CHEGOU A PRIMAVERA!
A Primavera, de Botticelli
O
Equinócio da Primavera ocorre hoje, dia 20 de março. Este instante marca o
início da Primavera no Hemisfério Norte.
A
partir daqui até ao início do outono, o comprimento do dia passa a ser maior do
que a duração da noite, devido ao Sol percorrer um arco mais longo e mais alto
no céu todos os dias, atingindo uma altura máxima no início do Solstício de
Verão. É exatamente o oposto no Hemisfério Sul, onde o dia 20 de março marca o
início do Equinócio de Outono.
O
Equinócio da Primavera encontra-se intimamente associado a tradições dos povos
como a celebração da Páscoa, a Serração da Velha, o Ramadão, a Queima do Judas
e muitas outras com origem nas mais diversas culturas, quase sempre originárias
de ancestrais rituais pagãos.
Na
Páscoa, o Cristianismo celebra a morte e ressurreição de Jesus Cristo, o que
faz desta festividade porventura a mais importante e de maior significado para
os cristãos. Com efeito, é a crença na ressurreição de Jesus Cristo que
distingue a fé cristã em relação a outras confissões religiosas. Foi apenas no
século II que a Igreja Católica fixou a Páscoa no domingo, sem a menor
referência à celebração judaica. Sucede que Jesus Cristo, segundo o calendário
hebraico, terá morrido em 14 de Nissan, precisamente o início do Pessach ou seja,
o mês religioso judaico que marca o início da Primavera.
Com
efeito, de acordo com a tradição judaica, a Páscoa provém de Pessach que
significa passagem e evoca
a fuga dos judeus do Egipto em busca da Terra Prometida. Na realidade, tal
significação remonta a raízes ainda mais ancestrais, concretamente às
celebrações pagãs que ritualizavam a passagem do Inverno para a Primavera ou
seja, as festas equinociais associadas à fertilidade e ao renascimento dos
vegetais.
Tais
celebrações eram antecedidas pela Serração da Velha, o Entrudo e as saturnais
que originaram as festividades de Natal. Mas, as novas religiões monoteístas
alicerçaram-se sobre as ruínas das crenças antigas e, por cima dos antigos
santuários pagãos ergueram-se as novas catedrais românicas e góticas. Da mesma
forma que, sobre as ruínas dos velhos castros foram construídos os castelos
medievais. E, assim, também as celebrações pagãs se revestiram de novas formas
mais de acordo com novas conceções religiosas e se cristianizaram, adquirindo
uma nova simbologia e significação.
Subsistem,
no entanto, antigas usanças que denunciam as origens pagãs da festividade
pascal associadas a costumes importados da cultura anglo-saxónica que, em
contacto com as tradições judaico-cristãs originam um sincretismo que conferem
à celebração pascal uma conceção religiosa bastante heterodoxa. É o que se
verifica, nomeadamente, com toda a simbologia associada ao coelho e aos ovos da
Páscoa, sejam eles apresentados sob a forma de chocolate, introduzidos nos
folares ou escondidos no jardim, rituais estes ligados à veneração praticada
pelos nórdicos a Ostera, considerada a deusa da fertilidade e do renascimento,
por assim dizer a “deusa da aurora”.
Em
todos os casos, tais celebrações indiciam o culto solar, desde o Solstício de
Inverno – Natale Solis Invicti – até à festividade do Equinócio da Primavera
que assinala o nascimento do novo ano solar!

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