ESPOSA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA EXIBIU A OURIVESARIA MINHOTA NA SUA VISITA A ESPANHA – ARTIGO DO JORNAL “OBSERVADOR”
Símbolo de estatuto e feminilidade: os brincos
em filigrana popularizados por D. Maria II que Margarida Maldonado Freitas usou
em Espanha
Foram
oferecidos a D. Maria II em 1852 e ainda hoje inspiram a arte da filigrana.
Carregados de simbolismo feminino e estatuto, foram utilizados pela mulher de
Seguro na visita oficial a Madrid.
A peça, que se acredita ter aparecido no
reinado da rainha D. Maria I (1734-1816) — responsável também pela criação do
Coração de Viana —, ganhou a popularidade que mantém aos dias de hoje só quando
a bisneta, D. Maria II (1819-1853), já estava no torno. Quando a 8 de maio de
1852 visitou a cidade de Viana do Castelo, acompanhada pelo rei consorte D.
Fernando, o príncipe herdeiro D. Pedro e o infante D. Luís, foi-lhe
oferecido pelas jovens vianenses um par em ouro. Foi a partir dessa data que os
brincos foram nomeados “brincos Rainha”, apontando para uma imagem de
elegância e realeza, popularizando-se assim enquanto um símbolo de riqueza e de
estatuto. Esta foi a última viagem de Maria II ao Alto do Minho, depois de ter
elevado Viana do Castelo à categoria de cidade em 1848.
A origem exata dos brincos não é conhecida,
mas em Ponte de Lima há quem lhes chame “picadinhos”, defendendo que é esse o
nome original. Noutras zonas do Minho, são ainda conhecidos como “à moda da
rainha”, “de mulher fidalga” ou “mulher rica”. Há também quem defenda que os
brincos Rainha resultam de uma evolução dos brincos de laço e pendente do final do século XVIII ou dos brincos à Rei, mais clássicos e
em ouro, mas aqui com um formato maior na parte inferior.
Tradicionalmente, eram usados por mulheres de estatuto elevado, como parte dos
seus trajes para ocasiões formais ou religiosas, sendo por isso, ainda
atualmente, usados regularmente por noivas. No entanto, há quem acredite que o
modelo que conhecemos hoje tenha sido simplificado pelas classes mais em
baixo na pirâmide social.
O modelo brincos Rainha é assim composto por um
topo em forma de botão que se prende ao lóbulo da orelha — em gancho ou
tornilho — e que está ligado à peça inferior. Já esta é composta por um laço
fundido a uma argola que termina em bico, conferindo-lhe a forma de triângulo
invertido. No interior desta argola está uma pequena peça circular. Esta forma
e design do brinco sugere uma ainda maior ligação às mulheres, com os brincos
Rainha a ser um símbolo da fertilidade feminina: a peça circular central,
ligada à peça envolvente, simboliza a ligação do filho ao ventre da mãe,
do qual se irá libertar, enquanto que a forma de um triângulo invertido, na
parte inferior do brinco, representa também um símbolo feminino, a
fertilidade e o lado lunar. Há versões em que são adornados com corações,
flores e laços.
Imagem de elegância e realeza, com raízes
tradicionais, são atualmente um acessório cada vez mais combinado numa estética
contemporânea, já muito adaptados ao dia a dia. Não deixam, mesmo assim, de
fazer parte de festivais folclóricos, procissões e eventos religiosos, sendo
parte integrante dos trajes à vianesa das Lavradeiras da Meadela, de Viana do
Castelo.
Fonte e foto: Observador

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