ARCOS DE VALDEVEZ: O QUE ANDOU O JUÍZ DO SOAJO A FAZER POR TERRAS DE VILA NOVA DE PAIVA?
Neste concelho existe uma lenda acerca do seu antigo nome,
relacionado com uma sentença do juiz de Barrelas, que terá sido um homem justo,
que usava sempre meias amarelas, segundo relatos de Aquilino
Ribeiro.
Certa noite, o
magistrado assistiu, sem poder intervir, a uma altercação entre dois homens, tendo um
deles assassinado o outro. O povo, porém, acusou um terceiro, por sabê-lo
desavindo com a vítima e levou-o a julgamento. O juiz, que estava certo da
inocência do réu mas não podendo testemunhar devido às suas funções, proferiu
então a seguinte sentença: "Vi e não vi, sei e não sei, corra a água ao
cimo, deite-se fogo à queimada, dê-se laço em nó que não corra... Por tudo isto
e em face da plena prova do processo constante, condeno o réu na pena de morte,
mas dou-lhe cem anos de espera para se arrepender dos pecados. Cumpra-se. Juiz
de Barrelas". O juiz fez justiça e salvou o inocente.
Fonte: Infopédia
Com efeito, a lenda do juiz
de Barrelas – como assim era denominada Vila Nova de Paiva até 1883 –
assemelha-se em grande medida à sentença do juíz do Soajo.
A lenda destaca-se pela sua famosa
"sentença" simbólica: "Condeno o réu na pena de morte, mas
dou-lhe 100 anos de espera para se arrepender dos pecados", antecipando a
ideia de pena suspensa. A sentença, associada geralmente a casos de aldeia,
procurava “abolir” de modo irónico uma punição que ainda era praticada ao tempo
em que o povo recorria aos seus juízes. E assim ficaram célebres as sentenças
dos juízes de Barrelas e do Soajo.

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