PONTE DE LIMA: O ANTIGO “CAFÉ GUERRA” ERA O PONTO DE ENCONTRO DAS GENTES DA CABRAÇÃO EM DIA DE FEIRA
O estabelecimento nas vilas de um local de
encontro das gentes de uma determinada aldeia ou freguesia em dia de feirar
constituiu desde sempre uma das características das feiras e mercados
medievais, as quais chegaram até aos nossos dias pela força do costume e
tradição.
Ainda antes do surgimento da
viação mecanizada, vulgo “camionetas” de carreira, apinhadas até ao tejadilho
com bagagens e mercadorias, as gentes saíam manhã cêdo das aldeias em ranchos
e, uma vez chegadas à bila, lá íam elas à sua vida, cada
um para seu lado, tratar dos seus negócios… os mais novos tinham geralmente
encontro marcado com os conversados!
Ao
longo do dia vendiam e que tinham a vender, contratavam os jornaleiros para os
trabalhos domésticos ou da lavoura, procediam ao pagamento quando era o caso e,
de tempos a tempos, acorriam ao local de reunião do seu povo para ali deixar as
alfaias compradas à guarda de um familiar ou vizinho enquanto de novo
regressava à confusão do mercado por entre as tendas dos feirantes. E, chegada
a altura do regresso a casa, lá íam todos juntos, tornando mais suave o
sacrifício da caminhada.
Entretanto
vieram as camionetas de carreira. Quem na feira de Ponte de Lima não se recorda
ainda dos velhinhos autocarros do “Cura” aguardando os passageiros junto ao
mercado municipal? Seguiu-se a generalização do uso da viatura particular e as
gentes da aldeia deixaram de fazer a caminhada a pé… da Cabração a Ponte de
Lima distam cerca de treze quilómetros e havia que contar com outros tantos na
viagem de regresso!
Mas,
o antigo costume manteve-se atá aos nossos dias. Cada localidade possuem o seu
ponto de encontro em diferentes sítios da bila.
A
título de exemplo, as gentes da Cabração tinham por local de encontro a Torre
de S. Paulo, a qual curiosamente exibe um magnífico painel de azulejos da
autoria de Jorge Colaço, alusivo à lenda que deu origem ao seu nome – Cabras
são, Senhor!
Com
o passar do tempo e por razões de comodidade, passaram também a frequentar um
café existente nas proximidades, aproveitando para descansar da correria da
feira até chegada a hora do regresso a casa. Era o velhinho e já desaparecido
Café Guerra que as pessoas da Cabração guardam na memória com saudade dos
tempos idos.

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