MORREU FAMALICENSE CARLOS MACEDO (1946-2026)
Carlos Macedo nasceu a 09 de dezembro de 1946, na freguesia de Lousado,
Vila Nova de Famalicão, a 9 de Dezembro de 1946. Ainda adolescente começou a
cantar o fado entre familiares e em festas de amigos, momentos esses, em que
todos se aperceberam do enorme talento de Carlos Macedo. Porém, não existia
qualquer guitarrista que o acompanhasse. Sozinho, aprendeu a tocar guitarra e
formou o conjunto Típico Carlos Macedo, com o qual se apresentou em diversas
festas e programas radiofónicos.
Ingressou no serviço militar e partiu para Moçambique levando consigo a
guitarra. Durante a sua permanência naquele país, Carlos Macedo integrou o
Grupo Regional das Forças Armadas participando em espectáculos para os
militares aí destacados. Findo o serviço militar, Carlos Macedo decidiu
permanecer em Moçambique onde ingressou no quadro de pessoal da Imprensa
Nacional (Função Pública).
Paralelamente, manteve uma carreira artística, actuado em várias casas
típicas existentes na altura em Moçambique como a Tertúlia e o Solar da
Madragoa, propriedade da fadista Eulália Duarte. Mais tarde chegou mesmo a
abrir um restaurante seu, o Ribatejano, onde actuava diariamente. Nesta década
profícua Carlos Macedo foi eleito “Rei do Fado em Moçambique”, (1972) e no ano
seguinte lançou os primeiros registos discográficos: “Campa Florida” e
“Guitarra Toca Baixinho”.
Regressou a Portugal em 1975, fixando-se em Lisboa, e depois da estada em
Moçambique num percurso pautado de sucesso, Carlos Macedo optou por se dedicar
à carreira artística. Integrou o elenco da casa típica Mil e Um ao que se segue
o Chaparro, Tabuinhas e Copos Bar.
Em 1997 apresentou-se em Versailles na casa típica Saudade. Após um ano de
actuações regressou a Lisboa integrando novos elencos, como O Embuçado e o
Senhor Vinho, propriedade da fadista Maria da Fé, onde se manteve até 2008.
Sobre esta enriquecedora experiência pode ler-se no seu site pessoal: “Ao
serviço desta empresária, grande e imortal fadista, o Carlos Macedo percorreu
Portugal de lés a lés e vários países Europeus e da América do Sul,
acompanhando-a à guitarra e por vezes cantando.” (cf. http://www.carlosmacedo.net/)
Reveladores do seu talento são as autorias e composições dos fados que
interpretava, e que resultam em inúmeras gravações. Os temas que compõem os
seus discos e CD foram sido apresentados em espectáculos e em programas
televisivos um pouco por todo o mundo: Espanha, França, Alemanha, Bélgica,
Luxemburgo, Suíça, Holanda, Brasil, Macau, Canadá, Estados Unidos da América,
Angola, entre outros. Em algumas destas actuações, Carlos Macedo acompanhou
grandes nomes do panorama musical, casos de Ada de Castro, Carolina Tavares,
Maria da Fé, Dr. Machado Soares, entre outros.
Em 2006 na freguesia do Lousado e no âmbito das festividades do Sagrado
Coração de Maria e Nossa Senhora da Boa Hora, Carlos Macedo foi homenageado,
figurando hoje como uma das ilustres personalidades do concelho. Acrescente-se
a este facto o espectáculo, com grande êxito, realizado em 2009, na Casa das
Artes, em Vila Nova de Famalicão.
No Centro Pastoral Paulo VI, no decorrer das celebrações do 90º aniversário
das aparições de Fátima, em 2007, Carlos Macedo foi convidado pelo Bispo de
Leiria a interpretar dois fados. Nesse ano, o fadista e guitarrista lançou o
trabalho discográfico “Ser Peregrino”, e que resulta de uma profunda
experiência pessoal pautada pelo sofrimento, esperança e fé.
Desde 1989, Carlos Macedo dedicou-se à construção de guitarras aprendendo o
ofício com uma das suas principais referência na arte da guitarra portuguesa,
guitarrista Fontes Rocha. Ao longo deste tempo Carlos Macedo desenvolveu as
qualidades técnicas e acústicas do instrumento, sendo da sua autoria a guitarra
com que trabalhava.
Faleceu a 7 de março de 2026
Fonte: Museu do Fado, adapt.

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