QUAL A ORIGEM DA TRANÇA DOCE – UMA ESPECIALIDADE DA NOSSA DOÇARIA TRADICIONAL NA QUADRA PASCAL?
Muitos pães trançados, incluindo versões doces, têm
origem na tradição da Chalá (Challah), um pão trançado judaico
tradicionalmente consumido no Shabat. De resto, o termo hebraico Challah
pronuncia-se de uma forma muito semelhante a ralado, podendo eventualmente
encontrar-se aí a origem da nossa expressão, influência a que seguramente não é
alheia a presença judaica entre nós. Em Portugal, a trança doce é um clássico
de Páscoa e de Natal, similar à Rosca de Reis, muitas vezes feita com massa de
pão de ló, caracterizada por ser fofa, dourada e, por vezes, recheada ou decorada
com ovos, açúcar perolado ou frutos secos. Encontramos essa forma de trança nomeadamente no folar da Páscoa.
O pão ralado tem uma relação estreita com a tradição judaica,
principalmente através da farinha de matzá (matzo meal), que é
essencialmente pão ralado feito a partir do pão ázimo (matzá) consumido durante
a Pessach (Páscoa Judaica).
Durante
a Pessach, os judeus observantes não consomem chametz (leveduras/fermentos,
alimentos fermentados). Como alternativa ao pão normal e à farinha de trigo
comum, utiliza-se a farinha de matzá, que é feita ao triturar os pães ázimos,
resultando numa textura de pão ralado.
A
farinha de matzá é usada como um substituto kosher para o pão ralado comum em
almôndegas, recheios e empanados (como peixe ou frango), permitindo a
manutenção da dieta alimentar da Páscoa.
A tradição não consiste apenas em "ralar pão" comum, mas sim a utilização de farinha de matzá, que cumpre a função de pão ralado, respeitando as leis dietéticas judaicas, especialmente durante a Pessach. A chalá, o pão especial do Shabat, é trançada por tradição, e esse formato tem muito significado. Antigamente, no Templo Sagrado em Jerusalém, eram colocados 12 pães sobre a mesa sagrada. Para lembrar disso, fazem duas chalot (pães) no Shabat, e cada uma costuma ter seis tranças, juntas, elas somam 12, representando aqueles pães.

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