DE PONTE DE LIMA A LONDRES: ENCONTRO NA CAVIAR HOUSE - CRÓNICA DE TITO DE MORAIS
No Domingo 17 de Maio, percorremos locais de referência de comida internacional, e um dos mais sonantes, era no Selfridge, antigo e renomado centro comercial do mundo, o segundo do Reino Unido. Classificado por colegas no Encontro internacional como “uma das casas mais famosos em comercialização de caviar no planeta”, estava contemplada desde logo no nosso roteiro gastronómico.
Trata-se da Caviar House, um recanto conhecido de milionários, chefs e apreciadores da especialidade piscícola provenientes da Rússia e antiga Pérsia, hoje Irão. A responsável do espaço enalteceu o produto, qualidade e variedades, desde logo três distintas: o Beluga, o mais caro, com as ovas de maior diâmetro; o Ossetra, com média dimensão, e finalmente o Sevruga, comas de menor tamanho e mais acessível em preço. Os dois inicialmente enunciados variam desde os 6 mil euros o quilo, e uma simples tosta para degustar com o raríssimo conhaque Luis XIII, vale 120 libras…
O nosso interesse pela especialidade da Alta Cozinha mundial, remontava há uns meses atrás, e o jovem João Leonardo Matos, associou-se à palestra na Casa do Caviar em Londres, para uma hipótese de reconstituição parcial duma cerimónia oferecida por António Feijó na Suécia. Recuamos até ao dia 13 de Março de 1907, com o diplomata a proporcionar na sua Residência em Estocolmo, um banquete com entrada de caviar servido em dois blocos de gelo, como relata numa carta ao amigo Luis de Magalhães, de Moreira da Maia.
A conversa com a responsável da loja de iguaria de luxo prosseguiu, e depois de apresentar o colega especialista de cozinha, mais informações nos facultou: o valor nutritivo do caviar, com o Omega 3, vitaminas A e D e proteínas, e ainda nos disponibilizou ligeira prova, entre informações complementares, como a textura, tamanho, sabor. E, para acompanhar, sugestão também de champanhes, franceses ou espanhóis, com demonstrações de confecção de entradas com as ditas ovas de esturjão: a mais sugestiva para nós, e a qual desejamos incluir na recriação histórica jantante de há cento e vinte anos, é a de brushetas barradas com burata, acompanhadas de filetes de salmão e o dito caviar (foto).
Conhecer, provar, reconhecer, estudar, foi deste modo o motivo para aflorar o nosso poeta, diplomata e gastrónomo opíparo como lhe chamou a mulher do amigo Eça de Queirós, D. Emília Resende. A reconstituição parcial da ementa de 1907 na Suécia será agora discutida com os colegas de João Matos do nosso Clube de Gastronomia de Ponte de Lima, mas sabemos há propostas para apresentar o requintado quão luxuoso acepipe em Portugal e na Suécia. E, para a autenticidade do cardápio dos diplomatas servido no reino sueco pelo autor das Bailatas, até já conseguimos o vinho então servido: Arinto de Bucelas, proveniente duma reduzida região classificada no concelho de Loures, um branco que depois de descoberto pelo Duque de Wellington, também entrava nos salões da corte britânica.


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