TRADIÇÃO DO “DESPIQUE MADEIRENSE” TEM ORIGEM NOS CANTARES AO DESAFIO DO MINHO
Os minhotos foram dos primeiros colonos a
povoar a Madeira após a descoberta da ilha em 1419. A forte densidade
populacional e a escassez de terra no Minho na época incentivaram a emigração.
Estes pioneiros iniciaram o desenvolvimento económico da ilha, através do
cultivo de cereais e cana-de-açúcar, e da construção de infraestruturas como as
levadas para a irrigação - as levadas em tudo semelhantes ao regadio
tradicional minhoto.
Decorridos cerca de sete séculos sobre a data do seu
descobrimento e início do povoamento, persistem as ligações à sua região de
origem não somente na sua genealogia como ainda nas suas tradições, no
artesanato, gastronomia, folclore e traje. Nomeamos, entre elas, a carne de
vinha-d’alhos tão apreciada na quadra natalícia, a capa em quase tudo
semelhante à capotilha bracarense, as coreografias das danças tradicionais e o
inconfundível brinquinho que no Minho é conhecido por “zuca-truca”. Mas, não
nos detenhamos por estes aspetos…
Uma das tradições mais arreigadas que os povoadores
minhotos levaram para a Madeira dá ali pelo nome de “despique” e tem a sua
origem na tradição dos cantares ao desafio do Minho cujas raízes nos remetem
para o cancioneiro galaico-minhoto da Idade Média com as suas cantigas de
escárnio e maldizer, tradição intimamente ligada ao cancioneiro provençal e aos
Caminhos de Santiago.
Dois ou mais cantadores ao desafio como aqui
designamos improvisam quadras rimadas subordinadas a um tema específico,
exigindo-se que mantenha a habilidade do improviso e a capacidade de manter o
ritmo e a melodia durante toda a atuação. Trata-se de um costume que ocorre
frequentemente nas festas e arraiais populares da Ilha da Madeira, à semelhança
do que se verifica nas romarias minhotas de onde foram originários grande parte
dos povoadores daquela região.
A Ilha da Madeira é, por assim dizer, um pedaço do
Minho no meio do Oceano Atlântico e as suas gentes minhotas que não esquecem as
suas raízes.

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