiro era o Eugénio Pinheiro e o Dr.
Élio Vasconcelos Dias pela terceira vez lá estava. Era agora o Director de
Protocolo” (Rotary Club de Viana, 2013).
Presente há mais de 65 anos no Minho o Rotary está
hoje implantado em 17 dos 24 (70%) concelhos do Minho que aqui consideramos
como a totalidade dos concelhos dos distritos de Braga (14) e de Viana do
Castelo (10). Existem, no entanto, 18 clubes nesta região uma vez que a cidade
de Braga alberga dois clubes: o Rotary Club de Braga e o Rotary Club de Braga
Norte.
A implementação concelhia é equilibrada nos dois
distritos existindo clubes em 10 dos 14 concelhos de Braga, o que corresponde a
uma cobertura de 71% e em 7 dos 10 concelhos de Viana do Castelo correspondendo
a uma cobertura de 70%.
Irradiando das capitais distritais para os restantes
concelhos, a implementação minhota do Rotary fez-se em três grandes fases.
Uma primeira tímida no final dos anos 60 do século XX
e que se estende até ao 25 de Abril e que se confinou à abertura de dois clubes
(RC de Barcelos em 1968 e RC de Vila Nova de Famalicão em 1970) no distrito de
Braga e que coincide temporalmente com o período da “primavera marcelista”.
Uma segunda que vai de 1976 a 1985 caraterizada por
um forte dinamismo em que o ritmo de crescimento é de quase um club por ano,
constituindo-se em 9 anos 8 clubes repartidos igualmente pelos distritos de
Braga e de Viana com quatro cada um.
O último período estende-se de 1985 até à atualidade
com a abertura mais esporádica e espaçada de clubes, cinco clubes em vinte e
oito anos. Tratando-se já de atingir concelhos menos populosos.
Aliás a expansão no Distrito de Braga fez-se dos
concelhos mais populosos para os menos populosos (ver Quadro 1) enquanto em
Viana do Castelo esse fator parece estar ausente (Quadro 2).
Olhando pelo prisma populacional diremos que
concelhos com menos de 12.000 residentes são demasiado pequenos para permitir a
formação de um clube. Por este critério apenas Amares e Vieira do Minho seriam
candidatos a ter um clube rotário nos próximos anos. Mas em Rotary não é o
tamanho que conta mas o espirito de solidariedade e de serviço à comunidade.
Também no Minho o Rotary tem vindo a desenvolver projetos comunitários de grande valia para as populações locais de que são exemplos recentes a oferta do Rotary Club de Guimarães de mais um desfibrilador automático externo (DAE) para ser pavilhão gimnodesportivo de Fermentões. Com a entrega deste desfibrilador, o Rotary Club de Guimarães completa um total de quarenta e cinco DAE que já disponibilizou desde 2009 a diversas instituições e coletividades de Guimarães ficando assim próximo da meta dos cinquenta DAE com iniciou este programa pioneiro em Portugal.
No âmbito das iniciativas dirigidas à terceira idade
destaque para o Rotary Club da Póvoa do Lanhoso que inaugurou em 2010 em
cooperação com a Camara local e com a Associação “Em Diálogo” uma Universidade
Sénior. Também em Fafe e em Vizela os clubes locais animam e apoiam
Universidades Seniores bastante dinâmicas.
Entrega de mais um desfibrilador automático externo desta feita
aos Bombeiros locais
Do Minho vieram também dois Governadores Rotários,
Francisco Zamith Passos de Guimarães e Fernando Lima Marques de Braga.
Bibliografia
Carvalho, Fausto Lopo, Antero Ramos Taborda e Sergio
Medeiros, (1979), Breve
História do Rotary Clube de Lisboa, Lisboa, Rotary Clube de Lisboa
Rotary Distrito 1960, (2013), A História de Rotary, http://www.rotaryd1960.pt/sites/default/files/historia_rotary_0.pdf,
acedido a 22 de Outubro de 2013
Rotary Clube de Viana do Castelo, (2013), As três
tentativas, http://www.rcviana.com/index.php?option=com_content&view=article&id=6&Itemid=84,
acedido a 22 de Outubro de 2013






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