PONTE DE LIMA: RESISTÊNCIA AOS FRANCESES (ARCOZELO) COM CONVIDADOS DE LISBOA A BRUXELAS – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS
Com raízes e numerosos amigos em Arcozelo, há meses atrás
havia sugerido aos Presidentes da Junta da Freguesia, Acácio Fernandes e seu
colega de Santa Comba, João Fortes, e ao dos Combatentes em Ponte de Lima,
Manuel Pereira, uma homenagem ao patriótico povo arcozelense que nesse mês de
Abril de 1809, tanto quanto possível, opôs resistência na II Invasão Francesa.
Mas, o resultado foi trágico: a refrega ou pequeno
combate no Rego do Azal, e depois em outros lugares da freguesia, traduziu-se
em 38 mortos, a somar ainda mais quatro na vizinha Santa Comba e três em
Bertiandos, pois o invasor atacou por esse lado, freguesias limítrofes.
Elaborado o programa, sublinhado por muitos amantes de
historiografia a proposta, além de autarcas, no Domingo último, 12 de Abril,
povo e entidades oficiais assinalaram a Resistência de Arcozelo na II Invasão
Francesa.
Para além da missa em sufrágio das quase quatro dezenas
de almas, o alinhamento seguiu com a desfile ao local para construção dum
Memorial, no larguinho do cruzeiro do Rego do Azal, próximo das "Alminhas
dos franceses ou dos Aflitos", um marco de simbologia popular da
efeméride!
Dezenas de participantes, entre anónimos e representantes de entidades civis e militares participaram da cerimónia, responderam favoravelmente aos convites da autarquia e do Núcleo pontelimês da Liga dos Combatentes. Também o Quadro de Honra dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima esteve presente, com o Adjunto do Comando, António Sousa
E, porque, para além das apresentações in loco, é de recordar, agradecer, a todos quantos então rumaram á Senhora da Luz, centro urbano e comercial de Arcozelo. Na lista de presenças, de realçar os autarcas locais eleitos, pelo interesse no evento, e os de fóra, que mais fazem que muitos de dentro, deslocaram-se em missão de homenagem, representação profissional da classe, desde Lisboa a Bruxelas, alguns deles conterrâneos, ou com ascendência no território Limiano, em testemunho ou apreço pelo sucedido, nessa semana de 8 a 12 de Abril do remoto 1809.
Eis, o rol de alguns participantes, a começar pelo nosso
Presidente da Câmara Vasco Ferraz, e da capital, subiram até Arcozelo: o
deputado na comissão parlamentar de Defesa, José Lago Gonçalves, e colega na de
Educação, Manuela Carvalho; o capitão da GNR no Quartel do Carmo, Pedro Lopes;
o Intendente, oficial de polícia a frequentar a graduação ao posto seguinte,
Ezequiel Rodrigues, também autor Limiano, que em 2024 lançou o Ódio sem
Fronteiras, uma narrativa sobre a emigração a salto na região, com enredo
parcial em Arcozelo, e o assessor jurídico na Câmara de Lisboa, José Inácio
Faria.
Do Minho, há a registar a presença do Comandante do
Regimento de Cavalaria 6 de Braga, Coronel Quinteiro de Morais; do Comando
Territorial de Viana do Castelo da GNR, o Tenente Coronel Nuno Silva Lopes; do
nosso concelho, integraram a assistência, o secretário da Liga dos Combatentes
Ponte de Lima, Sargento António Duarte, o Tenente Coronel José António Leitão e
Manuel Ventura, de Refóios, para além na dupla função, pois também integra a
Associação de Paraquedistas do Alto Minho, Manuel Moreira, de Arcozelo.
Da vizinha Espanha, a Galiza esteve bem representada, com
instituições de Ourense, Pontevedra e Puenteareas: Hermandad Provincial de
Antiguos Caballeros Legionários, a Hermandad Provincial de Regulares e a
Hermandad da Guardia Civil e Auxiliares.
Finalmente, de Bruxelas, um dos aficionados por história
militar mundial: Victor Alves Gomes, Presidente da Liga dos Combatentes de
Gent-Bélgica e esposa Trinn Aasma, secretária da direcção.
A presença dos nossos amigos de mais longe, terminou com
a deposição dum ramo de flores no busto do general Norton de Matos, Ministro da
Guerra em 1914-18, membro da delegação de Portugal ao Tratado de Paz em
Versalhes no ano imediato, e depois embaixador em Londres, com participação de
seus sobrinhos trinetos e tetranetos.

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