BLOCO DE ESQUERDA QUESTIONA GOVERNO SOBRE SITUAÇÃO DOS TRIBUNAIS NO DISTRITO DE VIANA DO CASTELO
O Bloco de
Esquerda, através do seu deputado Fabian Figueiredo, deu entrada de uma
pergunta ao Governo sobre a situação dos tribunais no distrito de Viana do
Castelo.
Tendo por base
o relatório anual de atividades da Comarca de Viana do Castelo relativo ao ano
de 2025, constata-se um quadro de degradação generalizada e profundamente
preocupante das condições de funcionamento da administração da justiça no Alto
Minho, quer ao nível dos recursos humanos, quer das infraestruturas,
equipamentos e segurança.
No plano dos
recursos humanos, importa salientar que, apesar de a Portaria n.º 372/2019, de
15 de outubro, prever um quadro de 174 oficiais de justiça, apenas 134 se
encontravam efetivamente em funções no final de 2025, subsistindo 20 lugares
por preencher, aos quais acrescem aposentações recentes e previsíveis e a
ausência total dos 2 técnicos de informática previstos. Esta realidade,
transversal a toda a Comarca, coloca em risco o regular funcionamento dos
serviços e potencia situações de rutura.
Paralelamente,
o relatório evidencia problemas estruturais graves e diferenciados em
praticamente todos os núcleos da Comarca, designadamente:
– Em Arcos de
Valdevez, o edifício apresenta patologias profundas, com
infiltrações generalizadas, degradação da cobertura com necessidade de
substituição, e ausência de condições de acessibilidade nas salas de audiência
para pessoas com mobilidade reduzida;
– Em Caminha, verificam-se graves deficiências nas
instalações sanitárias destinadas ao público, sem condições de acessibilidade,
bem como degradação acentuada de áreas de arquivo, exigindo intervenções
urgentes ao nível de ventilação, pavimentos e segurança;
– Em Melgaço, persistem falhas críticas ao nível dos acessos,
com portas automáticas sujeitas a bloqueios frequentes devido a falhas de
energia, comprometendo a entrada e saída do edifício, a par da ausência de
meios adequados de segurança;
– Em Monção, mantém-se por resolver a total falta de
acessibilidade para cidadãos com mobilidade reduzida, sendo necessária a
instalação de meios mecânicos de acesso, a par de outras intervenções
estruturais e da ausência de dispositivos de segurança;
– Em Ponte da
Barca, o edifício apresenta risco de queda de
elementos da fachada, infiltrações que afetam estruturas e instalações
elétricas, degradação de tetos falsos e inexistência de acessibilidade adequada
nas salas de audiência;
– Em Ponte de
Lima, subsistem múltiplas patologias, incluindo
abatimentos na cobertura com risco de novas infiltrações, fissuras estruturais,
degradação de pavimentos e inexistência de acessibilidade nas salas de
audiência;
– Em Valença, apesar de intervenções recentes, persistem
infiltrações, deficiências na cobertura e caixilharia, ausência de espaços
adequados para utentes do Ministério Público e falta de acessibilidade nas
salas de audiência;
– Em Vila Nova
de Cerveira, embora
tenham sido implementados mecanismos de controlo de acessos, mantêm-se
carências ao nível da segurança e inexistência de acessibilidade adequada nas
salas de audiência;
– Em Paredes
de Coura, subsiste a ausência de infraestruturas
adequadas para detenção de arguidos, bem como falta de segurança permanente e
inexistência de equipamentos de deteção;
– Em Viana do
Castelo, verificam-se infiltrações graves e persistentes
no Palácio da Justiça, que já provocaram a ruína parcial de tetos e a
inoperacionalidade de salas de audiência, bem como problemas de acessibilidade
no interior das salas. No denominado Palácio dos Cunhas, subsistem ainda
problemas graves ao nível da climatização, humidade e risco de queda de
elementos estruturais, colocando em perigo pessoas e bens.
Importa
referir também que a viatura atualmente afeta à Comarca de Viana do Castelo
apenas responde às necessidades mais básicas de transporte. Contudo, devido à
sua reduzida dimensão e limitada capacidade de carga, revela-se inadequada para
a deslocação, entre os diversos núcleos, de equipamentos de maiores dimensões
(como impressoras, cadeiras ou mobiliário) ou de volumes significativos de
material de economato
Ao cenário
descrito acrescem fragilidades transversais ao nível da segurança – com
insuficiência de vigilância humana e ausência de equipamentos essenciais como
pórticos detetores de metais, bem como carências significativas de equipamentos
técnicos, sistemas de gravação e meios logísticos.
Este conjunto
de deficiências configura uma situação de manifesta degradação do serviço
público de justiça na região, colocando em causa a segurança de profissionais e
cidadãos, a dignidade das instituições e o acesso efetivo à justiça.
No documento
entregue ao Governo o Bloco de Esquerda questiona se o Governo tem
conhecimento das situações relatadas no relatório anual de atividades da
Comarca de Viana do Castelo relativo ao ano de 2025 acima
descritos, que medidas urgentes pretende o Governo adotar para resolver,
de forma diferenciada e célere, as graves patologias identificadas em cada um
dos núcleos da Comarca de Viana do Castelo, como que medidas serão adotadas
para garantir a plena acessibilidade dos edifícios judiciais em todos os núcleos
da Comarca.
Por fim, qual
o plano existente para o reforço urgente dos recursos humanos, tendo em conta o
elevado número de vagas por preencher e o risco de agravamento da situação em
2026.



Comentários
Enviar um comentário