ETNÓLOGO VIANENSE AMADEU COSTA DEIXOU-NOS HÁ 27 ANOS – FOI O GRANDE DIVULGADOR DAS MAIS GENUÍNAS TRADIÇÕES DAS GENTES DE VIANA DO CASTELO
Amadeu Costa é uma figura
incontornável da cultura tradicional de Viana do Castelo, pelo estudo e
divulgação que dela realizou ao longo de toda a sua vida. A ele se deve, entre
outros aspetos, o incansável estudo dedicado a Viana do Castelo e aos usos e costumes
locais, mormente o traje tradicional, além da organização das Festas de Nossa
Senhora d'Agonia.
Em devido tempo, a Câmara Municipal de Viana do Castelo publicou
as suas obras completas. Na coleção dedicada ao folclore conta-se “Festas e
tradições populares (2001), “Traje, artesanato e tradição” (2012), “Tradições
da Ribeira” (1998). Por seu turno, a coleção “História e Memórias de Viana”
inclui “Figuras e personalidades”, “Sítios, monumentos e obras de arte”,
“Teatro” e “Tradições várias”
A Amadeu Costa deve Viana do Castelo, em grande
medida, a criação de um museu dedicado ao traje regional – o Museu do Traje – o
qual veio a instalar-se em 1996, no edifício do Banco de Portugal.
Foi ele que organizou a exposição Traje Regional, a
primeira que aqui se realizou e, no ano seguinte, organizou também a exposição
que marcou a inauguração do Museu: Ambientes Regionais e Trajes, razão pela
qual foi atribuído o seu nome a uma das suas salas do Museu do Traje. Um museu,
aliás, que deveria merecer maior atenção por parte de muitos responsáveis de
grupos folclóricos representativos da nossa região com vista a uma
representação mais rigorosa dos nossos trajes tradicionais.
Há 15 anos, os seus descendentes doaram ao Museu do Traje de
Viana do Castelo uma valiosa coleção de trajes que pertenciam a Amadeu Costa, a
qual inclui algibeiras, aventais, saias, coletes, casacas, camisas, lenços,
calçado, meias, toalhas e trajes de homem e mulher.
Garantem muitos vianenses que, no seu tempo, por
ocasião das Festas de Nossa Senhora d’Agonia, Amadeu Costa não autorizava a
entrada no cortejo de meninas com unhas pintadas ou de gel, com maquilhagem ou
outros assessórios que desvirtuam a autenticidade da representação das nossas
tradições, condição que nos tempos que correm parece não estar completamente
garantida.
O semanário vianense “Falcão do Minho” apresenta o
ilustre etnógrafo nos seguintes termos: “Amadeu Costa, de seu nome completo
Amadeu Alberto Lima da Costa, nasceu no Bairro da Ribeira, mais propriamente na
Rua do Loureiro (no troço hoje denominado Rua Monsenhor Daniel Machado), a 23
de Outubro de 1920, filho de Manuel José Costa, piloto-mor da Barra do Porto de
Viana do Castelo.
O seu espírito aberto, a sua inata simpatia, a sua
admirável comunicabilidade, a bonomia, tolerância e humildade de que sempre deu
provas, fizeram dele uma pessoa muito considerada e respeitada.
Amadeu Costa dedicou-se à investigação e a
interpretar, nos mais íntimos pormenores, os usos e costumes e as tradições
tanto da cidade (principalmente da Ribeira) como de todo o concelho.
Todo esse imenso saber que adquiriu, aliado à sua
fina sensibilidade para as artes e bom gosto de decorador, revelaram Amadeu
Costa em diversificados eventos e dotaram-no de um laureado estatuto de artista
no campo da decoração, etnografia, caligrafia, etc. Em reforço de tudo isto,
deve dizer-se que, além da família, ou juntamente com ela, a Princesa do Lima
era a sua grande paixão. Na realidade, foram inúmeras as actividades desenvolvidas
e promovidas por Amadeu Costa em prol da manutenção dos costumes, das tradições
e da cultura regional.”



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