PAINEL DE AZULEJOS DE JORGE COLAÇO EM PONTE DE LIMA EVOCA A PASSAGEM DE D. AFONSO HENRIQUES PELA CABRAÇÃO
A azulejaria
que reveste o interior da estação de S. Bento, no Porto, é porventura a mais
conhecida e apreciada pelo público das obras do ceramista Jorge Colaço. Não
obstante, foram inventariados cerca de mil painéis em 116 locais diferentes em
todo o país e no estrangeiro. Entre nós, no Minho, destacamos este painel
existente em Ponte de Lima que narra o episódio da passagem do rei D. Afonso
Henriques pela Cabração.
A
actual aldeia da Cabração, terá sido uma quinta de algum nobre godo, o que se
retira de uma escritura que as freiras do mosteiro levaram quando foram para o
Convento do Salvador de Braga. Aí se diz que, "indo D. Afonso Henriques à
caça dos javalis, a esta freguesia, que é na serra de Arga, acompanhado de Nuno
Velho, Sancho Nunes, Gonçalo Rodrigues, Lourenço Viegas, Soeiro Mendes (o
Gordo), Gonçalo Ramires e outros fidalgos, o abade de Vitorino, D. Fernando,
lhes deu aí de jantar, junto à capela de Nossa Senhora de Azevedo, no fim do
qual o rei lhe demarcou o couto."
A Torre de S. Paulo foi erigida
no século XIV, fazendo parte da estrutura muralhada de defesa da vila. Na face
voltada ao rio, um painel de azulejos assinado por Jorge Colaço representa um
episódio imaginário de D. Afonso Henriques na Cabração (Cabras são, Senhor!).
[Segundo a lenda, depois de uma caçada, descansando D. Afonso Henriques junto à
Capela de Nossa Senhora de Azevedo com a sua comitiva, começou a notar-se ao
longe uma nuvem de pó e um barulho ensurdecedor. Julgando ser o inimigo que
iria atacar, prepararam-se para o combate, indo de encontro à poeira e ao
barulho, quando, de repente, o aio D. Egas, parando, dirigiu-se ao rei dizendo
em tom de riso: "Cabras são, Senhor!” Deste modo, aquela área, que era
ocupada em grande parte por pastores e cabras, passou a designar-se Cabração.

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